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Hildegardes Viana
Os cardápios festivos incluem feijoada com lungüiça e carne de porco, fato
etc., sarapatel, vatapá, caruru, galinha ou peru assados, peru de escaldado,
galinha de molho pardo, frigideiras, lombo cheio, carne de porco, macarronada
etc. Meio raro são os meninicos, bacalhoadas, sarrabulhadas, polvos, lagostins
etc., alguns com a raridade ditada pela falta no mercado ou pelo preço
proibitivo.
Frigideiras, omeletes, bolinhos e saladas, podem ser considerados pratos de
festa e de visitas. A frigideira, apesar de dispendiosa, está presente em todas
as ocasiões que exijam maior apuro na mesa do baiano. É feita com peixe fresco
ou salgado, mariscos, legumes ou carne, temperada com camarão seco, leite de
coco (exceto na de carne), cebola, tomate, pimentão, azeite doce, salsa ou
coentro, azeitonas ou ervilhas, tudo bem refogado e recoberto com ovos batidos,
formando uma crosta que é assada ao forno.
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As comidas de azeite ficam para os jejuns de quaresma, dias de festa sem
maior etiqueta, ou para turista. Apenas o acarajé e o abará são corriqueiros, ao
alcance de qualquer pessoa e a qualquer hora.
Moquecas de peixe fresco ou salgado com feijão de leite ou feijão de azeite,
caruru e vatapá são os outros que podem ser chamados de rotina. Isto porque
podem ser encontrados às sextas-feiras nos almoços das casas que guardam o dia e
nas barracas de comida nas festas populares.
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Pela Paixão do Senhor e em menor escala pela Conceição, faz-se um lauto
repasto em que figuram obrigatoriamente feijão de leite, bacalhau ensopado ou de
moqueca, peixe de molho, vatapá, frigideira, arroz-de-viúva. Na Conceição o
"paulista" cheio com lingüiças e a carne de porco assada comparecem também.
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Pelo São João há uma variedade de canjicas de cortar (de milho verde e
pó-de-arroz), pamonhas de carimã e milho verde (esta feita com o bagaço que fica
na peneira quando se passa o milho para a canjica), bolo de São João (carimã
ensombrada, ovos, leite de coco, açúcar e erva-doce), milho cozido, amendoim
cozido, mungunzá de partir e de beber, bolo de milho em tabuleiro e em fôrmas,
manauês, carurus, efós e vatapás.
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No Natal não se come rabanada. O peru assado e o empadão constituem a
tradição no Natal e Ano Bom. Nestas duas festas há predominância dos frutos
secos vindos do Reino (nozes, avelãs, ameixas etc.). O panetone está se
introduzindo com sucesso marcante.
Pelo Bonfim, Rio Vermelho, Conceição, Reis (Lapinha) e outras festas de
largo, as barracas vendem feijoadas, sarapatéis, vatapás, xinxins, moquecas e
frigideiras. Nos lares situados nas zonas das festas é mais ou menos o mesmo
cardápio, além do "paulista" e da carne de porco.
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O sonho em calda, que predominava no entrudo, desapareceu no carnaval. Em
compensação, o sonho passado no açúcar pode ser encontrado em qualquer botequim
ou caixinha de doce em qualquer época. Idem, as empadinhas e os beijos de
abacaxi e jenipapo, os bons-bocados, as mães-bentas, siricaias e pastéis,
presentes em festinhas sem grande etiqueta.
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