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Joaquim Ribeiro
O remeiro traz, no peito, a marca de sua profissão, uma cicatriz fibrosa,
resultante do apoio do varejão, que, de regra, usa por ocasião das descidas do
rio.
Supersticiosos, não viajam de noite. Oferem fumo ao caboclo d'água, o nume
misterioso do rio.
"Depositam a sua confiança na figura da proa, imagem de monstri, toscamente
falquejada, ora uma cabeça de dragão, ora de leão ou cavalo, a qual avisa os
remeiros, por meio de três gemidos, que a barca vai afundar". (M. Cavalcanti
Proença, Ribeira de São Francisco).
Quando duas barcaças de encontram no rio, fazem saudação que, em geral,
acabam em palavrões, sem intenção ofensiva.
De noite, pousam na margem e fazem cantorias. Às vezes celebram com veia
satírica as povoações do rio.
Eis uma das versões mais populares dessas gestas:
Juazeiro dá lerdeza
Petrolina dá vaidade
Santana dá cascalho
Riacho dá carestia
Sento Sé dá nobreza
Remanso pra valentão
Pilão Arcado dá desgraça
Xique-Xique dos bundão
Icatu, cachaça ruim
Barra só dá ladrão
Morpará, casa de palha
Bom Jardim dá flor
Urubu da Santa Cruz
Triste do povo da Lapa
Se não fosse o BomJesus
Carinhanha é bonitinha
Malhada também é
Passa Manga e Morrinho
Paga imposto em Jacaré
Januária, carreira inteira
Santa Rita bate o prego
Suja mole na barreira
São Francisco dá arrelia
São Romão dos feiticeiros
Extrema dos cabeludos
Pirapora dá poeira
Constituem os remeiros da navegação natural fluvial entre Pirapora e Juazeiro
verdadeiros elos humanos que, permanentemente, ligam o tradicionalismo do sertão
do Nordeste ao sertão de Minas Gerais.
O São Francisco é o rio da tradição sertaneja.
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