Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Abril 2010 - Ano XII - nº 135


Sumário

Festança
A chula

Cancioneiro
Lourival Bandeira e Siqueira de Amorim: Em São Paulo, dois dos maiores cantadores do Nordeste

Imaginário
Quatro séculos de lendas

Colher de Pau
Os festejos das pescas da tainha
A. Seixas Neto

Oficina
O mergulho da lama em busca do caranguejo
Diane Lisbona

Palhoça
Feiras populares
Eduardo Campos

Panacéia
A lua e o folclore
José Egídio Farinha

 

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Festança
Textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...

A chula

A chula é uma das manifestações populares mais marcantes do folclore gaúcho. A chula como canção, foi muito popular no Brasil até meados do século XIX, mas suas origens são obscuras. Alguns estudiosos dizem que ela veio de Portugal, da região do Minho e do Douro, ou do Açores. Outros, entretanto, consideram-na muito próxima do lundu ou do baião dos baianos, logo com raízes perfeitamente brasileiras.

Quanto à chula dança, as informações são tão diversificadas, que é impossível identificar rigorosamente suas raízes folclóricas.

A chula, popular em todo Rio Grande do Sul, é uma dança em desafio, executada apenas por homens. O desafio é feito estendendo-se uma vara de madeira, com a espessura de um cabo de vassoura e medindo mais ou menos 4 metros de comprimento. Em cada uma das extremidades posta-se um dançarino que, ao som da música passa a executar complicados passos e sapateados a um e ao outro lado da vara, avançando e recuando, conforme se desenvolve o ritmo. O desafio está lançado. O outro bailarino deverá repetir os passos, mas de maneira mais complexa e aperfeiçoada. Será desclassificado o dançarino que perder o ritmo ou que se afastar da música, que errar o passo ou deslocar com os pés a haste de madeira, ou, ainda, que não puder repetir com exatidão o passo executado antes por seu adversário. O vencedor será aquele que, não sendo desclassificado, consiga executar uma figura que o oponente não possa repetir.

Por seu caráter de disputa, a chula aproxima-se do malambo, dos platinos, ou de certas danças brasileiras de fundo ginástico, que permitem aos participante demonstrar suas habilidades físicas e coreográficas.

("A chula". Lux Jornal. Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1976)

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