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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

oficina

ANO VI - EDIÇÃO 69
Agosto 2004

Oficina
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Os remeiros do rio São Francisco, por Joaquim Ribeiro

Operários de construção civil na fundação da cidade de Salvador, por Edison Carneiro

Horticultura, por Carlos Augusto Taunay
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


Os remeiros do rio São Francisco

Joaquim Ribeiro

O remeiro traz, no peito, a marca de sua profissão, uma cicatriz fibrosa, resultante do apoio do varejão, que, de regra, usa por ocasião das descidas do rio.

Supersticiosos, não viajam de noite. Oferem fumo ao caboclo d'água, o nume misterioso do rio.

"Depositam a sua confiança na figura da proa, imagem de monstri, toscamente falquejada, ora uma cabeça de dragão, ora de leão ou cavalo, a qual avisa os remeiros, por meio de três gemidos, que a barca vai afundar". (M. Cavalcanti Proença, Ribeira de São Francisco).

Quando duas barcaças de encontram no rio, fazem saudação que, em geral, acabam em palavrões, sem intenção ofensiva.

De noite, pousam na margem e fazem cantorias. Às vezes celebram com veia satírica as povoações do rio.

Eis uma das versões mais populares dessas gestas:

Juazeiro dá lerdeza
Petrolina dá vaidade
Santana dá cascalho
Riacho dá carestia
Sento Sé dá nobreza
Remanso pra valentão
Pilão Arcado dá desgraça
Xique-Xique dos bundão
Icatu, cachaça ruim
Barra só dá ladrão
Morpará, casa de palha
Bom Jardim dá flor
Urubu da Santa Cruz
Triste do povo da Lapa
Se não fosse o BomJesus
Carinhanha é bonitinha
Malhada também é
Passa Manga e Morrinho
Paga imposto em Jacaré
Januária, carreira inteira
Santa Rita bate o prego
Suja mole na barreira
São Francisco dá arrelia
São Romão dos feiticeiros
Extrema dos cabeludos
Pirapora dá poeira

Constituem os remeiros da navegação natural fluvial entre Pirapora e Juazeiro verdadeiros elos humanos que, permanentemente, ligam o tradicionalismo do sertão do Nordeste ao sertão de Minas Gerais.

O São Francisco é o rio da tradição sertaneja.

(Ribeiro, Joaquim. Os Brasileiros. Rio de Janeiro, Pallas; MEC, 1977, p.377-378)