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O machado de Baíra

Colhida por Nunes Pereira entre os índios cauaiua-parintintim

Baíra foi tirar mel de pau, levando seu machado e dois jamarus.

Encontrou uma árvore onde viu abelhas zunindo e encostou-lhe no tronco um mutá que por ali estava atirado.

Subiu os degraus e foi logo dando machadadas no tronco da árvore.

Mas, distraindo-se, em vez de cortar o pau, cortou a própria barriga.

E não sentiu dor nenhuma. Por isso continuou a dar machadadas na árvore.

Quando beija-flores, abelhas e moscas começaram a voar em redor da sua barriga, Baíra viu que dali jorrava mel, cheiroso e amarelinho.

Provou daquele mel e achou bom.

Desceu do mutá e encheu os jamarus com aquele mel, cheiroso e amarelinho.

Depois soprou sobre o golpe que fizera na própria barriga. E o golpe sarou logo.

 

(Pereira, Manuel Nunes. Monronguêtá: um Decameron indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980, p.565)

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