Rendas da ilha de Santa Catarina, é uma reunião dos vários tipos de rendas a que a classe das laboriosas rendeiras vem desde longos anos, se dedicando; é uma prática de indústria caseira e, carinhosamente transmitem seus ensinamentos de geração. É um agrupamento de pessoas, de posses econômicas limitadas, e que se dedicam a uma especialidade de artesanato nacional, infelizmente desprotegido, sem amparo oficial e fadado por isto mesmo, ao desaparecimento ou absorção pela indústria mecânica que acompanha a evolução natural do progresso.
As rendeiras da ilha de Santa Catarina, na sua maioria descende de portugueses da ilha dos Açores: tradicionalmente herdaram dos seus antepassados a arte de executar rendas que, ainda na época atual transmitem às gerações que surgem.
Na freqüência dos tipos de rendas focalizadas no presente trabalho, apresentamos espécies cuja perfeição pode ser comparada às mais perfeitas rendas confeccionadas pelas mais renomadas mestras na arte de tecer rendas. Infelizmente, é um dos ramos do artesanato no Brasil que traz pouco rendimento às pessoas que a ele se dedicam.
As rendas têm sido usadas, em todas as suas modalidades, desde os séculos passados até aos dias atuais. Reis, rainhas, nobres, ricos e pobres, e em todas as camadas sociais, usaram e ainda usam rendas. Na ilha de Santa Catarina, onde se situa Florianópolis, capital do estado, nos seus recantos e em toda a sua zona litorânea, se trabalha a renda de almofada, como um dos seus principais ramos de artesanato e que tem significativa importância na economia doméstica e mesmo social da população florianopolitana.
Famílias inteiras vivem quase que exclusivamente do provento de quanto produzem no seu labor diário, tratando a feitura dos mais variados tipos de renda de almofada e seus derivados: os crivos etc.
Na transmissão das lições do aprendizado as mães iniciam bem cedo as filhas e é comum ver crianças, já com quatro anos de idade, à frente das almofadas manejarem, com rara facilidade, os bilros, num trabalho impressionante. E assim, as crianças já nos primeiros passos, se iniciam neste mister que se vem transmitindo de mães a filhas, desde o tempo imperial.
A cultuação deste ramo do artesanato, foi trazido para a ilha de Santa Catarina e orla marinha pelos portugueses e seus familiares, oriundo das ilhas dos Açores, que se dedicavam a prática da pesca, sendo portanto na sua totalidade pescadores, os homens e as mulheres, trabalhavam com rendas.
E, assim, constituindo tradição, entre as famílias dos portugueses e cultivo desta indústria caseira ligada, por sua parte, à confecção das redes de pescar. Herdamos, pois, dos nossos antepassados, esta cultura popular que ainda hoje vai sendo transmitida aos nossos filhos. Infelizmente, no Brasil, a proteção ao artesanato é assunto fora de cogitação, estando desta maneira fadado ao desaparecimento. Urge, pois, a elaboração de um plano que venha ao encontro das necessidades de proteção a um grande número de famílias de parcos recursos que se dedicam a esta modalidade de indústria.
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