Contaram-me esta história de assombração, que mais me parece uma crítica do povo às modas exageradas de hoje em dia:
"Uma noite, um caminhão viajava numa estrada escura do sertão. Em certo ponto, aparece uma mulher sozinha, com uma malota, fazendo sinal para que o chofer parasse o veículo. O chofer parou e ela pediu passagem até perto de uma fazenda.
– Pegue a malota dessa senhora e bote lá em cima, disse o chofer para o ajudante. E a ordem foi cumprida. Mas, quando o ajudante pegou na maleta, com uma mão só, foi mesmo que nada. A malotinha nem se abalava. Ele pegou com as duas mãos e nada, nada.
Outro homem desceu do caminhão e disse:
– Será que você não pode com esta malota?
E foi pegando. E que dê força para levantar a maleta? Botou também as duas mãos e nada, nada. O chofer impaciente, censurando a falta de força dos homens, saltou do carro e pegou na maleta. Quem foi que disse que a maleta saiu do canto? Pesava mais do que trezentas toneladas de chumbo.
Então, a mulher, vendo que ninguém podia com a maleta, saltou e falou:
– Então deixe que eu boto. (E com uma só mão pegou a maleta, como quem pega uma pena, e colocou no caminhão).
Continuaram a viagem. Os homens estavam impressionados com o peso da maletinha. Afinal, chegou no ponto combinado e a mulher pediu pra saltar. O carro parou. A mulher pegou a maleta e desceu, calmamente. E o chofer, não resistindo a curiosidade perguntou:
– Mas me diga uma coisa, dona: O que é que a senhora leva dentro dessa maleta?
A mulher respondeu:
– Perna raspada, sobrancelha arrancada, unhas pintadas, braços nus e vestidos decotados.
E dizendo isto desapareceu num segundo.
Era uma alma do outro mundo. Os homens ficaram assombrados, de boca aberta. O chofer ligou de primeira força e abriu no mundo. Adiante, veio a saber, numa fazenda, que não era a primeira vez que a mulher da maleta aparecia por aquelas estradas.
E desde este dia o chofer nunca mais parou o caminhão, pra ninguém, por aqueles lados."