Tipo encontrado na região Norte, nas zonas piscinas – na maioria dos casos é o índio sempre civilizado, tapuía ou mameluco.
Exerce suas atividades durante o período da vazante, meados de agosto e ao início das enchentes, meados de novembro. Seu objetivo é a pesca do peixe vulgarmente conhecido como pirarucu – alimentação básica do caboclo amazônico que corresponde ao bacalhau das populações pobres do norte, da Europa e da América Setentrional.
O pescador de pirarucu é um homem ingênuo, desprendido, tenaz e simples. Sua casa é erguida nos pontos mais elevados das terras baixas e úmidas. É feita com meia dúzia de paus toscos fincados como esteios, enquanto vigas e caibros compõem a armação. Geralmente coberta de plantas regionais. Esta lhe serve de abrigo, cozinha, refeitório, dormitório, loja e depósito de peixe.
Para seu trabalho usa uma canoa leve que entra até nos igarapés e leva equipamento: duas linhas, dois bicos, duas bolas, cacete para matar o peixe, pequena faca, cestinho de talas com tampa móvel e alguns objetos de uso pessoal.
No tempo da salga, negociantes e especuladores procuram centros de pesca, uns para pescar, outros para comprar o pescado.
O pescador de pirarucu, devido ao seu contato com a vida em plena natureza, possui grande prole de "curumins" que correm travessos, atirando pedras aos urubus e jacarés que ameaçam devorar a pesca do pai.
A vida desse pescador é estreitamente associada ao regime das águas amazônicas a que, por sua vez, se subordina o êxito das pescarias.
(Extraído do trabalho de estágio de Laís Tostes Belo da Silva e Asená Barros Ramos, alunas da terceira série de jornalismo da FAFILE/UFJF, cadeira de Cultura Brasileira)
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