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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

oficina

ANO VI - EDIÇÃO 65
ABRIL 2004

Oficina
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Tabuletas e anúncios — Mercado de peixe, por Thomas Ewbank

A cidade e seus carrinhos-de-mão

Índole do garimpo, por Herberto Sales
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


A cidade e seus carrinhos-de-mão

N. C.

Aspecto pitoresco do Rio de Janeiro era aquele que apresentava desde as últimas décadas do século passado, com seus numerosos carrinhos-de-mão, que enxameavam pelas estreitas ruas da cidade.

Facilitavam e barateavam o transportes de várias mercadorias e de pequenos móveis, quando abundavam as moradias e o povo mudava de casa ou cômodo constantemente.

Substituíam as "andorinhas" e carroças usadas para maiores mudanças e transportes mais longos, sempre dispendiosos e difíceis

Como temos hoje os pontos de táxis, havia antigamente locais certos onde estacionavam tais carrinhos, formando fila, à espera de fregueses, com os seus carregadores ou condutores ao lado, de músculos reforçados e boas pernas para os percursos tantas vezes bem demorados.

Noronha Santos, em seu valioso livro Meios de transporte no Rio de Janeiro, incluiu interessantes informações sobre a introdução e desenvolvimento desse pequeno veículo na vida da cidade, a que prestou e presta ainda os melhores serviços.

"Em 1886 — escreve Noronha Santos — introduziram ganhadores de nacionalidade portuguesa uns carrinhos, com prancha, em lugar de carroças esguias e baixas e das carretas, para o transporte de mercadorias e bagagens procedentes da Estrada de Ferro Dom Pedro II, da Alfândega e das que vinham de bordo de navios mercantes.

"O comércio aproveitou-se desde logo do novo meio de condução para suas cargas importadas e para as que se destinavam ao exterior ou às províncias, fazendo-se intensivo o trânsito de semelhantes carrinhos em todos os logradouros da parte comercial da cidade".

A princípio havia grandes e pequenos, com duas e quatro rodas, mas generalizou-se depois o de duas rodas, puxados ou empurrados pelos seus possantes carregadores.

Preferiam estes estacionar na praça em frente da estrada de ferro, diante do cais Pharoux, onde aproavam as barcas de Niterói e na Prainha, (Mauá), pois em tais pontos era maior o número de fregueses, chegados com suas pequenas bagagens.

Outros davam preferência aos transportes de mercadorias na Alfândega ou serviam a casas comerciais para entrega de encomendas, estacionando nas ruas Primeiro de Março, Visconde de Inhaúma, Municipal, São Bento, Ajuda, beco dos Barbeiros, e cais dos Mineiros e, mais tarde, no Mercado, praia do Peixe, largos da Carioca, São Francisco de Paula, São Domingos e do Capim, estes dois já desaparecidos, quando da abertura da avenida Presidente Vargas.

Em 1872 havia somente 113 carrinhos-de-mão, mais em pouco esse número foi crescendo, chegando a 1.861 em 1886 e a 2.320 em 1921.

O carrinho-de-mão representou uma fase característica da vida urbana, espalhando-se por todas as ruas da cidade, sempre bem afreguesados, até que veículos a motor foram se impondo às preferências do povo.

Existem, ainda, muitos carrinhos-de-mão em quase todos os bairros, em serviços locais, sendo bastante comum na zona sul, a serviço dos compradores de revistas e de jornais velhos.

Consignou ainda Noronha Santos que os condutores de carrinhos-de-mão "são designados por um apelido depreciativo", penso que atualmente quase desaparecido, como desaparecidos estão quase os referidos carrinhos.

(N. C. "A cidade e seus carrinhos-de-mão". Correio da Manhã, 27 de novembro de 1960)