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O destino dos índios e o dos brancos

Colhida por Nunes Pereira entre os índios cauaiua-parintintim

Baíra quis amansar os Cauaiua.

Foi a uma grande maloca e perguntou:

— Onde está o chefe de vocês?

— Sou eu, respondeu um dos índios.

— Eu quero amansar vocês.

Baíra jogou umas pedras n'água de um poço.

E mandou que os índios se banhassem naquela água.

Uns pularam n'água, boiaram e saíram dela largando a pele. Por isso ficaram brancos. São os civilizados.

Outros não quiseram que Baíra os amansasse. São os índios.

Baíra entregou a estes arcos e flechas, "boaháps" e cacetes, facas de taquaras e estrepes, dizendo:

— Vocês não querem ser mansos. Bem. Podem ir embora pelos matos.

Os Cauaiua partiram, tristes, tristes, tristes.

Os que tinham mudado a pele, os mansos ou civilizados, receberam de Baíra espingarda, machado, terçado, roupas.

E saíram alegres pelo mundo.

 

(Pereira, Manuel Nunes. Monronguêtá: um Decameron indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980, p.564-565)

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