Home     Central do Leitor     Expediente     Contato    

Mito da lua

Mito de origem tucuna, colhido por Nunes Pereira

 

A Lua, também, antigamente, era mulher.

Um dia o Sol, que era irmão dela, plantou duas árvores chamadas goçá, para pintar os dentes das Moças-Novas, com o sumo das suas folhas.

A irmã dele perguntou o que tinha plantado na roça. — Duas árvores de goçá.

A Lua foi procurar as árvores. Achou e pintou os dentes com o suco das suas folhas. Os dentes dela ficaram de um preto bonito.

Quando o irmão veio, a moça tapou a boca e só lhe respondia de cabeça baixa. Não queria que o irmão visse que havia roubado as folhas de goçá e pintado os dentes com o suco das mesmas.

Um dia a moça teve vontade de deitar-se com o irmão. Quando a noite veio, foi deitar-se com ele. Todas as noites ia deitar-se com o irmão.

Quando ela apareceu prenha o Sol pensou:

— Aqui não mora ninguém mais, só nós dois. Minha irmã se deitou comigo.

Nessa noite esperou a moça com uma cuia cheia de sumo de jenipapo e a pôs debaixo da rede. E, quando a irmã se deitou com ele, devagarinho lhe foi passando pelo rosto o sumo do jenipapo.

A irmã, pela manhã, viu n'água o rosto todo pintado de jenipapo e que o irmão iria saber quem se deitara com ele. Então fugiu para o céu.

Hoje ela é a Lua.

Às vezes é Moça-Nova. E, às vezes, também está prenha.

 

(Pereira, Manuel Nunes. Monronguêtá: um Decameron indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980, p.464)

Home | Revista Jangada Brasil | Índice Jangada | Tema do mês | Coreto | Catavento | Balaio de Links | Galeria de Mitos | Realejo | Como Vovó Dizia | No Estradão | Colaborações

Jangada Brasil © 1998-2007 | Termos e condições de uso