AS IRMÃS TATAS
Eram quatro irmãs tatibitates e a mãe delas tinha muito
desgosto com esse defeito. Como as queria casar, aconselhava que não falassem diante de
gente estranha dando uma impressão má.
Quem falar não casará -, ameaçava a velha.
Uma vez, saíra a mãe, e as quatro moças estavam em casa quando apareceu um rapaz bem
vestido, pedindo um copo dágua para beber. A mais velha correu para buscar a bilha, mas o fez tão estouvadamente que lhe escapou das mãos e
espatifou-se no chão.
A moça, não se contendo, exclamou:- Lá si quêbou a tatinha de mamãe! (Lá
se quebrou a quartinha de mamãe!)
A segunda:
- Que si quêbou, que si québásse! (Que se quebrou, que se quebrasse!)
A terceira, lembrada das recomendações maternas:
- Mamãe num dissi que a genti num fáiásse? (Mamãe não disse que a gente não
falasse?)
A última, tranqüila pela sua conduta:
- Eu cumu nun faiêi, cazaêi! (Eu, como não falei, casarei!)
MOSTRANDO AS PRENDAS
Três moças vaidosas receberam presentes muito bonitos, um anel, um par de brincos e uns
sapatinhos de baile, todos obra de luxo e vistosos.
Um dia receberam elas uma visita e para mostrar os presentes, chamando atenção sobre os
mesmos, imaginaram uma cena que foi assim:
A mais velha, apontando com o dedo onde brilhava o anel, indicou a sala:
- Negra, vai varrer esta sala!
A do meio, sacudindo a cabeça e fazendo faiscar os brincos, completou:
- Que sala suja!
A última, passando o pé no chão, concluía:
- Neste canto já está limpo! Neste canto já está limpo!
E as três mostraram as ricas prendas que tinham recebido.
(CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil) |
 Bilha
Vaso bojudo, feito geralmente de cerâmica, de gargalo estreito, com ou sem alça
pra conter água; Moringa, quartinha.
Quartinha O mesmo que bilha.
Tatibitates Pessoas que falam trocando
certas consoantes; Gago, tartamudo. |