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| PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a
casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e
costumes; tipos populares... |
Luís R. de Almeida fez à Comissão Nacional de Folclore interessantíssima comunicação
sobre o lenço no folclore.
Creio nem todo mundo sabe que o uso do lenço, por quem quer, é conquista democrática.
Outrora, somente os cavalheiros, isto é, os nobres, podiam usá-lo e ainda assim, quando
dádiva de uma dama.
Posteriormente, veio em parte a vulgarização, mas era feio tirar-se em público um
lenço.
A imperatriz Josefina tinha a boca feia por causa da imperfeição dos dentes. Para
encobri-la, usava lenços bordados quando ria. Pelo espírito de imitação, que é o
característico das mulheres e daí o a que chamam de moda, as damas começaram a usar o
paninho bordado como o fazia a imperatriz e a coisa vulgarizou-se.
Era então o lenço mais objeto de luxo que de necessidade. Com ele ninguém se assoava.
Em caso de necessidade, o indivíduo apertava o nariz entre o polegar e o indicador.
Ainda hoje se diz a esse antigo sistema: assoar-se com lenço de cinco pontas, ou seja,
com a mão, onde há cinco dedos.
No tempo do romantismo, direi melhor, no meu tempo de menino, quando se via a namorada de
longe sem as facilidades de hoje, o lenço exercia o papel de telegrafia semafórica.
Posto de um modo, significava uma coisa; colocado de outro, significava coisa diversa.
E como dele abusaram os poetas! É notável o soneto em que Guimarães Passos mandava, à
namorada, o lenço côncavo de beijos.
O comunicante colheu algumas quadras para figurarem no folclore erudito.
Aqui vão umas:
Este lenço representa
A nossa grande amizade
Cada ponta, amor indica
Cada letra, uma saudade
Tenho umas letras no lenço
Que me ofereceu meu bem
O que dizem essas letras
Só eu sei e mais ninguém
Tenho um lenço de ciúmes
Ó meu amor, pra te dar
Com quatro nós tão bem dados
Que não posso desatar
Hoje, a não ser no bolso de algum almofadinha, mesmo porque o paletó vai sendo abolido,
o lenço é de utilidade absoluta.
(Melo, Mário. "O lenço no folclore". Jornal do Comércio,
Recife, 17 de fevereiro de 1954) |
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