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N. C.
Aspecto pitoresco do Rio de Janeiro era aquele que apresentava desde as últimas décadas do
século passado, com seus numerosos carrinhos-de-mão, que enxameavam pelas
estreitas ruas da cidade.
Facilitavam e barateavam o transportes de várias mercadorias e de pequenos
móveis, quando abundavam as moradias e o povo mudava de casa ou cômodo
constantemente.
Substituíam as "andorinhas" e carroças usadas para maiores mudanças e
transportes mais longos, sempre dispendiosos e difíceis
Como temos hoje os pontos de táxis, havia antigamente locais certos onde
estacionavam tais carrinhos, formando fila, à espera de fregueses, com os seus
carregadores ou condutores ao lado, de músculos reforçados e boas pernas para os
percursos tantas vezes bem demorados.
Noronha Santos, em seu valioso livro Meios de transporte no Rio de Janeiro,
incluiu interessantes informações sobre a introdução e desenvolvimento desse
pequeno veículo na vida da cidade, a que prestou e presta ainda os melhores
serviços.
"Em 1886 — escreve Noronha Santos — introduziram ganhadores de nacionalidade
portuguesa uns carrinhos, com prancha, em lugar de carroças esguias e baixas e
das carretas, para o transporte de mercadorias e bagagens procedentes da Estrada
de Ferro Dom Pedro II, da Alfândega e das que vinham de bordo de navios
mercantes.
"O comércio aproveitou-se desde logo do novo meio de condução para suas cargas
importadas e para as que se destinavam ao exterior ou às províncias, fazendo-se
intensivo o trânsito de semelhantes carrinhos em todos os logradouros da
parte comercial da cidade".
A princípio havia grandes e pequenos, com duas e quatro rodas, mas
generalizou-se depois o de duas rodas, puxados ou empurrados pelos seus
possantes carregadores.
Preferiam estes estacionar na praça em frente da estrada de ferro, diante do
cais Pharoux, onde aproavam as barcas de Niterói e na Prainha, (Mauá), pois em
tais pontos era maior o número de fregueses, chegados com suas pequenas
bagagens.
Outros davam preferência aos transportes de mercadorias na Alfândega ou serviam
a casas comerciais para entrega de encomendas, estacionando nas ruas Primeiro de Março,
Visconde de Inhaúma, Municipal, São Bento, Ajuda, beco dos Barbeiros, e cais dos
Mineiros e, mais tarde, no Mercado, praia do Peixe, largos da Carioca, São
Francisco de Paula, São Domingos e do Capim, estes dois já desaparecidos, quando
da abertura da avenida Presidente Vargas.
Em 1872 havia somente 113 carrinhos-de-mão, mais em pouco esse número foi
crescendo, chegando a 1.861 em 1886 e a 2.320 em 1921.
O carrinho-de-mão representou uma fase característica da vida urbana,
espalhando-se por todas as ruas da cidade, sempre bem afreguesados, até que
veículos a motor foram se impondo às preferências do povo.
Existem, ainda, muitos carrinhos-de-mão em quase todos os bairros, em serviços
locais, sendo bastante comum na zona sul, a serviço dos compradores de revistas
e de jornais velhos.
Consignou ainda Noronha Santos que os condutores de carrinhos-de-mão "são
designados por um apelido depreciativo", penso que atualmente quase
desaparecido, como desaparecidos estão quase os referidos carrinhos.
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