Um homem, noutros tempos, foi pescar e levou consigo sua mulher.
E querendo pescar noutro lugar, onde havia mais peixes, deixou a mulher ao pé da Serra do Maiari, sentada numa pedra.
Quando o homem já estava longe e entretido em apanhar peixes, apareceu Popoca.
Popoca era gente e bicho, ao mesmo tempo. E morava nas matas da Serra.
Saltou sobre a mulher, uniu seu corpo ao dela. Depois, pondo-a nos ombros, seguiu pelo mesmo caminho por onde tinha ido o pescador.
O homem já vinha de volta e se encontrou com Popoca.
— Por que vais levando minha mulher? Eu sou o marido dela. Larga-a.
E Popoca, continuando a andar, disse ao pescador:
— Cala a boca, senão eu te flecho!
E o pescador só levava debaixo do braço um covo. Nem arco, nem flechas.
E Popoca era uma fera, que tinha muita força e muita astúcia.
O pescador viu Popoca afastar-se, rindo e cantando:
Airêrê rarê raruia
Iuançará imã
Mapaga
Em seguida estrangulou a mulher e lhe jogou o cadáver num lago perto do Cantã.
E continuou a rir e a cantar:
Airêrê rarê raruia
Iuançará imã
Mapaga.
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