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Nesta seção, textos sobre cantigas de roda; acalantos; brincadeiras; brinquedos feitos em casa; adivinhas; trava-línguas; parlendas; lengalengas; fórmulas de escolha, mnemônicas...

Pipas

Brinquedo masculino também chamado papagaio, pandorga ou cafifa, de procedência oriental, feito na maioria das vezes de papel, com armação de bambu. Geralmente contruídas pelas próprias crianças, que usam em sua feitura papel de seda, de pão, jornal ou plástico fino, as pipas são levadas pelo vento, controladas e direcionadas a mão por fio de linha.

Sua armação é confeccionada com duas ou três varetas de bambu, haste de folha de palmeira ou coqueiro, que são afinadas com canivete ou faca e presas com linha resistente, a mesma utilizada para empinar as pipas. Para as maiores, é usada linha mais grossa e forte; para as menores, linha fina. Para prender as varetas, vai-se enrolando a linha, sem ser partida, de dentro para fora, partindo do centro e percorrendo as extremidades das mesmas, até retornar ao ponto inicial. Com isso obtém-se a fixação e a envergadura das varetas. Dependendo da posição, estas tomam nomes próprios: vareta do meio, vertical; vareta de cima, horizontal e vareta de baixo,que forma um arco e cruza com a vareta do meio. No cruzamento superior das varetas e na parte inferior da vareta vertical à qual se une a grande linha que empinará a pipa é amarrada uma linha — o cabresto — que deve ser suficientemente extensa para que, pela mão do empinador, a pipa atinja a altura desejada. A linha poderá ser preparada com cerol no caso de participar de um combate ou cruza.

O papel é preso na armação com cola industrializada ou feita em casa. A cola artesanal, chamada grude, é feita com água e farinha de trigo ou mandioca. Usa-se também macarrão cozido com arroz para colar o papel. Depois do papel colado à armação, prende-se a rabiola e o cabresto.

A rabiola, também denominada rabo, é uma linha à qual se amarram laçadas de papel, pano ou plástico — os pesos — que vão dar equilíbrio à pipa. O comprimento e o número de fitas são proporcionais ao tamanho da pipa. Alguns meninos costumam utilizar a metade de uma gilete presa à rabiola para facilitar o corte da linha da pipa adversária quando há um combate. Há vários tipos de pipa de acordo com a disposição da armação, o corte ou desenho e cores do papel: pipa X, orelha, caixote, estrela, morcego, raia ou arraia, caveira, águia, pavão, violão, pião, faixa, toca-da-raposa. Algumas não levam rabiola, como as pipas arraia e pavão. Jareco ou jerequinho é a pipa bem pequena, sem armação, feita com papel de caderno ou jornal.

Para soltar pipa os locais abertos ou os grandes espaços são os melhores. As pipas são empinadas a favor do vento, em uma hora do dia em que o sol não caia direto na vista e o seu vôo corre por conta do piloto que fica em terra, dando mais ou menos linha, embicando, provocando piruetas. Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro são os preferidos por causa do vento. Ao diminuir sua intensidade, os meninos lançam o canto para o vento vir:

Vem vento
Caxinguelê
Cachorro do mato
Quer te morder

 

(Folclore fluminense. Rio de Janeiro, Departamento de Cultura / INEPAC / Divisão de Folclore, 1982)
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