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Insetos no folclore

Wilson de Lima Bastos

Também os insetos ocupam lugar importante no folclore, merecendo, assim, um estudo detalhado. Não se tem dado muita atenção no sentido de pesquisar e registrar o que há a respeito, regionalmente falando.Como fazê-lo!

Considerando-os como seres biológicos, sua origem, seu modo de vida, seu processo de reprodução etc… em suas aplicações industriais, na alimentação e na medicina folclórica. Mais ainda, nas lendas ou estórias a seu respeito, superstições e crendices.

Muito conhecida entre nós é a estória da cigarra e da formiga, em que cada um desses dois insetos aparecem como exemplo a ser meditado, um condenado, outro elogiado. A cigarra cuida só de cantar, não armazena, não faz poupança, não pensa no futuro e por isso, não trabalha. A formiga é o exemplo do trabalho organizado em equipe, persistente e objetivo.

A esperança é um inseto de bons presságios.

Quem a vê procura logo tê-la em suas mãos. Algo de bom vai acontecer-lhe.

O gafanhoto é usado no deserto, como alimento, contando-se que São João Batista, o precursor, alimentava-se de gafanhotos.

O louva-a-deus é um inseto que não deve ser sacrificado e quando é perseguido, põe-se de joelhos pedindo misericórdia.

As borboletas estão envoltas em um véu de mistério no mundo folclórico, significando popularmente, uma mensageira de coisas boas ou coisas más, dependendo do tipo deste inseto. Sobre ela — a borboleta — fala do seguinte modo o mestre Luís da Câmara Cascudo em seu Dicionário do folclore brasileiro:

“Anuncia alma dos mortos ou presságios agoureiros. Psike vale ao mesmo tempo espírito, alma, borboleta para os gregos. Uma borboleta de cores claras será felicidade, arauto de alegrias, fortuna assegurada. Justamente o inverso da negra, aliada da morte e do destino fatal. A borboleta negra é a coisa-má em Portugal, na Espanha, na Itália. Na França é alma do morto que faz sua penitência. Na Rússia é de segredável infortúnio. Na China é aviso da morte, evitada com orações e sacrifícios. Entre os mortais é sempre recadeira silenciosa do outro mundo. Na Pérsia é o espírito dos mortos.

No Devonshire é o espírito de criança que morreu sem batizar-se. No Egito, o espírito deixava o corpo na hora da morte sob a forma de uma borboleta. Pela Ásia Menor, há crença idêntica. Passaria à Grécia e a Roma, derramando-se pela Europa e vindo às terras da América. A borboleta escura, crespuscular, é a encarnação da bruxa (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, p.30-31. Ademar Vidal, 1930. História da revolução na Paraíba, p.194, São Paulo, 1933). Numa denúncia de 16 de agosto de 1591, dona Lúcia de Melo acusa uma amiga de transformar-se em borboleta noturna (Denunciações da Bahia, p.342, São Paulo, 1935).”

Eis como os insetos merecem estudos regionais

(Bastos, Wilson de Lima. “Insetos no folclore”. A Tarde. Juiz de Fora, 20 de julho de 1970)

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