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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

colher de pau

ANO VI - EDIÇÃO 65
ABRIL 2004

Colher de Pau
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Bênção tempera vatapá, por Regina Schneider

Comidas de época, por Hildegardes Viana

Dietética carioca de 1817, por Carl Friedrich von Martius
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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COLHER DE PAU - Nesta seção, textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...


Comidas de época

Hildegardes Viana

Os cardápios festivos incluem feijoada com lungüiça e carne de porco, fato etc., sarapatel, vatapá, caruru, galinha ou peru assados, peru de escaldado, galinha de molho pardo, frigideiras, lombo cheio, carne de porco, macarronada etc. Meio raro são os meninicos, bacalhoadas, sarrabulhadas, polvos, lagostins etc., alguns com a raridade ditada pela falta no mercado ou pelo preço proibitivo.

Frigideiras, omeletes, bolinhos e saladas, podem ser considerados pratos de festa e de visitas. A frigideira, apesar de dispendiosa, está presente em todas as ocasiões que exijam maior apuro na mesa do baiano. É feita com peixe fresco ou salgado, mariscos, legumes ou carne, temperada com camarão seco, leite de coco (exceto na de carne), cebola, tomate, pimentão, azeite doce, salsa ou coentro, azeitonas ou ervilhas, tudo bem refogado e recoberto com ovos batidos, formando uma crosta que é assada ao forno.

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As comidas de azeite ficam para os jejuns de quaresma, dias de festa sem maior etiqueta, ou para turista. Apenas o acarajé e o abará são corriqueiros, ao alcance de qualquer pessoa e a qualquer hora.

Moquecas de peixe fresco ou salgado com feijão de leite ou feijão de azeite, caruru e vatapá são os outros que podem ser chamados de rotina. Isto porque podem ser encontrados às sextas-feiras nos almoços das casas que guardam o dia e nas barracas de comida nas festas populares.

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Pela Paixão do Senhor e em menor escala pela Conceição, faz-se um lauto repasto em que figuram obrigatoriamente feijão de leite, bacalhau ensopado ou de moqueca, peixe de molho, vatapá, frigideira, arroz-de-viúva. Na Conceição o "paulista" cheio com lingüiças e a carne de porco assada comparecem também.

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Pelo São João há uma variedade de canjicas de cortar (de milho verde e pó-de-arroz), pamonhas de carimã e milho verde (esta feita com o bagaço que fica na peneira quando se passa o milho para a canjica), bolo de São João (carimã ensombrada, ovos, leite de coco, açúcar e erva-doce), milho cozido, amendoim cozido, mungunzá de partir e de beber, bolo de milho em tabuleiro e em fôrmas, manauês, carurus, efós e vatapás.

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No Natal não se come rabanada. O peru assado e o empadão constituem a tradição no Natal e Ano Bom. Nestas duas festas há predominância dos frutos secos vindos do Reino (nozes, avelãs, ameixas etc.). O panetone está se introduzindo com sucesso marcante.

Pelo Bonfim, Rio Vermelho, Conceição, Reis (Lapinha) e outras festas de largo, as barracas vendem feijoadas, sarapatéis, vatapás, xinxins, moquecas e frigideiras. Nos lares situados nas zonas das festas é mais ou menos o mesmo cardápio, além do "paulista" e da carne de porco.

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O sonho em calda, que predominava no entrudo, desapareceu no carnaval. Em compensação, o sonho passado no açúcar pode ser encontrado em qualquer botequim ou caixinha de doce em qualquer época. Idem, as empadinhas e os beijos de abacaxi e jenipapo, os bons-bocados, as mães-bentas, siricaias e pastéis, presentes em festinhas sem grande etiqueta.

(Em CASCUDO, Luís da Câmara (org.). Antologia da alimentação no Brasil. Rio de Janeiro, Livros Científicos Técnicos, 1977, p.35-36)