Recolhemos aqui alguns termos de alguns
vocabulários mais à mão, relacionados com o couro. Começamos com o Vocabulário
Pernambucano, de Pereira da Costa.
Bacalhau: Azorrague de couro cru, trançado
ou retorcido, de dias ou mais pernas.
Borracha: Saco de couro usado no sertão para conduç!ao dágua em
viagem.
Breve: Saquinho de pano ou couro, contendo uma oração qualquer, muitas
vezes banal, pendente do pescoço por uma fita ou torçal.
Bruaca: Saco de couro cru para a condução de matalotagem.
Carona: Manta de couro fino, curtido, que se coloca sobre a seda, com
bolsos, em forma de alforjes.
Casaca de couro: O sertanejo, em alusão às vestes que o mesmo usava em
serviço, feitas de couro.
Correia: Instrumento de castigo, composto de duas ou três pernas, ou
tiras de sola, presas nas extremidades superiores.
Courinho: Pele de cabra, seca, para exportação, proveniente das zonas
centrais e sertanejas.
Couro: Bacalhau, peia, relho.
Encourado: Coberto, revestido de couro.
Gibão: O casaco da véstia de couro
do sertanejo.
Guarda-peito: Peça do vestuário de couro do sertanejo.
Macaca: Relho ou chicote de couro de cabo curto, usado pelos carroceiros.
Matulão: Surrão ou alforje de couro, em que os sertanejos conduzem às
costas a roupa e utensílios de viagem.
Mocó: Alforje de couro para levar comida.
Peia: Peça de couro ou de corda com que se prende os pés do cavalo para
não se afastar do campo de pastagem.
Véstia: Roupa de couro de viado de capoeira, ou outro qualquer animal, o
gibão, o peitoral, perneiras e chapéu, usada pelos sertanejos nas suas montarias e
torneios.
No seu Dicionário de vocábulos brasileiros, Beaurepaire-Rohan arquiva mais os
seguintes:
Anoque: Aparelho para a fabricação da decoada.
Couro quadrado preso lateralmente a quatro varas mais curtas que os lados respectivos e
assentados sobre quatro forquilhas, formando uma concavidade.
Badana: Pele macia lavrada, que se põe por cima do coxonilho.
Bangüê: Espécie de liteira rasa com teto e cortinado de couro,
conduzido por duas bestas. Aparelho de couro igual ao anoque.
Bolas: Três guascas (tiras de couro) de pouco mais de 66 centímetros de
comprimento, presas entre si por uma das extremidades, e as outras terminam por pedras
esféricas forradas de couro.
Chiqueirador: Chicote composto de um cacete com uma tira de couro torcida
ou chata, em uma de suas extremidades.
Chinchador: Peça de ferro ou de couro presa à chincha, com uma argola,
na qual se prende a extremidade do laço oposta à outra.
Cinto de couro: Cinta larga de couro cru em cujas extremidades há
ilhoses por onde aperta com tiras de couro, pelas costas à semelhança dos espartilhos de
senhoras.
Colhera: Tira de couro cru, com anilhos nas extremidades.
Couraça: Vestimenta de couro usada pelos sertanejos.
Courear: Extrair o couro do animal.
Estaquear: Estender um couro e entesá-lo por meio de estacas fincadas no
chão para o fazer secar.
Garroteado: Diz-se do couro que, convenientemente sovado e batido,
torna-se nimiamente macio: couro garroteado.
Garrotear: Sovar e bater o couro até amaciá-lo bem.
Guasca: Tira de couro cru.
Guaiaca: Bolsa de couro presa a uma cinta, na qual o viajante guarda
dinheiro e outros objetos de pequenas dimensões.
Laço: Corda de couro trançado de 15 a 25 metros de comprimento, com um
nó corredio em uma das extremidades.
Látego: Tira de couro cru de 1,30 m de comprimento por 40 cm de largura,
com a qual se apertam os arreios; faz parte da chincha.
Ligá: Couro cru, de boi, com o qual se cobrem as cargas transportadas
por animais, para preservá-las da chuva.
Lonca: Couro que se raspou o pelo.
Manêa: Correia de couro trançado com que se peiam os animais.
Maneador: Tira de couro cru garroteada, que serve no Fiador ou Buçal.
Manguá: Correia com que se açoitam os animais.
Mataboi: Correia de couro cru que nas carretas prende o eixo ao leito
para firmar os cocões.
Patuá: Bolsa de couro de que se servem os sertanejos para o transporte
de favos de mel. Também espécie de amuleto, saquinho de couro contendo coisas a que
atribuem virtudes milagrosas.
Pelego: Pele de carneiro, quadrada e com lã.
Pelota: Vaso em forma de cesto, feito de um couro inteiriço de boi, e
serve de barco na passagem de rios.
Perneira: Espécie de bota de couro cru garroteado.
Tiraí: Azorrague de couro cru. O mesmo que bacalhau.
Regeira: Corda de couro que na junta de boi lavradores se ata, por suas
extremidades, na orelha de cada um deles, ficando o seio nas mãos do lavrador para
guiá-los.
Sobrechincha: Tira de sola comprida, que aperta os arreios por cima do
coxonilho ou da badana.
Socado: Lombilho de cabeça alta, feito
ordinariamente de couro cru.
Tabaque: Espécie de tambor feito de um tronco oco, guarnecido de couro
em uma das extremidades. No extremo-norte é Carimbó (Raimundo de Moraes).
Tentos: Pequenas tiras de couro cru.
Tiradeiras: Tiras de sola ou couro cru, entre as quais vão presas as
bestas que puxam as almanjarras ou as carretas.
Tirador: Pedaço de couro cru sovado, que os laçadores põem em redor da
cintura, para agüentar o puxão.
No Vocabulário gaúcho, de Roque Callage, recolhemos os seguintes:
Buçal: Peça de couro que se coloca na cabeça e no pescoço do cavalo e
faz parte dos arreios.
Cabeçada: Peça de metal ou de couro que, presa às argolas do freio,
segura este na boca do cavalo.
Cabresto: Peça de couro pela qual se puxa ou se amara o cavalo, e que é
presa ao buçal.
Canas: As tiras de guasca nas rédeas.
Destaquear: Retirar o couro das estacas.
Estaqueador: O que estaqueia o couro nas competentes estacas.
Estaquear: Estirar o couro por meio de estacas para secá-lo.
Fiel: Tira de couro atada em forma de anel no cabo do relho ou do rebenque e que serve para
se enfiar a mão.
Ligário: Couro de terneiro tirado de modo a se poder fazer dele uma
carona.
Garrear: Tirar as garras do couro do animal.
Lonqueador: O que lonqueia o couro da rês.
Lonquear: Tirar com a faca os pelos do couro ainda fresco, sem cortar a
pele do mesmo.
Loros: Tiras de guascas ou correias que suspendem os estribos.
Paracatas: Sapatos grosseiros feitos com couro de garrão,
enfiados com tentos.
Peiteira: Peça de couro dos arreios que cinge o peito do animal.
Pessuelos: Mala de couro, repartida ao meio, que se carrega à garupa do
cavalo.
Rabo de tatu: relho grosso, todo de couro trançado, com argola de metal
ou de ferro na extremidade em que se segura.
Rebenque: Chicote com uma palma de couro na extremidade e cujo cabo é
retovado.
Retovar: Cobrir com couro qualquer objeto de uso campeiro.
Retovo: Coberta de couro que se costura sobre qualquer objeto de uso
campeiro.
Soga: Corda ou guasca comprida destinada a atar o cavalo na estaca ou no
pau de arrasto.
Soveu: Laço comprido muito forte com dois ou três ramais de tentos que
serve para laçar.
Tarca: Pedaço de couro onde se anota, por meio de pequenos cortes a
canivete, o número de terneiros marcados durante o dia e os que nascem.
(GOULART, José Alípio, O
ciclo do couro no nordeste.) |
 Alforje:
duplo saco, fechado nas extremidades e aberto no meio, formando como que dois bornais, que
se enchem equilibradamente, sendo a carga transportada no lombo de cavalgaduras ou ao
ombro de pessoas
Azorrague: açoite, chicote
Cocão: peça sobre a qual gira o eixo do
carro de boi
Coxonilho: manta, geralmente de lã, que
se põe sobre os arreios para comodidade do cavaleiro
Decoada: água onde se ferve cinza, e que
geralmente é usada para branquear roupa
Garrão: jarrete do cavalo
Lombilho: o apeiro que substitui, nos
arreios, a sela comum, o selim e o serigote
Matalotagem: provisão de víveres
Nimiamente: excessivamente,
demasiadamente
Rebenque: pequeno chicote
Relho: chicote de couro torcido
Tento: atenção, cuidado, cálculo |