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Nos tempos das Cruzadas, as especiarias eram produtos de luxo que faziam as
delícias e a riqueza da nobreza. Quando o soberano de uma nação queria
homenagear um outro, mandava-lhe inúmeras especiarias. Os vassalos saíam em
cortejo levando em pequenas caixa de ébano as tão fabulosas e raras "sementes"
vindas do Oriente. Na Idade Média, a pimenta do reino tinha muito valor. Servia
como prêmio aos vencedores de duelos e como "moeda" para pagamentos de impostos
e honorários para os juízes.
Sem dúvida era um comércio lucrativo principalmente para os que se dispunham a
fazer a Rota das Especiarias de Marco Polo. Os merceeiros ocupavam nesta época
uma classe privilegiada dentro do mercado. O produto era tão consumido que
muitas vezes a procura era maior do que a oferta por isso mesmo, os preços eram
elevados e somente os que tinham alto poder aquisitivo é que se davam ao luxo de
comprá-las. Além de servir como presente e prêmio, as especiarias eram
consumidas pelos perfumistas e alquimistas. Em todas as famosas poções, "filtros
de amor" e remédios as especiarias tinham o seu lugar de destaque.
Especiarias na cozinha
Cada cozinha usa a especiaria que merece. Há uma enorme diferença entre a
cozinha dos países nórdicos e os do sul e, do Oriente e do Ocidente. Em regra
geral, a cozinha dos países meridionais é feita de comidas apimentadas e
quentes, ao contrário dos do Norte que reservas às especiarias um lugar menos
comum. No Oriente os chineses só fazem seus pratos com muita dose de pimenta,
gengibre e aromas doces, numa mistura típica e diferente.
Antes de comprar as especiarias lembre-se de que existem algumas regras a serem
observadas. Não abuse do seu uso pois elas podem estragar o sabor do alimento,
além de prejudicar o seu próprio gosto. A pimenta-do-reino pode ser misturada a
outras especiarias como por exemplo, o açafrão, o curry e o cravo-da-índia. As
que possuem aroma doce não devem ser misturadas — prejudicam sua individualidade
— e enfraquecem o sabor do alimento.
Savoir-faire e tradição são as chaves do sucesso no usos das especiarias.
Em algumas famílias brasileiras, a pimenta-do-reino e o gengibre fazem parte do
dia-a-dia. Em ourtras, o curry é o ponto forte. De qualquer forma, nos livros de
cozinha que passam geralmente de mãe para filha estão sempre presentes várias
especiarias. O seu uso, depende do gosto de cada um e do prato a ser preparado.
Num vatapá, por exemplo, a pimenta tem um lugar importantíssimo, mas na cocada,
o cravo da índia é uma constante. Nas receitas das vovós, a canela está sempre
presente quando se faz um arroz doce ou banana frita. O açafrão, facilmente
encontrado nas feiras, é comum para colorir o arroz. Um conselho importante é
guardar bem fechado os vidros — que devem ficar à mão — e rotulá-los. Não se
esqueça que, com um descuido da cozinheira, podem ser trocados os vidros de
cravo da índia moído pelo de pimenta-do-reino...
Pimenta-do-reino
Os grãos de pimenta são colhidos num cipó específico de regiões quentes. Sumatra,
Bornéu e África equatorial são lugares onde a pimenta é cultivada, e vendidas
aos outros países em grãos brancos e pretos. Se ela é retirada do cipó e depois
secada — como os grãos de café — sua tonalidade é escura. A cor branca é devida
a uma lavagem em água temperada e secada depois ao sol. Seu sabor é mais
adocicado e perfumado. No consumo diário a pimenta vem sempre moída mas há quem
a prefira somente em grãos, como por exemplo no Steak au poivre. Nos
legumes e verduras, em molhos de carne e peixe, a
pimenta-do-reino em pó é o ingrediente fundamental.
Em quantidade pequena, a pimenta é um estimulante digestivo, mas o excesso pode
irritar o organismo. Para os que sofrem de algum mal hepático, a
pimenta-do-reino é desaconselhada.
Pimenta malagueta
É um produto tipicamente brasileiro. Pode ser cultivada em seu jardim ou no vaso
do canto de uma varanda. Popularmente conhecida como "pimenta forte", tem cores
que variam entre o vermelho, o amarelo e verde. Esse tipo de especiaria é usado
principalmente no Norte onde as comidas são "quentes". Com a pimenta malagueta
você pode fazer uma variedade imensa de molhos. Em pickles, misturada com
pimentão verde e cebolinha, serve para saladas. Para feijão, a pimenta
malagueta é geralmente moída com o tomate e macerada em azeite. Nos molhos
picantes para churrasco a pimenta malagueta é picada em pedaços miúdos e
misturada aos outros ingredientes.
O cravo-da-índia
O cravo é uma especiaria saudável. Foi durante muito tempo empregado por
alquimistas na produção de remédios. Ainda hoje ele é empregado em chás e poções
calmantes e em massas para a cirurgia dentária. Suas propriedades são
antissépticas e ligeiramente anestesiantes. Em dose moderada, nos chás após as
refeições, o cravo-da-índia é excelente digestivo.
Na cozinha tanto brasileira como internacional costuma ser muito usado,
principalmente em carnes. Em pernil de porco ou presunto — tipo tender made
— é
o ingrediente fundamental. Seu paladar adocicado quebra o excesso de sal dos
pratos, deixando um sabor típico. O cravo-da-índia é cultivado na Ilha de
Zanzibar e desde as primeiras grandes navegações foi vendido a outros países
como produto de intenso consumo por suas características medicinais.
Noz-moscada
É uma amêndoa nascida de uma árvore semelhante à parreira. Passou a ser
conhecida no século XVIII e cultivada nas regiões quentes como Índia, Java e
Trinidad. No Brasil, a noz-moscada é muito conhecida sendo usada em bolos e
biscoitos. Seu aroma é adocicado e é excelente para acompanhar carnes em molhos
escuros — tipo madeira — ou o popular molho branco. Nos souflês e pratos
gratinados a noz-moscada é ingrediente quase indispensável. Contém
propriedades digestivas e, como chá, é tônico tranqüilizante. Dizem por aí que o
chá de noz-moscada é excelente para o sangue. Mas isso ainda não foi provado...
Por via das dúvidas não custa nada tentar.
Açafrão
É uma especiaria rara e seu pó — vermelho alaranjado — é retirado de uma flor
cultivada principalmente nos países de clima quente. No Oriente, é comum o
emprego do açafrão no arroz e nos molhos para peixe e carne. Na França costuma
ser empregado numa comida típica — a bouillabaisse — colorindo o caldo da sopa.
No Brasil, o açafrão pode ser encontrado em qualquer supermercado ou nas
feiras-livres. Vendidos em pacotinhos, serve não só como corante, mas também
como estimulante digestivo. É comum ser usado em xarope calmantes para as dores
de dente e antiespasmódico para tosse.
O gengibre
Trata-se de uma raiz típica de lugares quentes. Dependendo da cor de sua casca
—
branca ou cinza — ele é mais ou menos aromatizado. Foi conhecido a princípio
pelos anglo-saxões da Idade Média e tornou-se popular na preparação de bolos,
pudins e bebidas — como por exemplo em batidas de limão. Ginger-ale é
feito basicamente com gengibre e nos restaurantes chineses, encontra-se gengibre
confeitado.
Atribuiu-se ao gengibre qualidades digestivas e tônicas, servindo como
tranqüilizante em forma de xarope para gargarejos, pois ameniza a dor de
garganta.
Orégano
Muito parecida com a pimenta-do-reino podendo mesmo, às vezes, ser confundido
com ela. Sua casca é grossa e pode ser encontrada em grãos ou pó. É excelente
sobre pizzas ou molhos fortes que acompanham a carne.
Canela
É a casca de um arbusto do Ceilão descoberto em 1505 pelos portugueses. Na Idade
Média foi muito disputada, juntamente com o gengibre. Hoje em dia, a canela é
vendida em forma de bastões e em pó. Seu uso foi difundido por gerações sendo
comum nos doces, tortas ou mesmo em pães doces. A canela possui propriedades
tonificantes e excitantes, além de entrar na composição de xarope ativante da
circulação.
Baunilha
É classificada por muitas pessoas como "especiaria nobre", provinda de uma
qualidade específica de orquídea, sendo necessária uma fecundação artificial.
Nos cremes e doces em geral a baunilha está sempre presente, podendo ser usada
em favo ou líquida. Nos doces de ovos — chuvisco, ovos moles d'Aveiros e fios-de-ovos
— a baunilha é ingrediente imprescindível.
Pode ser usada na preparação de mingaus e mamadeiras para as crianças pois é
absolutamernte inofensiva. É antisséptica e estimulante e, antigamente, servia
como tratamento contra bronquites.
Curry
O curry é uma especiaria forte. Seu uso não é muito difundido no Brasil sendo
empregado principalmente em comidas orientais. Na Tailandia, Índia e Egito o
curry é comum em qualquer prato, seu paladar é picante sendo um ingrediente
fundamental em pratos de carne — como por exemplo ragus. O molho de curry, é
geralmente servido com carne de vitela e arroz com lingüiça. No entanto, quando
você fizer pratos com curry para suas visitas, avise-as, pois muitas pessoas não
suportam nem o aroma.
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