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Outubro 2000
Ano III - nº 26

DOIS PASQUINS SOBRE ELEIÇÕES

Pasquim eleição de 1965

1
Fui ao Buraco da Onça
Que coisa, que sensação
Encontrei o João Batista
Envergado em macacão


2
Nas costas do vestimento
Havia um letreiro assim
Para o bem da nossa terra
Todos vão votar em mim


3
O zino falava alto
Furtado batia o pé
O Ida cuspia grosso
Vital olhava a maré


4
Andando pela cidade
Encontrei o Valentim
Vinha muito macambusio
Tinha o lado o Joaquim


5
Mas adiante na esquina
Do boteco do Bragança
O Guimarães discursava
Passando a mão pela pança


6
Valdomiro o tagarela
Lá no posto da saude
Dizia que brevemente
Tomaria uma "atitude"


7
O Vasconcelos coitado
Pensando no S. Francisco
Falou com seus botões
Nesta parada eu arrisco


8
Para encurta esta história
Que muito longe já vai
Afirmo que do buraco
Prefeito mesmo não sai


9
Também da Fornecedora
Será dificil sair
E o Zé do Pocinho, por fim
Terá motivo de rir


10
De bordo do S. Francisco
Se o tal ainda existisse
Talvez meus caros amigos
Por um buraco saisse


11
E para pôr fim a bagunça
Eis a minha opinião
Pra prefeito Conta – falo
E pra vice o Tontão. Fim.

(Recolhido em São Sebastião. Autor ignorado. Data da colheita: 17 de janeiro de 1960)


Pasquim eleição de 1959 - 4 de outubro

1
Minha gente está chegando
O dia da eleição
Pra se muda o prefeito
Cá de S. Sebastião


2
Candidato é que não farta
Tem mesmo inté de montão
Mais a causa é descobrir
Um cabra que seja bão


3
Guimarães, vulgo mão gorda
Diz que ganha as eleição
Pra passá na prefeitura
Um bigue de um vassorão


4
Valdomiro lá do posto
Pescador de profissão
Diz que se for eleito
Vai pescá tubarão


5
O Zico tá caladinho
Não diz que sim nem que não
Mas se fô pra prefeito
Vai vendê muito feijão


6
Valentim, bem de mansinho
Tá cavando votação
Pra se vice do Guimarães
E ajudá no vassourão


7
Ernesto vira casaca
Arrenegô os "cristão"
Entrô na chapa do Zico
Pra fazê tapiação


8
Alvinho, lá do correio
Tá querendo se afirmá
Do lado do Valdomiro
No partido do Ademá


9
O Didi pinchou a isca
E depois arrecolheu
Ficou do lado de fora
Com cara de zebedeu


10
Agora dou meu parpite
Pra quem quisé escutá
Do jeito que vão as coisas
O Zico que vae ganhá


11
O mão gorda pega mesmo
Um bom segundo lugá
Valdomiro na rabera
Na cama que vá chora


(Recolhido em São Sebastião. Autor ignorado. Data da colheita: 17 de janeiro de 1960)

(LIMA, Rossini Tavares de. O folclore no litoral norte de São Paulo)

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