Ano 5 - outubro  2002 - nº 50

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 50
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA

Os antigos jornais do estado de Pernambuco. O jornal mais velho, por Mário Sette.

"Um vizinho amigo reúne os seus camaradas (empregados) e convida outros amigos que com seus homens, em surdina, preparam um "ajudatório" de "surpresa" " Traição, por Regina Lacerda.

Os mercadores de livros e as leituras das ruas, por João do Rio

PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

O JORNAL MAIS VELHO

Mário Sette
Terra pernambucana, 9ª ed. São Paulo, Arquimedes, 1968, p.125-126


Antes do príncipe dom João, de Portugal, vir para o Brasil, em 1808, era severamente proibido haver jornais no nosso país. Possuir uma tipografia constituía crime igual ao de se conspirar contra o governo. Isto porque Portugal queria manter sua colônia na maior ignorância a fim de dominá-la com mais força. Quem não sabe ler agüenta melhor a escravidão, porque não avalia o que existe de liberdade em outros povos. Os brasileiros, sendo em maioria analfabetos, não pensariam em independência, ou não dariam importância aos que nisso falassem.

Feita, porém, a separação de Portugal, com o grito do Ipiranga, houve permissão para circularem jornais e Pernambuco teve logo o seu: a Aurora Pernambucana. Mas, durou pouco, e também tiveram vida curta outros periódicos que apareceram por essa época.

Mas, a 7 de novembro de 1825, os recifenses puderam ler uma folha diária que prometia viver bastante: o Diário de Pernambuco. De pequeno formato, a princípio, com quatro páginas, apenas trazendo um artigo de apresentação, anúncios, informações de navios a sair ou de preços dos produtos da terra como açúcar, algodão, aguardente.

Ainda existia a escravidão e eram comuns avisos de negros fugidos ou oferecimentos de venda de boas escravas para engomar ou vender bolos pelas ruas. Pouco a pouco, o Diário de Pernambuco aumentava de formato, tornara-se noticioso, inseria clichês, refletia toda a vida da província.

Posteriormente, no decorrer do século passado, muitas outras folhas apareceram, sendo algumas bem notáveis na nossa imprensa, como o Jornal do Recife e A Província, mas, somente o Diário de Pernambuco conseguiu viver até hoje, tendo mais de cem anos de existência e sendo um dos três mais velhos jornais do Brasil e da América do Sul.


(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida brasileira; textos coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool, 1971/1972. Coleção canavieira, 7, p.268-269)

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