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Mito da onça e do trovão

Colhida por Nunes Pereira entre os índios cauaiua-parintintim

 

A Onça, um dia, desafiou o Trovão. A Onça era muito insolente.

O Trovão disse:

— Tu não tens força. Só tens unhas e dentes.

A Onça disse:

— Vais ver.

E saltou no rumo do Trovão.

O Trovão soltou o Raio em cima dela.

E este cegou a Onça e queimou-lhe os pêlos. Mas não a matou.

No outro dia o Bacurau encontrou a Onça quase morta de fome.

E foi no mato buscar muita caça para a amiga.

A Onça foi quem deu unhas ao Bacurau.

 

(Pereira, Manuel Nunes. Monronguêtá: um Decameron indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980, p.624)

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