O grande chefe Nutapá foi quem deu. origem ao povo tucuna.
Um dia Nutapá foi ferrado no joelho direito por uma caba miudinha. Onde a caba ferrou apareceu um tumor.
O grande chefe mandou ver o que era e se havia bicho.
E viram ali dois meninos e duas meninas fazendo sarabatanas, flechinhas e estojos para as mesmas, venenos e muitas outras coisas, boas e más.
Nutapá tirou aqueles dois meninos de dentro do tumor.
E chamou aos meninos Djói e Ipi, e às meninas Movaca. e Aucana.
Os dois meninos fizeram-se homens e viviam em companhia de Nutapá.
Um dia todos três foram pelos matos, procurando comida. Djói e Ipi iam à frente; o velho Nutapá, não os podendo acompanhar, foi ficando para trás.
Assim, ao transpor um igarapé, sobre o qual uma árvore servia de ponte, o velho foi comido por uma onça, porque o sítio era freqüentado por todos os animais.
Dando por falta do velho, os dois irmãos voltaram ao lugar da travessia. Mas não o encontraram e nem a onça.
Djói e Ipi saíram no rastro do bicho, mas não o encontraram naquele dia. Voltaram então para a travessia. Alisaram o tronco, estendido sobre o igarapé, com gosma de peixe e de frutas.
E, enquanto esperavam, foram fazendo piranhas: pretas, vermelhas, brancas, apontando-lhes os dentes como haviam apontado os próprios.
A onça veio fazer a travessia por cima do tronco, escorregou e caiu n'água, onde as piranhas a mataram.
Djói e Ipi, depressa, secaram o igarapé, tiraram o couro da onça e recolheram do seu bucho os ossos de Nutapá, levando-os para casa. Ali fizeram o velho ressuscitar.
"Nós, tucuna, descendemos do velho Nutapá".
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