Qual é coisa, qual é ela,
Que é redonda como o sol,
Tem mais raios do que uma trovoada
E anda sempre aos pares?
(Roda de bicicleta)
Pelo nome não acertas
Se me queres conhecer,
Mas vai perguntá-lo ao mar,
Que ele te pode dizer
Pois eu vôo sem ter pernas,
E corro sem pernas ter.
Quem eu sou?
(O rio)
O que é, o que é,
Que tem muitos dentes
E nunca come?
(Pente)
O que é que,
Sendo inteiro, tem sempre o nome de metade?
(Meia)
Tem orelhas de gato
E não é gato
Tem focinho de gato
E não é gato
Tem rabo de gato
E não é gato
O que é?
(Gata)
Qual é a coisa, qual é ela,
Que tem tripas de arame
E barriga de vidro?
(Lâmpada)
Presos num pé de verdura
Parecem sempre cansados
Pois sem grande compostura
É no chão que estão deitados.
Madurinhos, perfumados
Sobre folhas num cestinho,
Há quem os tenha comprado
Mesmo à beira do caminho.
(Morango)
Sou muda por natureza,
Mas tal dom tenho comigo,
Que calada tudo digo
Dou gosto e dou tristeza;
Porém, sou tão desgraçada
Que feneço espedaçada
E em vivo fogo expiro.
(Carta)
Tenho um nome que diz
Quando há de repelente,
Sendo certo, todavia,
Que me quer bem toda a gente.
Com mil cuidados me trata
Quem me pode ter a mim,
Sentindo-me bem feliz,
Até que me vêm dar fim.
Morto eu vão sepultar-me
Em sítio estreito e afastado,
Donde vou desaparecendo
Em pedaços retalhado
(Porco)
Sou gigante e gigantão,
Maior e muito mais alto
Que os outros que estão no chão.
Chamam os outros por mim
De longe com aflição,
E, em vez de dizer que sim,
Aceno a dizer que não.
(Moinho de vento)