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Edison Carneiro
Luís Dias, mestre das obras, tinha a ajudá-lo um grupo de operários de
construção civil — pedreiros, carpinteiros, calafates, por sua vez auxiliados
por telheiros e caieiros.
O mais notável, entre os pedreiros, era Pedro de Carvalhais, que assumiu o
posto de mestre das obras em 1557, con 20$ por ano. Este oficial logo se
estabeleceu por conta própria, tomando várias empreitadas, inclusive a dos muros
da cidade e da casa dos armazéns, na Ribeira, ou fabricando cal, de parceria com
Francisco Gomes. O provedor-mor (1551) lhe mandou pagar 4$ em mercadoria, "que
lhe eram devidos, e lhe mandava dar por os prometer fazendo cal na ilha de
Itaparica, como fez e tinha feito muita". Luís Dias, instando por voltar a
Portugal (1551), escrevia: "Cá está um oficial que se chama Pero de Carvalhais,
e Francisco Gomes, filho de FernãoGomes, de Porto de Moz, que são bons alvanéis
e alguma coisa sabem de pedraria..." Pero de Carvalhais foi o construtor da Sé
da Bahia.
O substituto eventual de Luís Dias, entretanto, era o seu sobrinho Diogo
Pires, se o mestre de obras morresse no Brasil. Percebia 36& por ano. Nóbrega o
considerava "bom oficial" e achava que poderia ser incumbido de construir o
Colégio dos Jesuítas. O tio, que dele tinha muito boa opinião, o mandou a
Portugal levar "amostras" da cidade, mas o galeão em que ia naufragou em
Pernambuco e, tendo tomado outro navio, perdeu-se com ele (1551).
Belchior Gonçalves tomou de empreitada o levantamento de "um lanço de parde
de pedra e barro" e de "outro lanço de parede de pedra ensossa" na Ribeira e uma
parede "de pedra e barro", na estância Santa Cruz; trabalhou na construção da
Casa da Pólvora e da Casa dos Contos, na Ribeira; e mais tarde (1552) construía
os alougues da cidade, sob a fiscalização de Luís Dias.
Havia entre os pedreiros especialistas em obras de taipa, como André
Gonçalves, Baltazar Fernandes e Pero André. Este último fez "um baluarte e casa
de taipa", na Praia (1549), e mais tarde (1551) tomava obras de empreitada nas
Casas da Cadeia e Câmara.
Os carpinteiros trabalhavam na Ribeira, sob a direção de Francisco Nicolau.
Em pouco tempo, desenvolveram-se especializações na arte. Assim, André Afonso
era o carpinteiro da caravela Leoa; Antônio Teixeira, filho do
bombardeiro Jorge Teixeira, talvez ainda rapaz, fazia trabalhos mais leves,
janelas, portas e outras peças de madeira para as casas da cidade, como Gaspar
Pires; Antônio Gonçalves, que emadeirou, de empreitada, as ferrarias e a Casa da
Alfândega (1550), estabelecera a sua residência, e talvez a sua oficina, na
povoação do Pereira.
Fernão Álvares era o mestre dos calafates — talvez não mais do que uma dezena
de trabalhadores.
Os pedreiros ganhavam 1$200 por mês, os carpinteiros e os calafates 1$400.
Os telheiros tomavam encomendas, ora isoladamente, ora em grupo. Cinco deles,
inclusive Antônio Vaz, de Leiria, tomaram de parceirada o fornecimento de telha
à cidade. A despeito da necessidade de telha, não se aceitava trabalho apressado
e imperfeito. Havia padrões estabelecidos a respeitar. Assim, Pero Martins, que
forneceu quatro milheiros de telhas para as obras da cidade, à razão de 2$ o
milheiro, sofreu um desconto no pagamento "por a telha não ser da perfeição, [a]
que era obrigado". O cargo de mestre da telha, ocupado em 1553 por João de
Lessa, que viera com o governador, não parece ter existido em 1549.
Os caieiros, como os telheiros, trabalhavam de encomenda. Pero de Carvalhais
e Francisco Gomes, pedreiros, produziam cal. O mestre dos caieiros, talvez já em
1549, era Pero Jorge, vindo de Olinda, mais tarde (1551) substituído por Miguel
Martins, procedente de Portugal. Havia, na cidade, como edifício público, o
forno da cal.
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