Jangada Brasil – nº91 – junho de 2006 – Almanaque

Gírias do futebol

 

Termos e expressões populares relativas ao futebol utilizadas nas diversas partes do Brasil

 

360: quando o jogador toca na bola com a perna direita, impulsionando-a para trás, realiza um giro de 180 e toca na bola com a perna esquerda, e depois está novamente com ela na perna direita, realizando assim uma volta de 360º em torno do próprio eixo.

Amarelar: ficar com medo diante do adversário e, conseqüentemente, jogar mal.

Aperitivo: apelido carinhoso para a partida preliminar

Arranca toco: jogador de pouca habilidade

Arqueiro: goleiro

Arquibaldo: torcedor que fica na arquibancada

Artilheiro: jogador que faz o maior número de gols (do campeonato, da equipe…)

Baba: o mesmo que pelada

Bailarino: jogador que faz muita firula

Baile (dar um): o mesmo que balé

Balão: a bola

Balão (balãozinho): lance de habilidade em que o jogador lança a bola em trajetória curva, bem acentuada, sobre o adversário e, deslocando-se rapidamente, volta a dominá-la adiante no chão.

Balé (dar um): driblar o adversário muitas vezes seguidas, causando a sensação que ele está dançando.

Bandeirinha (bandeira): árbitro auxiliar

Banheira: quando o jogador está completamente impedido; jogador que sempre fica nesta condição; quando o jogador mantém-se permanentemente em condições de receber a bola para fazer o gol, apesar das tentativas dos adversários em colocá-lo em impedimento. Romário teve a maioria dos seus quase mil gols por ser um jogador com esta característica.

Banho de cuia: o mesmo que chapéu e lençol

Barrigada: quando a bola é impulsionada com a barriga

Bate-pronto: quando o jogador recebe a bola e bate imediatamente para o gol, sem ajeitá-la.

Beque da roça: zagueiro que fica parado e dá um chutão

Bicanca: chute dado com o bico do pé

Bicicleta: quando o jogador fica em posição horizontal e acerta na bola com os dois pés suspensos, de costas para o chão. Este tipo de chute foi criado por Leônidas da Silva, o Diamante Negro, em jogo no Pacaembu.

Bichado: jogador que tem uma contusão ou moléstia crônica.

Bicho: premiação que os jogadores recebem por jogo ganho

Bico (chute de / dar de / dar / meter de): chute dado com a ponta do pé

Bicuda: chute dado com muita força

Boleiro: jogador de futebol amador

Bomba: chute desferido com muita força

Cabeçada: quando a bola é impulsionada com a cabeça

Cabeça-de-bagre: jogador muito ruim e de pouca inteligência

Cada enxadada é uma minhoca: expressão utilizada quando jogador (ou a equipe) está fazendo muitas faltas durante o jogo; jogo violento.

Cai-cai: jogador que simula contusão

Cama-de-gato: falta cometida durante a disputa da bola, na qual o jogador simula saltar e, com o corpo, desequilibra o adversário pelas costas

Cancha: campo. Expressão popularizada pelo jornalista Luís Mendes.

Caneco: troféu, taça

Canelada: quando a bola é impulsionada com a canela

Caneleira: proteção utilizada pelos jogadores para proteger as canelas

Caneta(s): perna(s)

Canhão: chute desferido com muita força

Capotão: a bola

Carne assada: apelido carinhoso para jogo amistoso

Carniceiro: jogador desleal, maldoso

Carrasco: jogador que marca o gol da vitória nos últimos minutos de um jogo decisivo

Carrinho: quando um jogador vem na corrida e procura alcançar a bola (ou as canelas do adversário), atirando-se sentado, procurando deslizar na grama, com os pés levantados.

Cartola: dirigente de clube

Catimba (catimbar): deixar o jogo lento fazendo cera

Cavalo: jogador violento

Cavalo paraguaio: clubes (geralmente sem tradição) que disparam na tabela no início da competição, depois não conseguem manter o ritmo e acabam na classificação intermediária.

CBD: jogador que sempre fica na reserva. Como nunca joga, é o Come, Bebe e Dorme.

Ceguinha(s): perna(s)

Cera (fazer): deixar o jogo lento inventando pretextos (reclamar do juiz, demorar tempo demasiado na cobrança de faltas, cair no chão simulando dores etc.).

Chaleira: quando o jogador, para debochar do adversário, trança as pernas, acertando na bola de pé trocado.

Chambão: modo violento de deslocar o adversário usando principalmente o tronco ou só os ombros.

Chapeuzinho: quando o jogador toca a bola por cima do adversário, e pega do outro lado; o mesmo que lençol.

Chavecar: fazer pouco do adversário

Chocolate (ganhar de / dar um): ganhar a partida com uma grande diferença de gols no placar

Chutar à meia-altura: chute dado quando a bola está na altura da cintura do jogador

Chutar na gaveta: quando a bola é chutada em um dos ângulos superiores da trave

Chutar no ângulo: o mesmo que chutar na gaveta

Chutar para o mato: chute forte, para qualquer lugar, dado pelo beque para afastar a bola de perto do gol.

Chutar rasteiro: chutar com a bola rente ao chão

Chute Belfort: quando o jogador salta, para acertar com os pés uma bola que vem à meia altura. Belfort Duarte foi o primeiro jogador que deu tal chute.

Chuveirar na área: cruzar a bola da lateral para dentro da área, pelo alto

Chuveirinho: o mesmo que chuveirar na área

Contrapé: algo que não se espera, pisada em falso, passagem inesperada.

Cozinha: campo de defesa

Cozinhar: retardar deliberadamente o jogo, embromar

Craque: jogador excepcionalmente talentoso e competente

Criança: a bola

Dar efeito: chutar de forma que a bola faça uma trajetória em curva

Dar o bote: quando o defensor pressiona o atacante. Relacionada à ação de uma cobra para capturar sua presa.

Dar o sangue: esforçar-se até os limites

Dar um olé: quando o time permanece durante muito com a posse de bola, trocando passes e humilhando o adversário.

Dar uma tijolada: dar um chute forte

Dar um tijolo: fazer um passe ruim

Debaixo das canetas: quando o jogador joga a bola entre as pernas do adversário

Dedão: chute dado com muita força

Dérbi: jogo entre dois clubes da mesma cidade ou região; por extensão, entre entre dois clubes muito importantes.

De trivela (chute / ou dar): chute dado com efeito, com o lado externo ou interno do pé.

Domingada: quando um beque erra uma bola fácil, diz-se que fez uma domingada. Alusão ao grande beque Domingos da Guia que, apesar de craque, de vez em quando fazia uma.

Do pescoço pra baixo é bola: jogo violento

Drible da vaca (ou do rabo da vaca): quando o jogador toca a bola do lado do adversário e a pega do outro lado. Pelé eternizou esta jogada na copa de 1970, no jogo contra o Uruguai, quando deu um baile no goleiro Mazurkiewicz. Ao chutar para o gol, porém, a bola caprichosamente raspou a trave e não entrou. Talvez a origem do nome esteja na expressão “a vaca foi para o brejo”.

Elástico: drible em que o jogador leva e traz a bola, esticando a perna como se fosse um elástico.

Embaixada / embaixadinha: quicar a bola com os pés, os joelhos ou a cabeça sem deixá-la cair no chão.

Enfiada (dar / levar uma / ganhar de): o mesmo que goleada

Entortar: dar drible espetacular

Escrete: seleção de jogadores

Estar prestigiado: jogador que está em evidência, famoso

Fazer como beija-flor: quando o jogador dá uma paradinha no ar e depois cabeceia a bola. Poucos a dominam. Dario dos Santos, o Dadá Maravilha, era um mestre neste tipo de jogada.

Fechar o gol: quando o goleiro pratica defesas constantes, impedindo o time adversário de marcar.

Figura: jogador importante

Filó: a rede

Finge-que-vai-e-vai: tipo de jogada eternizada por Mané Garrincha. Ele pegava a bola na direita. Parava. O marcador parava também. Ele fingia que ia correr para direita. O beque ia. Ele voltava. A cena se repetia algumas vezes, até que, por fim, quando o beque esperava novo fingimento, Garrincha saía com a bola, causando o delírio da torcida.

Finta: jogada visando superar o marcador; drible

Fintar: driblar

Firula: jogada desnecessária, de efeito, para humilhar o adversário e impressionar o público.

Folha seca: chute direto a gol, geralmente com a bola parada, cuja trajetória sofre uma queda súbita, surpreendendo o goleiro. Jogada criada por Didi (Valdir Pereira).

Frango (tomar um): quando o goleiro perde uma bola facilmente defensável e toma gol

Frangueiro: goleiro que toma muitos frangos

Furada: quando o jogador erra o chute

Galã do futebol: jogador bonito

Galera: grupo de torcedores

Gandula: rapaz responsável por apanhar as bolas que saem para fora do campo

Gastar a bola: diz-se do jogador que joga muito bem

Gaveteiro: juiz ou jogador que aceita suborno. Ao gaveteiro, costuma-se acrescentar o sobrenome FDP.

Geraldino: torcedor que freqüenta as gerais dos estádios.

Golaço: gol muito bonito, marcado com extrema perícia ou arte; expressão popularizada pelo jornalista Luís Mendes.

Gol contra: aquele marcado involuntariamente por um jogador contra a sua própria equipe.

Gol de bunda: gol feito de forma a humilhar o adversário, quando o atacante após vários dribles, abaixa e impulsiona a bola com as nádegas. Muito comum em peladas.

Gol de honra: o único gol marcado por uma equipe que sofreu uma derrota de muitos gols.

Gol de letra:  gol de calcanhar ou quando o jogador trança as pernas, mudando o pé que chuta.

Gol de peixinho: quando a bola vem baixa e o jogador atira-se para acertá-la com a cabeça.

Gol de placa: gol feito após uma jogada sensacional. O termo teve origem quando Pelé foi homenageado com uma placa após ter feito um gol memorável contra o Fluminense.

Gol do meio da rua: gol marcado com chute de longa distância, por exemplo, antes da imaginária linha intermediária.

Goleada: vitória por larga diferença no placar, o mesmo que enfiada.

Goleador: o mesmo que artilheiro

Gol olímpico: gol marcado em cobrança direta de um escanteio. Tem esse nome, porque o primeiro gol marcado dessa maneira, foi nos Jogos Olímpicos de 1924, na Antuérpia, por um jogador uruguaio.

Gorduchinha: bola

Guarda-meta (guarda-metas): goleiro; termo muito utilizado pelo locutor Sílvio Luís

Guarda-rede (guarda-redes): goleiro

Guarda-vala (guarda-valas): goleiro

Guardião: goleiro

Guiomar: a bola

Isolar (a bola): quando a bola é chutada para bem longe do campo

Japonês: jogador ruim de bola.

Jogar o fino: jogar bem e de forma elegante; jogar bonito

Jogar pedra: jogar mal; não saber jogar.

Lanterna(s): o(s) último(s) classificado(s) no campeonato

Lençol: o mesmo que chapeuzinho.

Mala preta: gratificação que um clube interessado na vitória de um dos times que vão jogar, oferece aos jogadores para um esforço maior. É o chamado suborno branco, ou seja, para que os jogadores se empenhem mais pela vitória.

Mandar um torpedo: dar um chute forte para o gol

Mão furada: goleiro que não consegue segurar os chutes dos adversários

Marcar perigo de gol: diz-se quando há um erro evidente de arbitragem em jogada de ataque.

Maria chuteira: torcedora que sempre quer transar com jogadores, versão futebolística da Maria Batalhão.

Maricota / Maricotinha: a bola

Marmelada: conluio entre participantes do jogo, a fim de que o resultado seja favorável a quem convém sair vencedor. Um caso clássico de suspeita de marmelada ocorreu no jogo Argentina x Peru, na Copa do Mundo de 1978.

Marta Rocha: jogador considerado bonito, em alusão à miss Brasil 1955

Mascarado: jogador que prende a bola demais e não passa aos companheiros

Mata-mata: jogos eliminatórios

Matar a bola: quando, após um passe onde geralmente a bola vem do alto, ela é dominada com elegância e destreza.

Matar de canela: quando o jogador mata a bola com a canela

Matar no peito: quando o jogador mata a bola com o peito

Meia-bicicleta: quando o jogador fica em posição horizontal e acerta na bola com um pé suspenso, de costas para o chão. Difere da bicicleta porque o outro pé ou se mantém no chão ou não é suspenso o suficiente.

Meia-boca: jogador em má fase, que não está em boa condição física

Meia-canja: meio-de-campo

Meia-lua: assemelha-se ao drible da vaca pelo fato da bola seguir por um lado do adversário e o jogador ir buscá-la pelo outro. Usa-se o termo quando ela é feita no meio campo sem ameaça de gol.

Menina: bola

Meter um saco: fazer muitos gols

Molhar a camisa (ou suar a camisa): esforçar-se vigorosamente pelo clube.

Morte súbita: tipo de prorrogação onde quem marcar o primeiro gol vence o jogo; tem o objetivo de encurtar a prorrogação e evitar a decisão por pênaltis.

Na gaveta: na junção da trave horizontal com a vertical

Nega: a bola

Negra: a última partida de uma série decisiva.

Nó (dar um): driblar

No meio das canetas: bola no meio das pernas

No pau: expressão utilizada por Sílvio Luis quando a bola, chutada para o gol, bate na trave

Olho no lance: expressão utilizada por Sílvio Luís em jogadas onde há a possibilidade de gol.

Olé: grito da torcida para evidenciar lances de dribles com o intuito de provocar a torcida adversária.

Onde a coruja dorme (ou faz ninho): ângulo de cima da trave

Ovinho: o mesmo que debaixo das canetas

Passar uma bola redonda: passar a bola em condições para um excelente lance

Passe de calcanhar: quando a bola é passada ao companheiro utilizando o calcanhar

Pedalada: quando a bola está parada e o jogador passa os dois pés, alternadamente, por cima dela, como se estivesse pedalando. Ronaldinho Gaúcho é mestre neste tipo de drible.

Pegar de calo (na bola): chutar utilizando apenas três dedos, causando um efeito especial à bola.

Pegar na veia: acertar a bola “em cheio” ou “com tudo”

Peixinho (ou peixe): jogador protegido pelo técnico ou pelo diretor

Pelada: jogo de futebol de várzea; o mesmo rachão

Pelota: bola

Pelotada: chute

Pelotaço: gol muito bonito; expressão criada pelo jornalista Luís Mendes

Pé murcho: jogador que tem chute muito fraco

Pepita: bola

Pereba: jogador muito ruim

Perna de chumbo: jogador que não é hábil com a bola

Perna de pau: o mesmo que perna de pau

Perneta: jogador ruim de bola

Peru: o mesmo que frango

Petardo: chute desferido com muita força

Pé torto: jogador que erra muitos passes

Pipocar: quando um jogador evita confrontos com o adversário para não se machucar.

Pipoqueiro: jogador ou time que na hora da decisão treme, falha, erra, vacila, amarela.

Ponta-de-lança: o jogador mais avançado da equipe

Problema que todo técnico gostaria de ter, o: excesso de bons jogadores

Pimba na gorduchinha: expressão criada pelo locutor Osmar Santos, utilizada quando a bola entrava em jogo.

Rachão: o mesmo que pelada

Redonda: a bola

Redondinha: a bola

Retranca: o campo de defesa; o time que fica na retranca joga recuado em seu campo de defesa.

Ripa na chulipa (na rapaqueca): colocar a bola em jogo, chutar a bola

Roubar a bola: quando a bola é tirada pelo adversário com habilidade sem o jogador perceber.

Rosca (dar de / meter de): ganhar a partida sem o time adversário fazer nenhum gol

Salto alto (jogar de/com): excesso de autoconfiança e conseqüente menosprezo pelo adversário

Sobrepasso: infração cometida pelo goleiro que, dentro de sua grande área, dá o quarto passo consecutivo com a bola nas mãos, ou quicando no campo.

Tanque: jogador forte, parrudo, atarracado; expressão cunhada pelo técnico Cláudio Coutinho em sua tentativa frustrada de criar um vocabulário específico para o futebol.

Tapete: o campo gramado

Testada: quando a é impulsionada com a testa

Tiro de canto: escanteio

Torcedor: adepto e simpatizante de um time; aquele que torce.

Torcida: grupo de torcedores

Tremer nas bases: ter medo do time adversário; ficar acuado.

Vendido: jogador que se deixa subornar

Véu de noiva: a rede

Vigia: goleiro

Virar a casaca: quando um jogador ou torcedor muda de time

Virar o fio: quando o preparo físico do time é comprometido devido ao desgaste sofrido com o excesso de competições.

Voleio: quase uma bicicleta. O jogador acerta a bola com os dois pés suspensos, só que em posição lateral com relação ao chão.

Xerifão: geralmente um volante ou zagueiro que marca muito e que impõe respeito ao adversário

Zebra (dar): resultado inesperado, quando o time surpreendentemente mais fraco vence a partida. Expressão criada na década de 40, pelo técnico carioca Gentil Cardoso, em alusão ao jogo do bicho, onde zebra não existe.

Zona do agrião: refere-se à grande área, onde todas as jogadas são de grande importância, tanto para quem ataca, como para quem se defende. O significado desta expressão está no cultivo do agrião, uma planta herbácea aquática, em terreno alagadiço, onde as pessoas têm que se movimentar com cuidado. Por extensão, região crítica. A criação desta expressão é creditada ao jornalista João Saldanha.

 

Agradecimentos especiais a Bernardo Moura, Carlos Ribeiro da Fonseca, Cláudio Márcio, Diogo Comba Canavezes, Fernando Cabral, Hugo Gonçalves, José Roberto Mil, Luciano Caseli, Rhodan Tolot, Rogério Duarte, Victor Gentilli e Vinícius Fontanela

 

Fontes

http://www.detrivela.com.br

http://www.mundodasgirias.hpg.ig.com.br

http://www2.uerj.br/cte/download/luiz_mendes.pdf

http://www.multirio.rj.gov.br/portal/_download/gira31.pdf

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