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| OFICINA
- Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária;
artesanato; vendedores ambulantes; pregões... |
Mário Sette
Terra pernambucana, 9ª ed. São Paulo, Arquimedes, 1968, p.125-126 |
Antes do príncipe dom João, de Portugal, vir para o Brasil, em 1808, era severamente
proibido haver jornais no nosso país. Possuir uma tipografia constituía crime igual ao
de se conspirar contra o governo. Isto porque Portugal queria manter sua colônia na maior
ignorância a fim de dominá-la com mais força. Quem não sabe ler agüenta melhor a
escravidão, porque não avalia o que existe de liberdade em outros povos. Os brasileiros,
sendo em maioria analfabetos, não pensariam em independência, ou não dariam
importância aos que nisso falassem.
Feita, porém, a separação de Portugal, com o grito do Ipiranga, houve permissão para
circularem jornais e Pernambuco teve logo o seu: a Aurora Pernambucana. Mas, durou
pouco, e também tiveram vida curta outros periódicos que apareceram por essa época.
Mas, a 7 de novembro de 1825, os recifenses puderam ler uma folha diária que prometia
viver bastante: o Diário de Pernambuco. De pequeno formato, a princípio, com
quatro páginas, apenas trazendo um artigo de apresentação, anúncios, informações de
navios a sair ou de preços dos produtos da terra como açúcar, algodão, aguardente.
Ainda existia a escravidão e eram comuns avisos de negros fugidos ou oferecimentos de
venda de boas escravas para engomar ou vender bolos pelas ruas. Pouco a pouco, o Diário
de Pernambuco aumentava de formato, tornara-se noticioso, inseria clichês, refletia
toda a vida da província.
Posteriormente, no decorrer do século passado, muitas outras folhas apareceram, sendo
algumas bem notáveis na nossa imprensa, como o Jornal do Recife e A Província,
mas, somente o Diário de Pernambuco conseguiu viver até hoje, tendo mais de cem
anos de existência e sendo um dos três mais velhos jornais do Brasil e da América do
Sul.
(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida
brasileira; textos coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool,
1971/1972. Coleção canavieira, 7, p.268-269) |
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