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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

oficina

ANO VI - EDIÇÃO 65
ABRIL 2004

Oficina
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Tabuletas e anúncios — Mercado de peixe, por Thomas Ewbank

A cidade e seus carrinhos-de-mão

Índole do garimpo, por Herberto Sales
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


Vida no Brasil: Tabuletas e anúncios — Mercado de peixe

Thomas Ewbank

As tabuletas e anúncios não são numerosos e os melhores que vi não revelavam qualquer gosto ou arte. No entanto, freqüentemente anunciam combinações de artigos que para nós são incomuns: "secos e loteria"; "tipografia, charutos"; "cerâmica, chá". Por sobre uma porta havia uma tabuleta, com os dizeres:

Entrada franca
Gosto pago
Saída livre

Em inglês é necessário maior número de palavras para expressar a mesma idéia. Significa: Entre e seja bem-vindo, escolha o que quiser, pague e saia de graça.

O mercado de peixe é uma construção muito adequada à sua finalidade. Em cada um de seus quatro lados há um portão e no centro um chafariz. Somente um dos lados é ocupado por bancas de peixe, enquanto os restantes o são por comerciantes de outros gêneros alimentícios e artigos de cozinha. Vêem-se pilhas de frutas, galinhas, perus e leitões em gaiolas, macacos e aves silvestres. Há também pequenas barracas para a venda de objetos de barro e pequenos esqualos, encontrados também nas bancas de peixe. Do lado que faz frente para a baía, a não mais de cem pés de distância, desenrola-se uma cena muito curiosa e interessante. Enquanto grande número de barqueiros em suas canoas muito bonitas espera quem queira alugá-las, uma falua carregada de peixe aproxima-se de vez em quando da praia e então fortes negros, quase inteiramente nus, com cestos à cabeça, lançam-se nas ondas pretas e sujas de lama ao encontro do barco, disputando entre si a fim de passarem à frente dos demais e apanhar uma parte da carga a ser desembarcada. Seus gritos e disputas assemelham-se ao que se passa no Niger.

[1854]

(EWBANK, Thomas. A vida no Brasil; ou Diário de uma visita à terra do cacaueiro e das palmeiras. Belo Horizonte / São Paulo, Editora Itatiaia / Editora da Universidade de São Paulo, 1976. Reconquista do Brasil, 26)