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Um pai tinha um filho que sempre queria deixar a casa. Quando chegou à
maioridade, o pai deixou, e o filho foi correr mundo.
Passados anos, o filho volta, e o pai, então, lhe pergunta: "Meu filho, quais
foram as novidades que você viu no mundo?"
E o filho respondeu: "Meu pai, chupistes e borrachistes..."
* * *
Uma vez chegaram para a preguiça e perguntaram se ela queria mingau.
— Preguiça, quer mingau?
— Quero! — foi logo dizendo a preguiça, com a boca cheia d'água.
— Então pega o prato.
— Quero mais não. — disse ela, toda desanimada. E ficou sem mingau só para
não ter o trabalho de pegar o prato.
* * *
Um dia, a mãe da formiga mandioca disse pra filha: "Minha filha, vá até o
mato, corte um feixe de lenha, veja um pote com água e traga pra casa. Eu hoje
estou doente e não posso fazer isto". A filha respondeu: "Ah, mamãe, eu também
não posso, pois tenho de cortar a noite inteira". "Destá, minha filha, há
de permitir Nossa Senhora que você, de hoje em diante, corte sempre, dia e
noite, sem parar..."
Nisto, ia passando por ali a cigarra, e a mãe da formiga lhe fez o mesmo
pedido. A cigarra respondeu: "Ah, dona formiga, eu não posso; hoje vou cantar a
noite inteira". Então a formiga lhe rogou a praga: "Há de permitir Nossa Senhora
que você viva sempre a cantar, até rebentar pelas costas..."
Foi quando passou a abelha, e a velha formiga lhe pediu a mesma coisa. A
abelha foi ao mato, cortou o feixe de lenha, trouxe até a casa da formiga,
carregou água, ajudou a fazer fogo, a limpar e arrumar a casa e a mesa, e,
quando ia s'embora, a mãe formiga lhe disse, agradecida: "Há de permitir Nossa
Senhora que o mel que você faz seja sempre doce e abençoado, e sirva de remédio
para curar doentes pobres".
Nossa Senhora ouviu os desejos da formiga e atendeu a todos eles.
Por isso é que a formiga mandioca não pára de cortar, dia e noite; a cigarra
canta até rebentar pelas costas e o mel da abelha é o santo remédio dos pobres.
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