(recolhida em Carvoeira, Saco dos Limões, Florianópolis)
Tava São Luca e São Mateu cortando mato em campo seu.
Cortô-se Luca, arrespondeu Mateu:
— Sangue teinte em ti, assim como Jesus Cristo teve em si.
Sangue teinte na veia, assim como Jesus Cristo teve na sua sagrada Ceia.
Sangue vai ao teu lugá, assim como Jesus Cristo teve em si depois de morto. Amém.
Benzedura de velida
(recolhida em Carvoeira, Saco dos Limões, Florianópolis)
— Que estás fazendo aí, Santa Luzia?
— Estou apanhando erva verde na água fria.
Esta velida de teu zóio eu ti benzo, em nome de Deus e Jesus Cristo e da Virgem Maria. Amém.
Observações: Para benzer "de sangue", usam uma faca de ponta bem aguda e rezam a oração nove vezes.
Para benzer "velidas", usam um prato com água e nela molham galhinhos de arruda, alecrim etc. e rezam a oração nove vezes.
Benzedura de "carne quebrada"
(recolhida em Pântano do Sul, Florianópolis)
Para fazer esta benzedura, o benzedor toma um novelo de linha e uma agulha, ambos "virgens", isto é, ainda não usadas.
Em seguida, faz o sinal da cruz e pergunta ao acidentado: — O que coso?
O acidentado responde: — Carne quebrada e nervo torto.
Repetem a oração nove vezes, passando a agulha com um pedaço de linha enfiada, sem nós nas pontas, por dentro do novelo.
Começam assim: — O que coso? Resposta: — Carne quebrada, nervo torto.
— Isto mesmo eu coso. Se é carne que se quebrou, se é nervo que se torceu, se é osso que se rendeu, se torne o que nasceu.
Se é carne quebrada e veia cavargada, eu coso; se não é, eu te descoso, com o nome de Deus e da Virgem Maria e de São Vurtuoso — Amém.
Florianópolis, 18/09/1957