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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

oficina

ANO VI - EDIÇÃO 69
Agosto 2004

Oficina
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Os remeiros do rio São Francisco, por Joaquim Ribeiro

Operários de construção civil na fundação da cidade de Salvador, por Edison Carneiro

Horticultura, por Carlos Augusto Taunay
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


Operários de construção civil na fundação da cidade de Salvador

Edison Carneiro

Luís Dias, mestre das obras, tinha a ajudá-lo um grupo de operários de construção civil — pedreiros, carpinteiros, calafates, por sua vez auxiliados por telheiros e caieiros.

O mais notável, entre os pedreiros, era Pedro de Carvalhais, que assumiu o posto de mestre das obras em 1557, con 20$ por ano. Este oficial logo se estabeleceu por conta própria, tomando várias empreitadas, inclusive a dos muros da cidade e da casa dos armazéns, na Ribeira, ou fabricando cal, de parceria com Francisco Gomes. O provedor-mor (1551) lhe mandou pagar 4$ em mercadoria, "que lhe eram devidos, e lhe mandava dar por os prometer fazendo cal na ilha de Itaparica, como fez e tinha feito muita". Luís Dias, instando por voltar a Portugal (1551), escrevia: "Cá está um oficial que se chama Pero de Carvalhais, e Francisco Gomes, filho de FernãoGomes, de Porto de Moz, que são bons alvanéis e alguma coisa sabem de pedraria..." Pero de Carvalhais foi o construtor da Sé da Bahia.

O substituto eventual de Luís Dias, entretanto, era o seu sobrinho Diogo Pires, se o mestre de obras morresse no Brasil. Percebia 36& por ano. Nóbrega o considerava "bom oficial" e achava que poderia ser incumbido de construir o Colégio dos Jesuítas. O tio, que dele tinha muito boa opinião, o mandou a Portugal levar "amostras" da cidade, mas o galeão em que ia naufragou em Pernambuco e, tendo tomado outro navio, perdeu-se com ele (1551).

Belchior Gonçalves tomou de empreitada o levantamento de "um lanço de parde de pedra e barro" e de "outro lanço de parede de pedra ensossa" na Ribeira e uma parede "de pedra e barro", na estância Santa Cruz; trabalhou na construção da Casa da Pólvora e da Casa dos Contos, na Ribeira; e mais tarde (1552) construía os alougues da cidade, sob a fiscalização de Luís Dias.

Havia entre os pedreiros especialistas em obras de taipa, como André Gonçalves, Baltazar Fernandes e Pero André. Este último fez "um baluarte e casa de taipa", na Praia (1549), e mais tarde (1551) tomava obras de empreitada nas Casas da Cadeia e Câmara.

Os carpinteiros trabalhavam na Ribeira, sob a direção de Francisco Nicolau. Em pouco tempo, desenvolveram-se especializações na arte. Assim, André Afonso era o carpinteiro da caravela Leoa; Antônio Teixeira, filho do bombardeiro Jorge Teixeira, talvez ainda rapaz, fazia trabalhos mais leves, janelas, portas e outras peças de madeira para as casas da cidade, como Gaspar Pires; Antônio Gonçalves, que emadeirou, de empreitada, as ferrarias e a Casa da Alfândega (1550), estabelecera a sua residência, e talvez a sua oficina, na povoação do Pereira.

Fernão Álvares era o mestre dos calafates — talvez não mais do que uma dezena de trabalhadores.

Os pedreiros ganhavam 1$200 por mês, os carpinteiros e os calafates 1$400.

Os telheiros tomavam encomendas, ora isoladamente, ora em grupo. Cinco deles, inclusive Antônio Vaz, de Leiria, tomaram de parceirada o fornecimento de telha à cidade. A despeito da necessidade de telha, não se aceitava trabalho apressado e imperfeito. Havia padrões estabelecidos a respeitar. Assim, Pero Martins, que forneceu quatro milheiros de telhas para as obras da cidade, à razão de 2$ o milheiro, sofreu um desconto no pagamento "por a telha não ser da perfeição, [a] que era obrigado". O cargo de mestre da telha, ocupado em 1553 por João de Lessa, que viera com o governador, não parece ter existido em 1549.

Os caieiros, como os telheiros, trabalhavam de encomenda. Pero de Carvalhais e Francisco Gomes, pedreiros, produziam cal. O mestre dos caieiros, talvez já em 1549, era Pero Jorge, vindo de Olinda, mais tarde (1551) substituído por Miguel Martins, procedente de Portugal. Havia, na cidade, como edifício público, o forno da cal.

(Carneiro, Edison. A cidade do Salvador 1549; uma reconstituição histórica. Rio de Janeiro, Organização Simões, 1954, p.83-85)