Baíra dizia sempre que ia matar mutum, mas ia ver outra mulher com quem se deitava.
Essa mulher era namorada de Baíra.
Baíra levantava-se de madrugada. Levava arco e flecha.
Fez uma vez. Fez outra. E muitas outras, até que um dia a mulher de Baíra, que já andava desconfiada, lhe perguntou:
— Por que tu nunca matas um mutum?
— Voa! É ladino! É brabo!
— Hum... Eu sei o que tu vais fazer de madrugada.
Disse-lhe isso porque vira um sinal de beliscão no braço de Baíra.
A namorada de Baíra lhe havia pedido que não contasse nada à sua mulher, mas esta todo dia lhe estava dizendo:
— Eu sei o que tu estás fazendo. Eu sei que tu andas mesmo atrás de mutum. É melhor tu trazeres logo a tua namorada para nossa casa.
Então Baíra foi buscar a namorada com quem se deitava de madrugada.
A namorada não quis ir. Baíra disse que a mulher dele a mandara buscar.
Ouvindo isso de Baíra, ela consentiu, dizendo-lhe, porém:
— Eu vou, mas tu não deves rir, quando eu lá estiver. Ninguém deve rir.
Baíra prometeu. E a levou para casa.
Ali chegando mandou preparar urna festa.
Mandou ver caça e frutas, convidar muita gente, que deveria pilar milho para o cauim.
E, também, ajudou a pilar o milho, muito milho, com o seus cinco companheiros.
E a mulher e a namorada dele também.
Os pilões eram cinco.
Pilaram, pilaram, pilaram.
Uma das mulheres, porém, fazendo força, soltou um vento...
E todo mundo riu. E a namorada de Baíra e ele mesmo riram. Todo mundo riu.
Então, pulando e voando, de um lado para outro, aquela gente começou a virar cutia, inhambu, corcovado, paca, tangaripará-grande, cojubim, marreca. E muitas foram as mulheres que viraram pássaros.
E Baíra mesmo virou cutia, corcovado e inhambu. E a mulher e a namorada dele. Mas só Baíra ficou sendo sempre Baíra.
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