Eis como Apolinário Porto Alegre, que assistiu à realização deste habitualismo na ilha de Santa Catarina, na localidade de Saco dos Limões, o descreve:
"Imaginem um comprido varejão forte e grosso, mas flexível, tendo seis ou sete metros de lonjura e talvez enterrado quase um metro pela extremidade mais cheia e robusta, para ficar firme no solo. Da outra extremidade pende um laço bem atado que vem prender-se às guampas dum boi escolhido, como capaz de luta. No meio do varejão há uma figura de homem em tamanho natural, feita de panos e trapos. Quando o cornígero preso estica o laço, tentando desprender-se, a vara curva-se e o boneco como que fica suspenso e ameaçador sobre sua cabeça. O boi, que o vê, arremete contra ele, e a vara volta à posição vertical, levando consigo o boneco. Aquele recua de novo, este torna ainda à segunda posição. E repetem-se assim as mesmas cenas, enfurecendo por fim a alimária, a ponto de às vezes rebentar as prisões, atirar-se em todas as direções, investindo contra o povo que cai até dentro d'água".
No município de Araquari, ao se prender o boi à vara, armam-se vários laços, a fim de se evitar a sua evasão. Em São José, à cauda do animal se amarrava uma lata, e formava-se um semicírculo de batedores de latas para irritar o boi.
Os dois bois-na-vara que presenciamos não tinham o boneco-espantalho e a alimária era irritada com um pau.
O folguedo se realiza até o completo esgotamento do animal, quando, então, matam-no e repartem a sua carne entre os participantes da brincadeira.
As outras brincadeiras de boi, como boi-no-campo, boi-no-mato, boi-no-arame etc., têm a mesma finalidade.
Pelo que expomos, chegamos às seguintes conclusões:
1. Este habitualismo é de procedência açoriana, pois só se efetiva em lugares que sofreram direta ou indireta,ente a colonização insulana.
2. A sua realização se dá, unicamente, em lugares onde o açoriano e seus descendentes se tornaram agricultores (caso da orla litorânea catarinense), pois, onde se tornaram pastores (no Rio Grande do Sul, para exemplificar), as "brincadeiras de boi" não são conhecidas.