
Um cearense, chegando ao Rio de Janeiro, entrou no restaurante para
almoçar. E ao falar, suas palavras sempre começavam pela letra F. E assim começou o seu
diálogo com a garçonete:
- Faça o favor!
- Que deseja o senhor?
- Fineza fazer frango frito.
Com que?
- Farinha, feijão e farofa.
Aceita pão, senhor?
- Faça fatias.
A esta altura, a garçonete ficou indignada, mas voltou a falar:
- Mais alguma coisa?
- Filé e fígado.
Terminado o almoço, a garçonete pergunta:
- O café está bom?
- Frio e fraco.
Como o senhor gosta?
- Forte e fervido.
De onde o senhor é?
- Fortaleza.
Como é o seu nome?
- Fulano Fagundes Ferreira.
O que o senhor foi na vida?
- Fui ferreiro.
Deixou o emprego?
- Fui forçado.
Por que?
- Faltou ferro.
O que fabricava?
- Ferrolho, ferradura, fechadura e ferragens.
Se o senhor disser mais seis palavras com a letra F, não paga.
Foi formidável. Ficando fiado, fico freguês.

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Do barão de Itararé
Os bancos da praça estão sempre
ocupados por desocupados
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Numa cidade interiorana estava o dono de um bar assistindo um programa de televisão.
Passa um conhecido na porta e o cumprimenta à moda do interior:
- Firme?
Ele respondeu:
- Não, futebor
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(Patativa do Assaré)
Quando ele viu um cabelinho branco
Na sua negra e farta cabeleira
Disse, com raiva e cheio de canseira:
Demora, diabo, que eu te pego e arranco!
Porém, o tempo, sério, rijo e franco
Que não gosta daquela brincadeira
Da planície o levou para a ladeira
E colocou bem no cimo do barranco
E hoje o vaidoso, sem consolo, chora
Bem diferente do que foi outrora
Doente e magro qual um esqueleto
Com um espelho quando se depara
Triste e choroso, sem prazer repara
Se ainda tem algum cabelo preto
São cinco paus e uma vela
A vida do jangadeiro
(Ofélia e Narbal Fontes. Companheiros, 1941, p.163)
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- Ando tão ruim de memória
Que nem calcula o senhor
.
E desde quando, senhora?
Desde quando o quê, senhor?
(Pedro Ornellas)
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Os dois ornamentadores
À rua do Ouvidor, entre a rua Sachet e a dos Ourives, cortada pela avenida, havia,
outrora, a Livraria Mongie, em frente à qual era estabelecido o cabelereiro Desmarais.
Temos os dois a mesma profissão, - dizeia o livreiro ao seu velho amigo de
palestras à porta. Ambos nós adornamos as cabeças.
E concluía:
- Eu por dentro, e você por fora!
(Moreira de Azevedo. Mosaco Brasileiro. Em CAMPOS, Humberto. O Brasil
anedódico)

Quando a barriga está cheia, toda goiaba tem
bicho
Confiança não se dá, nem se toma emprestado, conquista-se
Impossível é o rato fazer o ninho na orelha do gato.
De uma caminhada fazer dois mandados
Barcos de muitos mestres dá na costa.
Palavra dada, vida empenhada.
Palavras ditas, pancadas dadas.
O que não tem remédio, remediado está.

O espelho reflete sem falar, e a mulher fala sem
refletir
O melhor movimento feminista continua sendo o dos quadris
Meu pensamento continua onde a mini-saia termina
Só as mulheres que variam de homens podem dizer que os homens são todos iguais
Muitos me seguem, mas só um me acompanha
Cachorro é amigo do homem porque não conhece o dinheiro
Mini-saia e prestação
quanto mais curta melhor
As mulheres são como fósforo, quando se incendeiam, perdem a cabeça
Arruaça de rico é festa, festa de pobre é arruaça
Estou transportando cana, mas não carrego bagaço |