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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

imaginário

ANO VI - EDIÇÃO 69
Agosto 2004

Imaginário
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Três histórias narradas por Dalmácia Ferreira Nunes

Caiporas, por Zé do Norte

Porque é triste o jaburu, por Hélio Serejo
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
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IMAGINÁRIO - Nesta seção, textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...


Três histórias narradas por Dalmácia Ferreira Nunes

Um pai tinha um filho que sempre queria deixar a casa. Quando chegou à maioridade, o pai deixou, e o filho foi correr mundo.

Passados anos, o filho volta, e o pai, então, lhe pergunta: "Meu filho, quais foram as novidades que você viu no mundo?"

E o filho respondeu: "Meu pai, chupistes e borrachistes..."
 

* * *

Uma vez chegaram para a preguiça e perguntaram se ela queria mingau.

— Preguiça, quer mingau?

— Quero! — foi logo dizendo a preguiça, com a boca cheia d'água.

— Então pega o prato.

— Quero mais não. — disse ela, toda desanimada. E ficou sem mingau só para não ter o trabalho de pegar o prato.
 

* * *

Um dia, a mãe da formiga mandioca disse pra filha: "Minha filha, vá até o mato, corte um feixe de lenha, veja um pote com água e traga pra casa. Eu hoje estou doente e não posso fazer isto". A filha respondeu: "Ah, mamãe, eu também não posso, pois tenho de cortar a noite inteira". "Destá, minha filha, há de permitir Nossa Senhora que você, de hoje em diante, corte sempre, dia e noite, sem parar..."

Nisto, ia passando por ali a cigarra, e a mãe da formiga lhe fez o mesmo pedido. A cigarra respondeu: "Ah, dona formiga, eu não posso; hoje vou cantar a noite inteira". Então a formiga lhe rogou a praga: "Há de permitir Nossa Senhora que você viva sempre a cantar, até rebentar pelas costas..."

Foi quando passou a abelha, e a velha formiga lhe pediu a mesma coisa. A abelha foi ao mato, cortou o feixe de lenha, trouxe até a casa da formiga, carregou água, ajudou a fazer fogo, a limpar e arrumar a casa e a mesa, e, quando ia s'embora, a mãe formiga lhe disse, agradecida: "Há de permitir Nossa Senhora que o mel que você faz seja sempre doce e abençoado, e sirva de remédio para curar doentes pobres".

Nossa Senhora ouviu os desejos da formiga e atendeu a todos eles.

Por isso é que a formiga mandioca não pára de cortar, dia e noite; a cigarra canta até rebentar pelas costas e o mel da abelha é o santo remédio dos pobres.

(Em Neves, Guilherme Santos. "Folclore de Caçaroca". Folclore. Vitória, nº 91, agosto de 1976)