Outubro
2000
Ano III - nº 26 |
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Um grupo de guerreiros de uma
valente tribo estava reunido em torno de uma fogueira. De repente, surgiu uma discussão
entre o jovem Piraúna, o maior nadador das redondezas, e o destemido Jaguaretê que, na
guerra era tão feroz como a fera da qual tinha o nome.
Encolerizado, Jaguaretê, que bebera muito caium, pegou o tacape e esmagou o crânio de
Piraúna. Revoltados com a crueldade do seu companheiro, os outros guerreiros amarraram
Jaguaretê no poste de torturas. Os parentes do morto tinham o direito de tirar a vida ao
matador.
Contudo, o velho Cruaçu, pai de Piraúna, declarou que não queria o sangue de
Jaguaretê, pois não fora ele que matara seu filho e sim Anhangá, o diabo, que fizera o
índio beber demais e tirar a vida de Piraúna. Jaguaretê foi então desamarrado do
poste. Devolveram suas armas e ele partiu, desaparecendo na floresta. Muitos anos depois,
alguns jovens caçadores da tribo descobriram no interior da mata, uma cabana isolada,
onde vivia um homem forte e de cabelos brancos.
Recebendo os jovens caçadores com gestos de cortesia, o velho serviu-lhes uma bebida
deliciosa, contou-lhes sua história.
Era Jaguaretê, o índio expulso da tribo, de quem os moços tinham ouvido falar por seus
pais.
Disse-lhes Jaguaretê que, na ocasião em que se internara na floresta virgem, caminhara
dias e dias até cair, quase morto de fome e de cansaço. No lugar em que tombara,
desfalecido, cresciam árvores que eram desconhecidas. Adormecendo, apareceu-lhe, em
sonho, a formosa deusa Cáa-Iari, protetora dos ervais, que lhe ensinara a preparar, com
as folhas daquelas árvores, uma bebida, a mesma que lhes servira.
Graças às propriedades maravilhosas dessa planta, que lhe restituíra as forças e lhe
dera novas energias, Jaguaretê escapara da morte, conseguindo conservar-se vigoroso e
sadio, durante o longo tempo em que viveu longe da sua querida tribo.
Eis porque o uso do cáa, nome que os índios dão à erva-mate se tornou hábito
de todas as tribos que vivem nas regiões do Brasil onde existem ervais.
(Compendiada por Teobaldo Miranda Santos em Vamos Estudar?, 3ª série primária,
p. 69-70. LACERDA, Regina (org.). Estórias
e lendas de Goiás e Mato Grosso.) |
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