Jangada Brasil

Linguagem popular: Bahia

A locé: como bem quer
A par de: do lado
A toque de caixa: imediatamente
Abrir o chambre: fugir
Acompanhar farrancho: meter-se em complicações
Alcaides: coisa fora de moda, ruim
Alodê, arigofe, pau-de-fumo: homem muito preto
Amarrar o facão: climatério
Antonces: então
Aprontar-se:
 trocar de roupa para fazer alguma coisa
Aqui d’el-rei: socorro
Armar-se cavalheiro: tomar coragem
Azuretado:
 confuso

Babaquara: senil
Bacuejo: meio banho de asseio
Bacuar e lambicar: destilar coriza
Bangalafumengas: gente sem estilo, de baixa condição
Banguela: desdentado
Berimbela: teia de aranha suja
Bleforé e caga-fumo: bailes de ínfima categoria
Borocotó: lugar cheio de buracos

Caboré: vasilha de barro destinada a aparar o café coado
Cabuleté: pessoa escura e sem linha
Cacareco: móveis velhos
Cacumbu: faca pequena
Cacundé: coisas guardadas no fundo da mala
Café azedo: sem açúcar
Cafuringa: coisa miudinha
Califom: sustenta-seios, sutião
Calundu: mau  humor periódico
Calunga: rato pequeno
Carpina: carpinteiro
Castelo: casa suspeita
Charro: comum demais
Chué: ordinário
Consumição: aborrecimento
Consumido: preocupado
Cornetão-de-semente: marido traído conscientemente
Correr a coxia: labutar, trabalhar muito, debochar-se
Corró: baixinho

Dar um demais: soltar um flato
Dar de corpo ou desobrigar-se: defecar
De a pé: a pé
De déu em déu: sem pouso
De primeiro: antigamente
Desassuntado: sem-vergonha
Devez: diz-se da fruta “inchada”
Di comê: comida
Disse que disse: fuxico

Esbregue, pito, sabão ou sabonete: reprimenda
Espandongado: esfrangalhado
Estar no trinque: bem vestido
Esvarar: entrar sem pedir licença

Fátima: qualquer espécie de esmalte para as unhas
Fazer praça: gabar-se
Ficar na orça: ficar sem nada
Fifó, bebiano, fumante: pequeno lampião a querosene, feito com um frasco e uma torcida, sem manga
Frio de sal: com pouco sal
Função: festa

Lodaça: vantagem ou mentira
Lorde: bem vestido

Mandu: trapalhada
Maroto: beliscão com o nó dos dedos, português
Moça ou moça de casa: virgem
Moderno: jovem
Mulher-dama: mulher de vida livre

Obra de: cerca de

Pabo: fidalgo, pábulo
Piloto: estrábico
Pongar: pegar um veículo em movimento
Prumode, pru via: por causa
Pucumã:
 teia de aranha

Quarar: expor ao sol

Ralar: socar
Rechiar: reforgar
Reinar: brincar, fazer travessura
Remanescido: enleado
Roscofe: objeto ordinário

Saitica: moça assanhada
Sair de casa: desvirginar-se
Saluço: soluço
Salvar: saudar
Subir na serra: despontar-se, ficar furioso
Suco do bambambam: muito bom
Sumana: semana

Tabaréu: acanhando
Taboca: logro
Tebas: valentão
Tocar fogo na canjica ou pôr fogo na canjica: precipitar as coisas
Tocar o Frederico: ir embora
Tomar na cuia dos quiabos: ser logrado
Tore:
 reprimenda
Trempe: gente ruim
Trimamoca: coisa difícil
Trubufu: gente de cor mal-ajeitada

Viva quem vence: casa sem governo
Viva de chapéu de sol: descompostura grossa
Vadiar na tina de dendê: esbofar-se
Verter água: urinar
Vexado:, apressado

Xebé: pouca valia
Xixilado: comum demais
Xixilé: mal-vestido, chineludo

Zoró: danado da vida
Para doenças, o baiano comum tem o seu ementário:

Cabeça-de-prego: qualquer pequena tumoração em criança
Carneiro: mioma
Canto-de-passarinho: feridinhas no canto da boca
Catapora: varicela
Carregamento de olhos: inflamação nos olhos
Caruara: fraqueza das pernas

Doença-do-vento: congestão
Dor-de-madre, dor-do-mês ou dor-de-boi: cólica menstrual

Espinhela caída: nome vulgar de várias doenças atribuídas a uma suposta queda do esterno

Fraco: tuberculoso

Judiadeira: doença sem diagnóstico formado

Ligeira: diarréia

Macônia: melancolia
Mal-do-monte: erisipela
Malina: febre pestilenta
Mardita: eripisela; tumor na ponta dos dedos
Merma: erupção cutânea de fundo sifilítico
Mula: adenite inguinal venérea

Pano: pitirises versicolor
Papeira: parotidite infecciosa
Pereba: pequena tumoração purulenta
Puxamento: asma

Quipá: equizema ou coceira

Resfrialdade: principio de tuberculose

Sangue-novo: qualquer erupção alérgica
Sapiranga: blefarite ciliar
Sezão: impaludismo

Tiriça: icterícia

Urinas-doces: diabetes

Vexame: desmaio ou falta de ar

(Vianna, Hildegardes. Folclore brasileiro: Bahia, Rio de Janeiro, Funarte, 1981, p.11-13)

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