Quando Macunaíma ainda era criança seus irmãos sempre lhe estavam dizendo:
— Nunca espies um sexo de mulher. É horrível. É perigoso. Foge dele.
Mas isso só servia para excitar mais a curiosidade do menino e o desejo de desobedecê-los.
Uma vez, andando pelos matos, Macunaíma encontrou uma árvore muito alta, mas seca, de tronco bastante grosso e escorregadio.
De um dos galhos daquela árvore, separado do corpo, pendia um sexo de mulher.
E mesmo seco e mirrado era tão horrível aquilo que Macunaíma viu logo não ser fruto enluado ou uma velha pele de morcego.
— Lá está um sexo de mulher!
Macunaíma então se transformou imediatamente num macaco-prego. E tentou escalar a árvore. E espiar de perto aquele sexo.
Mas o tronco era muito grosso e escorregadio. E seus braços de macaco eram muito curtos. E Macunaíma não conseguiu escalá-lo.
Transformou-se, por isso, num quati. E não conseguiu escalar o tronco.
Transformou-se, ali mesmo, numa cobra. E também não conseguiu.
Transformou-se numa lagartixa. E nada conseguiu. Transformou-se numa formiga. E, caminhando em ziguezague, pelo tronco acima, bem devagar, chegou perto do sexo de mulher e pôde espiá-lo como queria.
Mas o sexo de mulher o descobriu. E, rápido, o engoliu.
Muitos dias depois os irmãos de Macunaíma, procurando-o pelos matos, ao passar por aquela árvore, viram o sexo de mulher, que conheciam, gordo e viçoso.
Desconfiaram. Puseram a árvore abaixo. Abriram aquele sexo. E ali acharam o corpo de Macunaíma. Sopraram sobre ele. E Macunaíma acordou, rindo, rindo.
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