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Estória do popoca

Um homem,  noutros tempos, foi pescar e levou consigo sua mulher.

E querendo pescar noutro lugar, onde havia mais peixes, deixou a mulher ao pé da Serra do Maiari, sentada numa pedra.

Quando o homem já estava longe e entretido em apanhar peixes, apareceu Popoca.

Popoca era gente e bicho, ao mesmo tempo. E morava nas matas da Serra.

Saltou sobre a mulher, uniu seu corpo ao dela. Depois, pondo-a nos ombros, seguiu pelo mesmo caminho por onde tinha ido o pescador.

O homem já vinha de volta e se encontrou com Popoca.

— Por que vais levando minha mulher? Eu sou o marido dela. Larga-a.

E Popoca, continuando a andar, disse ao pescador:

— Cala a boca, senão eu te flecho!

E o pescador só levava debaixo do braço um covo. Nem arco, nem flechas.

E Popoca era uma fera, que tinha muita força e muita astúcia.

O pescador viu Popoca afastar-se, rindo e cantando:

Airêrê rarê raruia
Iuançará imã
Mapaga

Em seguida estrangulou a mulher e lhe jogou o cadáver num lago perto do Cantã.

E continuou a rir e a cantar:

Airêrê rarê raruia
Iuançará imã
Mapaga.

 

(Pereira, Manuel Nunes. Monronguêtá: um Decameron indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1980, p.90-91)

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