Mito de origem tucuna, colhido por Nunes Pereira
A Lua, também, antigamente, era mulher.
Um dia o Sol, que era irmão dela, plantou duas árvores chamadas goçá, para pintar os dentes das Moças-Novas, com o sumo das suas folhas.
A irmã dele perguntou o que tinha plantado na roça. — Duas árvores de goçá.
A Lua foi procurar as árvores. Achou e pintou os dentes com o suco das suas folhas. Os dentes dela ficaram de um preto bonito.
Quando o irmão veio, a moça tapou a boca e só lhe respondia de cabeça baixa. Não queria que o irmão visse que havia roubado as folhas de goçá e pintado os dentes com o suco das mesmas.
Um dia a moça teve vontade de deitar-se com o irmão. Quando a noite veio, foi deitar-se com ele. Todas as noites ia deitar-se com o irmão.
Quando ela apareceu prenha o Sol pensou:
— Aqui não mora ninguém mais, só nós dois. Minha irmã se deitou comigo.
Nessa noite esperou a moça com uma cuia cheia de sumo de jenipapo e a pôs debaixo da rede. E, quando a irmã se deitou com ele, devagarinho lhe foi passando pelo rosto o sumo do jenipapo.
A irmã, pela manhã, viu n'água o rosto todo pintado de jenipapo e que o irmão iria saber quem se deitara com ele. Então fugiu para o céu.
Hoje ela é a Lua.
Às vezes é Moça-Nova. E, às vezes, também está prenha.
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