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Soldado, não!
Veríssimo de Melo
Um jogo de salão interessante, principalmente para desenvolver o raciocíno
rápido da criança, é este que nos foi comunicado em Natal.
Reúnem-se, por exemplo, cinco meninas. Uma é o soldado; outra, o cabo; outra,
o sargento; ainda outra, o tenente; e a última, o capitão.
Então, diz o capitão:
— Passando a vista em minhas tropas, senti falta do sargento (por exemplo).
— Do sargento, não! Do tenente! (ou do soldado, cabo, o que quiser)
O tenente, imediatamente, tem de responder, por sua vez:
— Do tenente, não! Do soldado!
E o soldado, por sua vez, diz, "do capitão", por exemplo.
E assim por diante. Todos têm de responder imediatamente, sem descansar. Se
demorar a responder, — o tenente, por exemplo — este passa a ser soldado e o
antigo soldado passa a ser cabo, sendo os demais promovidos até o posto do
tenente rebaixado.
O jogo se complica à medida em que os militares vão sendo promovidos ou
rebaixados. E, se são muitas crianças, então tudo é mais complicado e termina
com grande algazarra.
(Melo, Veríssimo de. Folclore infantil;
acalantos, parlendas, adivinhas, jogos populares, cantigas de roda. Belo
Horizonte, Editora Itatiaia, sd. Biblioteca de Estudos Brasileiros, 20, p.158)
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