Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...

Memória do índio

Nonnato Masson

No dia 30 de abril de 1500, dois índios brasileiros começavam a trabalhar para os portugueses, levando-lhes água a bordo. Neste momento estava tendo início um longo processo de exploração que atravessou séculos para culminar nos dias assim chamado Serviço de Proteção aos Índios. A esta história de dominação brutal não faltaram as práticas genocidas cumpridas muitas vezes em nome de princípios nobres e belos. Para quem se espante com as notícias de que os índios são hoje maltratados, cabe, pois, o esclarecimento: o SPI teve a quem sair.

Nome

Tamuias, tapuias — era como se diziam, significando serem os nativos, naturais da terra. Devido ao equívoco de Cristóvão Colombo que, ao tocar na ilha de Guanahauí, supôs ter chegado à Índia, os primitivos habitantes da terra que descobrira, e que viria a se chamar América — como todos sabem — foram tidos como indianos, índicos, hindus, índios. Não eram, mas ficaram como sendo. Dentre a sinonímia gentílica da Índia, índio foi o termo que pegou, por ter sido o que Colombo registrou então no seu diário.

Vertidas para o português, as palavras tamuia, tapuia, resultaram em tamoio. Jamais houve, porém, qualquer nação ou tribo indígena chamada tamoio e o episódio que a história registra como Confederação dos Tamoios (cantado em poesia por Gonçalves de Magalhães) foi, na verdade, um movimento do qual participaram tribos tupinambás, temiminós, tupiniquins, goitacases, aimorés. Tamoio era, unicamente, gentílico. O primeiro dado às gentes do Brasil.

Língua

Quem primeiro entendeu a língua que os índios falavam, abanheenga ou tupi — conhecida hoje como nheengatu, foi o padre João de Aspilcueta Navarro, que veio com o padre Manuel de Nóbrega.

Tupi, que significa vizinho, foi, por extensão e pelo próprio Aspilcueta, designado como o nome da língua que era falada pelas gentes que habitavam na costa, desde o Rio de Janeiro até o Maranhão.

Nenhuma língua primitiva do mundo, nem mesmo o sânscrito ocupou tão grande extensão geográfica como o tupi e seus dialetos. Um dos dialetos do tupi é o guarani, falado por tribos do sertão. Jamais existiu, portanto, uma língua agrupada que se denominasse de tupi-guarani. Até o segundo quartel do século XVIII o tupi foi a língua vulgar falada no Brasil, não só pelos naturais, mas também pelos portugueses e até pelos negros escravos. Só daquela época em diante é que o português se firmaria como o idioma nacional do país.

Somente no século XIX, após estudos de A. D'Orbigny, Martius e Von den Steinen, ficou esclarecido que os índios do Brasil, além do tupi, se distinguiam, pelo linguajar, em mais quatro troncos, que foram denominados de aruaque, caribe, jê e pano.

O tupi não tinha alfabeto, foi sempre uma língua oral, já que os silvícolas brasileiros jamais usaram qualquer forma de comunicação gráfica, visual: as inscrições rupestres que existem gravadas no Brasil são atribuídas a navegadores vikings, fenícios, e até mesmo atlantes, que teriam estado no continente na pré-história americana.

Era o tupi, uma língua nasalizada. Fonologicamente, possuía sons semelhantes às letras a, c-cedilhado, d, i, o, p, r, s, t, u, x (do português); h, w (do inglês); e, b, j (do castelhano); g (doalemão); k (do russo); y ao contrário do u francês, dispondo os lábios para pronunciar i, mas tentando pronunciar u, formando a garganta com ig. O m e o n nasalizavam todas as vogais que as seguissem. Eram vogais: a, e, i, o, u, y.

População

Quantos eram os índios do Brasil?

Os índios do Brasil, eram 100 milhões, em 1500, segundo o historiador Abreu e Lima, mas, segundo Varnhagen, o Brasil no ano da Descoberta, tinha apenas um milhão deles. Já para Antônio Baena, Jean de Léry e Ivres d'Êvreux, eles eram 10 milhões aquela época.

Orellana, Carvajal e Acuña deixaram testemunho de que, de 1542 a 1639, os índios das margens da bacia do Amazonas eram tantos que "o som do machado de pedra de uma aldeia era ouvido na outra, e as aldeias se prolongavam duas e três e mais léguas de margens adentro do território amazônico". O abade Durant relata que os índios do vale do Amazonas, de tão numerosos, pareciam "enxames de mosquito". Bertoni calculou que da boca do Amazonas a Gurupá viviam 10 milhões de índios. Francisco Xavier Ribeiro de Sampaio, intendente-geral da capitania de São José do Rio Negro (hoje estado do Amazonas), constatou de 1774 a 1775, nos subvales amazônicos, 103 nações de índios e 23 tribos.

O padre Simão de Vasconcelos, cronista da Companhia de Jesus, diz que a "nação dos tapuias era tão excessiva que alguns a tiveram por maior que a de toda Europa junta". O padre Antônio Vieira dá testemunho de que no começo do século XVII "foram encontradas de São Luís a Gurupá mais de 500 povoações de índios, todas mui numerosas e algumas delas tanto que deitavam 4 a 5 mil arcos". La Ravardiere e Jerômino de Albuquerque, encontraram, no Maranhão, 12 mil índios — pelo que deixaram dito — comandados pelo centenário Japiaçu, que, na mocidade, os arrastou no êxodo de mais de mil léguas, para fugir à morte e à escravidão, no Sul, ao tempo do governo de Antônio de Salema.

Quantos são os índios do Brasil?

Os derradeiros índios do Brasil eram 1.250.000, que formavam 218 tribos, segundo revelou o primeiro levantamento antropológico-cultural do país, feito em 1900 pelo etnólogo Luís Bueno Horta; passaram a ser 1.100.000 em 1922; segundo o Handbook of South American indians, que informa ainda terem eles diminuído para 500 mil em 1940 e que em 1953 já eram apenas 150 mil.

Estimativas do IBGE revelam que existiam, no Brasil 60 mil índios em 1940, que passaram se 45 mil em 1950 e 40 mil em 1960, informando ainda que o maior número deles se encontrava no norte, vindo a seguir o centro-oeste, tendo o nordeste um pouco mais de índios do que o sul, e que o menor número se concentrava no leste. O SPI em 1960, revelava existirem no país 50 mil índios recenseados em pouco mais de 100 tribos.

O etnólogo Darci Ribeiro, no entanto estimou, em 1950, ser de 99.700 pessoas a população indígena das 133 tribos então conhecidas.

Jamais o Brasil soube, ao certo, quantos índios tinha, como não sabe, hoje, quantos tem: só a floresta sabe, realmente, a quantos deles dá abrigo. Haja vista que, somente entre 1960 e 1966, quatro tribos foram descobertas, em estado primitivo: uma do tronco dos xetás, na região de Dourados, Paraná; outra dos tiriós, na fronteira do Amazonas com a Colômbia, e as dos troncos dos kranhakouros, ao sul do Pará, e krem-aokarone, em Rondônia.

Exploração

Foi o capitão Nicolau Coelho, da expedição de Cabral, quem teve o primeiro contato com índios brasileiros — pelo menos registrado oficialmente.

A 23 de abril de 1500, Nicolau Coelho foi enviado à terra para explorar um rio e encontrou dois índios no caminho: a um deu o seu barrete vermelho e ao outro, sua carapuça de linho; em troca ganhou um cocar de penas e um colar de sementes.

No outro dia, Nicolau Coelho voltou a terra e ao retornar para bordo levou consigo os dois índios da véspera. Eles assistiram então, a bordo, à primeira missa rezada no Brasil.

Começaram, os dois índios, a trabalhar, no dia 30, indo à terra buscar água e lenha para os portugueses. E desde então nunca mais deixariam de ser explorados os índios do Brasil.

O papa Paulo III, em 1537, assinou uma bula, endereçada "a todos que estas terras virem, que os índios que alguns dizem serem incapazes de receber a fé católica, sejam livres e não obrigados a ela, a não ser pela pregação e bom exemplo".

A bula não serviu de nada. E frei Bartolomeu de las Casas, em 1598, dava notícia no livro Narratio Reionum Indicarum per Hispanes quosdam devastarum verissima, dos crimes praticados contra os índios, denunciando o massacre de tribos inteiras. Foi a primeira informação sobre o fato.

O bandeirante Raposo Tavares, a seguir, dava notícia do extermínio de um dos muitos aldeamentos indígenas que ele acabou, "com o título que Deus lhe dava no livro de Moisés para debelas as gentes", segundo depoimento de Washington Luís em pesquisa feita nas Atas da Câmara de São Paulo. Tribos inteiras de índios tupinambás foram exterminadas, no norte, por ordem de Bento Maciel Parente.

No sul, entre 1570 e 1572, o extermínio dos índios ocorreu por ordem do então governador-geral Antonio de Salema. Comandados pelo cacique Japiaçu, os que restaram, fugiram para o norte e se espraiaram nas costas de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará, ergueram suas malocas em toda a bacia do Amazonas até a fralda da Cordilheira dos Andes, no Peru.

O padre Antônio Vieira deixou escrito que até 1652 "os colonos mataram por esta Costa mais de dois milhões de índios" (a Costa é a que vai de São Luís a Gurupá).

Sobre os índios sucediam-se as cartas régias, ora autorizando, ora proibindo a escravidão deles. Até que o marquês de Pombal, em 1755, proibiu-a, definitivamente ao dar preferência a escravidão negra. Apesar disso, a situação não se alterou para os índios: dois anos depois, o governador Mendonça Furtado escrevia a El-Rei comunicando que "os índios têm sofrido quanto se pode imaginar da ambição dos brancos sem que em tempo algum lhes possa valer o poderoso escudo de tantas e tão santas e pias leis, e ordens de vossa majestade".

O primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, ao que a história registra, matou muitos índios, fazendo deles, à falta de munição, balas humanas dos seus canhões portugueses.

Caciques

Grande, imensa, positiva, foi a contribuição do índio na formação da nacionalidade. Ficaram gravados na história, a golpes de tacape e a ponta de flecha, os lances de heroísmo dos tapuias e a voz tronituante dos seus caciques ainda ecoa, com os ruídos dos borés, das inúbias, no âmago da raça brasileira, pela liberdade. Contam-se às centenas esses gloriosos caciques e entre eles se avultam Tibiriçá, Araribóia, Serigipe, Arcoverde, Taparica, Sapuguaçu, Jurupari, Mandu, Fabira, Cunhambebe, Marim, Japeri, Jacaúna, Pará-açu, Piquerobi, Tabira, Itagibe, Babari, Iepito-Vasu, Caiubi, Viniambebe, Cucuí, Jaguarari, Jaguaré, Sepê, Tiaraiu, Cairuçu, Camorim, Aimberê, Inimá, Quebira, Guaixara, Coaquira, Araquém, Oquijuba, Pidobuçu, Oiti, Cusinamui.

Piragibe, mesmo depois de atingido por um tiro de trabuco, que lhe arrancou um olho, numa escaramuça contra os invasores holandeses, continuou lutanto até cair morto, mas não vencido, já estando o inimigo desbaratado em retirada. Poti era Antônio Felipe Camarão (poti significa camarão), companheiro do preto Henrique Dias na primeira batalha dos Guararapes. Ajuricaba, cacique dos manau, depois de comandar um combate de mil arcos contra os portugueses, para não ser submetido à escravidão, atirou-se nas águas do rio Negro, suicidando-se. Sapé Tiaraiu, morubixaba dos guaranis, a golpes de tacape e de bravura, montado em seu fogoso pingo, bateu sozinho, numa luta terrível, nas barrancas do rio Pardo, um troço de espanhóis invasores do Rio Grande do Sul. Foi Sepê a semente gaúcha da liberdade nos pampas.

Jacaúna, irmão de Poti e morubixaba dos potiguares, foi praticamente o fundador de Fortaleza; Poti e Zoroabé, chefes caetés, os fundadores de Natal; Tabira, principal dos Tabaíras, do Recife; Serigi, Siriri ou Sergipe, de Aracaju; Araribóia, chefe temiminó, do ramo túpico, ajudou a conquistar o Rio de Janeiro, e fundou Niterói; Tibiriçá, o grande defensor da capitania de São Vicente, chantou os fundamentos de São Paulo.

Ah, e as cunhãs?

Essas, como Moema, que "inda era bela no seu rosto a morte", vistas, em 1557, por Jean de Léry, que as decantou no seu livro Viagem à terra do Brasil, "tão louças e gentis como as provençais", enchem de dengo e encanto a história, a literatura e o fabulário e se chamam, entre tantas, Paraguaçu, Bartira, Iracema, Coema, Lindóia, Maiarata, Iguaçu, Naia, Mani, Potira, Nanine, Jupira, Clara Camarão e Damiana dos Coroados.

Araribóia (batizado como Martim Afonso de Sousa, em louvação ao capitão-mor desse nome) tem estátua em Niterói. É ele o único cacique histórico a quem as gentes do Brasil se dignaram perpetuar em praça pública. Em compensação porém, as gentes do Equador ergueram em Quito um monumento a Poti, o Antônio Felipe Camarão, capitão-mor dos índios do nordeste.

Das cunhãs, só Iracema, inventada por Alencar, tem as honras de um monumento, em Fortaleza.

Mitologia

Os deuses mais fascinantes da mitologia brasileira foram os índios que criaram: corupira, boitatá, uiara, caipora, saci-pererê, anhangá, rudá, tupã, aruanã, jaci, magé, araci, jurema, mani, coaraci, manau, roraima, cobra d'água, somé, tamandaré, jurutanhi, nhara.

Fértil no fabulário, a imaginação dos índios criou as lendas de Naiá (a cunhã que se transformou na estranha flor aquática hoje chamada por batismo de uma expedição inglesa, de vitória-régia, em homenagem a Vitória, rainha da Inglaterra), do milho, do mate, da mandioca, do guaraná, do céu, da terra, dos rios, dos mares, dos peixes, dos pássaros, do sol, da lua, das estrelas, da chuva, do vento, de pedras preciosas, da água, do fogo, do arco-íris, do dia e da noite, da vida e da morte.

Com engenho e arte os índios inventaram a rede de dormir.

Vocabulário

Os índios deixaram rastros profundos na toponímia brasileira: Amazonas, muita chuva; Pará (originariamente pirá, peixe), Pernambuco (originariamente Paranambuko, rochedo, recife), Paraíba (originariamente Pirá-ig, rio de peixe), Curitiba (originariamente curu-tiba, lugar de pinhão), Ceará, canto da jandaia; Maranhão, maranha, mentira; Paraná, irmão do mar; Aracaju, mato de papagaios; Guanabara, seio de mar; Niterói, mar escondido; Manaus vem dos índios manau; Goiás, dos goiá; Sergipe, do cacique Serigi, da nação dos Tabajaras.

A geografia é encantada e rica de topônimos tupis: Piauí, Roraima, Amapá, Macapá, e não são apenas estados, territórios, mais rios, praias, cidades, vilas, montes, lagos, montanhas, bairros, ruas, palácios — águas e terras: Guandu (porco espinho), Itamarati (pedra branca), Itaqui (lugar que tem pedra), Catete (mato cerrado), Tijuca (lugar cheio de lama), Ipanema (água podre), Jabaquara (esconderijo), Anhangabaú (rio das almas), Bangu (terra preta), Taquara (pedra furada), Andaraí (água de morcego), Grajaú (o que come aves), Catumbi (água de mato escuro), Inhaúma (lugar barrento), Irajá (lugar que dá mel), Jacarepaguá (lugar que tem jacaré), Sumaré (o que gruda), Maracanã (lugar que tem araras), Paquetá (lugar das conchas), Pavuna (lugar escuro), Brocoió, Sapucaia, Icaraí, Guarujá, Tambaú, Guarapari, Pituba, Piatã, Abaeté, Pajuçara, Jaguarema, Araçagi, Itajaí, Iguaçu, Guaíra, Tocantins, Juruá, Itapecuru, Mamoré, Mearim, Parnaíba, Guaporé, Gurupi, Pindaré, Araxá, Cuiabá, Xingu, Cambuquira, Maceió, Mandaú, Jequitinhonha, Itararé, Piracicaba, Jundiaí, Japeri, Meriti, Uberaba, Araraquara, Paranapanema, Araruama, Lambari, Morumbi, Pacaembu, Tietê, Bertioga, Jurujuba, Mecejana, Ubá, Itu, Cariri, Marajó, Marambaia, Mocanguê, Bariri, Ipiranga, Jequié, Itatiaia, Maragojipe, Mucuripe, Mangaratiba, Macaé, Bagé, Araguaia, Borborema, Muriaé, Apodi, Avaí, Jeremoabo, Itabuna, Ibirapuera, Mossoró, Guaratinguetá, Maranguape, Saquarema, Icó, Porangaba, Iguaraçu, Itacolomi, Aiuruoca, Jaguaribe, Ipu, Ibiapina, Chuí.

Nem só dos gentílicos clássicos vive a gente brasileira; os maranhenses são timbiras; os amazonenses, barés; os norte-rio-grandenses, potiguares; os paraibanos, tabajaras; os alagoanos, caetés; os espírito-santenses, capixabas; os campistas, goitacases e os do Rio, cariocas.

Cheias de árvores e flores e frutos e animais e pássaros e peixes, conhecidos pelos mesmos nomes que os índios lhes deram, estão a flora, a fauna: guaraná, maracujá, mandacaru, piqui, açaí, camapu, caqui, urucum, babaçu, araçá, cajá, sapoti, jenipapo, cupuaçu, caju, jacama, mangaba, jacarandá, abacate, junca, maxixe, umbu, abricó, jaca, ingá, cacau, andiroba, guajuru, creoli, tucum, ariri, ipê, massaranduba, tajá, cará, mandioca, aipim, carnaúba, jiló, oiti, jatobá, sipaúba, jurubeba, copaíba, tipi, taperebá, manacá, jataí, ipecuaconha, carapanã, maracajá, tracajá, mutum, arara, tucano, paca, tatu, muriçoca, guará, quati, guabiru, tamanduá, jacaré, muçum, jabuti, guaiamu, urubu, mucura, suçuarana, boto, cotia, pirarucu, piranha, graúna, juriti, surubim, tarumã, muçurana, surucucu, curimatã, araponga, carcará, tainha, jeju, curiacica, siri, caitetu, tapir, piaba, cação, jaçanã, jurará, sururu, pacamão, gambá, jibóia, mocó, suruanã, patativa, jurupoca, irapuru.

Maracá, puçá, cofo, cabaça, igarité, igarapé, igapó, imbira, pindoba, jirau, pitu, buxo, quicé, pacará, catinga, caatinga, cipó, coré, capoeira, capim, tiquira, urupema, tipiti, cuia, maracatu, jacá, patuá, taquari, mirim, paçoca, tucupi, puçanga, minuano, minuana, moponga, peba, jereré, mucuoca, sopapo, pindaíba — também são vocábulos indígenas da língua falada por esses brasis afora.

Tribos

Feito em 1900, o primeiro levantamento antropológico-cultural do País revelou a existências das seguintes 218 tribos — totalizando cerca de 1.250.000 índios — designadas de acordo com a convenção para a grafia dos etnônimos aprovada em 1953, pela I Reunião Brasileira de Antropologia:

Apinayé, Amniapé, Arawine, Aré (conhecidos como Xetás), Ariken, Aruá, Asurini, Avá (conhecidos como Canoeiros), Aweti, Amanayé, Afiaka, Agavotokueng, Alpatsé, Araras, Atruahi, Apalai, Apaniekra, Aiwateri, Arikapu, Amahuaka, Barawana, Bakairi, Baenan, Boróro, Botocudos, Dióre, Desana, Emerilon, Espinhos, Fulnió, Guajá, Guarategaja, Guajajara, Guarani, Galibí, Gorotire, Guabaribo, Guatô, Huari, Hobodene, Ipotewat, Itogapúk, Ipurinán, Irantxe, Mondé, Mudjetire, Mundurukú, Mawé, Mandawaká, Maopityán, Mehinaku, Manitenerl, Marawa, Matipuhy, Mayongong, Makuxi, Mentuktire, Maku, Makunabodo, Marinawa, Marakaná, Marúbo, Matanawi, Mayorúna, Mura, Mirania, Nahukuá, Naravúte, Nambikuára, Natú, Nukuini, Oyanpik, Ofaié, Oll, Paranawat, Parakanan, Parintintim, Purubora, Paumari, Palikur, Paresi, Pasé, Parikotó, Pianokotó, Purukotô, Pauxi, Pauxiana, Palmelas, Pakáánovas, Pakifal, Pataxó, Pakánáwa, Pokanga, Parawa, Poyanawa, Pakarara, Pankararú, Potiguára, Rama-Rama, Ramkólamékra (conhecidos como Canelas), Sanamaika, Salumá, Sikiána, Ipewi, Ingarikó, Iawano, Jabitiféd, Juruna, Javaé, Jabuti, Kaapor (conhecidos como Urubus), Kabixiana, Kamayura, Karitiana, Kawahib (conhecidos como Boca-Negras), Kayabi, Kepririwat, Kuruaya, Karipúna, Kokana, Kulino, Kustenao, Kanamari, Karutana, Kaxarari, Koripako, Kujijeneri, Katiana, Kuniba, Kayuixana, Kinikinão, Kalapalo, Kuikúro, Katawian, Kaxuiana, Kaingang (conhecido como Coroados), Kubén-Kran-Kégn (conhecidos comos Cabeças peladas), Kubén-Kragnotire, Kayapó-Kradaú, Krem-Yé, Krahó, Kenkateye, Krikati, Kabixi, Kanamari, Kapanawa, Karajá, Katukina, Kaxinawa, Kobewa, Kurina, Kadiweu, Karipúna, Kuyanawa, Kamakan, Layána, Manitsawa, Makurap, Mialat, Suyá, Sakuyá (conhecidos como Remos), Takuatép, Tapirapé, Tukumanféd, Tupari, Tembé, Turiwará, Tariana, Terena, Tirió, Tsuva, Taulipang, Timbira, Txakamekrá (conhecidos como Mateiros), Tapayúna, Trumai, Txikão, Tukaná, Tukuna, Tuxinawa,Tuxá, Torá, Urami, Umotina (conhecidos como Barbados), Urupá, Uampé, Wiraféd, Waurá,Warekéna, Wapitxána, Wainumã, Waimiri, Waiwai (conhecidos como Tapiocas), Wayaná, Waiká, Wayoró, Wanána, Waikino, Witóto, Wakona, Xipaia, Xiriana, Xavante, Xikrin, Xerente, Xokleng, Xipinawa, Xoró, Xukuru, Yabááná, Yawalapitj, Yamamadl, Yuberi, Yaminawa, Yumã, Yuri.

 

(Masson, Nonato. "Memória do índio". Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 11 de maio de 1968)

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