Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Agosto 2009 - Ano XI - nº 127


Sumário

Festança
Cabocleiro ou brinquedo de caboclo
José Renato Costa Pacheco

Cancioneiro
A doença do rico é a saúde do pobre
Jota Rodrigues

Imaginário
A lenda do frade e freira
Maria Stella de Novaes

Colher de Pau
A maior quituteira da Bahia
Deise Sabbag

Oficina
Outros pregões
C. D. A.

Palhoça
O gato
Laura Della Monica

Panacéia
Benzeduras catarinenses
Franklin J. Cascaes

 

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Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

Benzeduras catarinenses

Franklin J. Cascaes

Benzedura de sangue

(recolhida em Carvoeira, Saco dos Limões, Florianópolis)

Tava São Luca e São Mateu cortando mato em campo seu.

Cortô-se Luca, arrespondeu Mateu:

— Sangue teinte em ti, assim como Jesus Cristo teve em si.

Sangue teinte na veia, assim como Jesus Cristo teve na sua sagrada Ceia.

Sangue vai ao teu lugá, assim como Jesus Cristo teve em si depois de morto. Amém.

Benzedura de velida

(recolhida em Carvoeira, Saco dos Limões, Florianópolis)

— Que estás fazendo aí, Santa Luzia?

— Estou apanhando erva verde na água fria.

Esta velida de teu zóio eu ti benzo, em nome de Deus e Jesus Cristo e da Virgem Maria. Amém.

 

Observações: Para benzer "de sangue", usam uma faca de ponta bem aguda e rezam a oração nove vezes.

Para benzer "velidas", usam um prato com água e nela molham galhinhos de arruda, alecrim etc. e rezam a oração nove vezes.

Benzedura de "carne quebrada"

(recolhida em Pântano do Sul, Florianópolis)

Para fazer esta benzedura, o benzedor toma um novelo de linha e uma agulha, ambos "virgens", isto é, ainda não usadas.

Em seguida, faz o sinal da cruz e pergunta ao acidentado: — O que coso?

O acidentado responde: — Carne quebrada e nervo torto.

Repetem a oração nove vezes, passando a agulha com um pedaço de linha enfiada, sem nós nas pontas, por dentro do novelo.

Começam assim: — O que coso? Resposta: — Carne quebrada, nervo torto.

— Isto mesmo eu coso. Se é carne que se quebrou, se é nervo que se torceu, se é osso que se rendeu, se torne o que nasceu.

Se é carne quebrada e veia cavargada, eu coso; se não é, eu te descoso, com o nome de Deus e da Virgem Maria e de São Vurtuoso — Amém.

Florianópolis, 18/09/1957

(Cascaes, Franklin J. "Benzeduras catarinenses". A Gazeta, Florianópolis, 10 de outubro de 1957)

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