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Segundo organização proposta por Rossini Tavares de Lima
Cultura material
• Habitação
Aqui se investiga e analisa a moradia do homem: sua casa. Verifica-se o material
de que é feita: pau-apique, taipa, tábua e até tijolos, quando estes procedem de
oleiros artesãos. A seguir, observa-se a sua cobertura, lugar em que é,
preferencialmente construída, distribuição dos seus diversos compartimentos,
problemas da iluminação natural e artificial, à noite.
• Acessórios da habitação
Qual o material e como são confeccionados e colocados a mesa, os bancos ou
cadeiras de taboa trançada, as tripeças ou tamboretes, a esteira, rede de fio de
algodão ou de cipó, cama de vara e de tábua.
• Utensílios caseiros
Panelas de barro, pedra ou ferro; pratos de lata, cuias de cabaça ou coco,
colheres e conchas de pau, cestos de palha, cipó, taquara, capiá, moringas e
potes de barro, peneiras e abanos, pilões, gamelas, baús, canastras.
• Indumentária
Vestes de todo o dia, no trabalho ou em casa, além das domingueiras ou roupa de
domingo e festas, sem qualquer intervenção da moda, que sempre reflete ação
direta do pensamento erudito; indumentária para danças e folguedos populares;
roupa do tropeiro, do boiadeiro, do vaqueiro, do gaúcho.
• Armas de proteção individual
Cacetes ou porretes, cabos de relho, facão, peixeira, facas aparelhadas,
garruchas, espingarda pica-pau.
• Alimentação e bebidas
Pratos e bebidas alcoólicas ou não, de dias comuns e de festas domiciliares,
locais ou do calendário.
• Criação de animais, aves, pássaros
Currais, chiqueiros, galinheiros, gaiolas: localização e construção; produtos
obtidos e sua utilização; marcação de gado.
• Caça
Armadilhas: laço, arapuca, mundéu, alçapão; armas: bodoque, funda, estilingue,
espingarda pica-pau; outros pertences: guaiaca, patrona, polvarinho, pios etc.
• Pesca
Pesqueiro, rancho de caiçara, linha, puçá, urupema, barragem, curral e outras
diferentes técnicas.
• Agricultura
Planta de roça e pomar, além das aproveitadas do meio natural: técnicas de
cultivo, produtos e derivados.
• Indústria extrativa
Objetos, instrumentos e técnicas relativas ao trabalho nos garimpos, seringueira
e salinas.
• Artesanato
Cerâmica utilitária, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras
vegetais e animais (o sedenho), fabrico da farinha de mandioca, monjolo de pé ou
de água, engenhocas, instrumentos de música, tintas diversas.
• Arte popular
Pintura e desenho (primitivos), escultura (figuras de barro, madeira, guaraná,
cera, miolo de pão, massa de açúcar), renda, filé, crochê, papel recortado para
enfeite etc.
• Religião e crendices
Imagens, oratórios, altares, cruzes, santa-cruzes, cruzeiros, mastros, bandeiras
ou estandartes de santo, ex-votos ou promessas, salas de milagres, figas,
amuletos.
• Transporte
Montaria, tropa, carro-de-boi, carroças e carros, baleeiras, canoas: seus
pertences e partes.
• Brinquedos
Papagaios ou quadrados, bruxas ou bonecas de trapo e bucha, petecas, piões,
pernas-de-pau, cata-vento, quebra-potes e outros.
Cultura não material, imaterial ou espiritual
• Folclore do dia-a-dia
Aqui se estuda tudo o que ocorre na vida do homem, no que se refere à cultura
espontânea, desde o momento em que se levanta até o deitar-se, no café da manhã,
no trabalho, no almoço, passeios etc.
• Usos e costumes
Ritos de passagem: quais as práticas relacionadas ao nascimento, noivado,
casamento, morte, e também as formas de organização social de auxílio mútuo, tal
como o mutirão de colheita ou de preparo da roça para oplantio.
• Festas
Como se realizam as diferentes festas do calendário da região e as domiciliares:
seus aspectos e diferentes partes. A festa do Divino, de São João, de São
Benedito e Nossa Senhora do Rosário, como cultura espontânea, fora da influência
direta das igrejas.
• Música
As formas de canto monódico ou de uma melodia (pregões, dorme-nenês, modinhas),
fabordão ou canto em terças (modas-de-viola, cururu, folia do Divino),
responsorial, com solista e coro (congada, maracatu, moçambique). Forma
instrumental: o lundu baiano. Toque de instrumentos, caracterizadores de várias
modalidades coreográficas.
• Dança
A coreografia, isto é, os passos da desfeiteira amazônica, carimbó paraense,
coco nordestino, samba do partido alto baiano, cateretê paulista, siriri
matogrossense e de outras danças do folclore brasileiro.
• Folguedos populares
Estrutura e entrecho dramático do maracatu pernambucano; congadas de Minas
Gerais, São Paulo e Goiás; folia de Reis com palhaços do Espírito Santo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais e São Paulo; maneiro-pau cearense; diferentes folguedos do
boi, de que temos referência em quase todo o Brasil, em formas mais simples e
mais complexas.
• Jogos
Características e elementos de um jogo atlético: a capoeira que veio de Angola;
corridas de cavalo em raia reta, o futebol de meia linha, bolinha de gude ou
vidro, unha-na-mula ou sela, cabra-cega e outros.
• Grupos religiosos
Os que se organizam para angariar donativos para as festas: folia de Reis, folia
do Divino, Irmãos do Divino como os de Tietê e Piracicaba; Irmandade de São
Benedito, cuja finalidade é promover a festa do santo padroeiro: sua
organização; a recomenda das almas, grupos de rezadores que entoam orações às
almas, no período da Quaresma, de porta em porta.
• Linguagem
Termos e expressões, os ditados, os adágios, a linguagem dos gestos, os
apelidos, as adivinhas, fórmulas de escolha para brincar de pegador, fórmulas de
terminar histórias e de vender fiado.
• Literatura
Formas literárias que existem independentemente da música, sejam oralmente,
sejam escritas: quadrinhas, sextilhas, décimas, abecês, conto acumulativo ou
lenga-lenga, mitos ou assombrações, lendas, histórias ou causos, anedotas.
• Superstições e crendices
Culto de atos, cerimônias e acidentes ocasionais que se supõem ser causadores de
benefícios e malefícios.
• Medicina popular
As doenças, seus nomes, causas e maneira de preveni-las e curá-las, seja nos
homens ou nos animais. Os remédios e como prepará-los.
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