Em Portugal a festa é realizada em Amarante
no dia 7 de junho e dedicam-lhe uma semana de festejos, com procissões, bandas de
música, folguedos populares, etc.. No Brasil, atualmente não há dia determinado; aliás
não fazem mais festas, romarias para o santo (outrora 10 de janeiro) somente oferecem-lhe
uma dança e reza, cerimônia que ocorre sempre que alguém lhe tenha feito promessa e
alcançado uma graça.
Geralmente a dança é realizada no sábado à noite. Apesar de ser muito demorada, em
alguns lugares, dançam a seguir, até o amanhecer, o fandango, xiba, cateretê, cururu,
etc.. Os dançadores "folgazões" terão o domingo para descansar.
Uma pessoa, tendo feito promessa para São Gonçalo, convida seus amigos, vizinhos e
violeiros para a realização da dança. É sempre executada dentro de uma casa, e em
alguns lugares mais afastados, onde é frouxo ou inexistente a vigilância dos padres e
nos bairros mais afastados dos municípios, é dançada dentro de uma capela. O caráter
religioso "ex-voto imaterial" é o de ser dançada somente
na frente do santo, fora dessa circunstância, não a realizam. Sendo uma dança de
caráter religioso, há muito respeito e o dono da casa que a patrocina para o cumprimento
de promessa, antes do início apela para os presentes, solicitando-lhes respeito devido,
para não haver risadas, namoros e não fumarem no salão, "porque é uma dança de
respeito e de religião".
Dançá-la implica no recebimento de uma graça, por isso mesmo todos querem participar de
"uma volta": reumáticos, encarangados... e as solteironas para conseguirem
casamento.
A dança de São Gonçalo, não é de roda e sim de duas colunas. Dançam homens e
mulheres, pares soltos sem enlançar. A coreografia é muito simples. Em algumas regiões
há pateios, noutras não. Em alguns lugares as evoluções são feitas em passo de
marcha. Não há indumentária especial. Em algumas regiões, por ser "dança de
religião", os sangonçalistas a dançam descalços, noutras não há necessidade de
obedecer este ritual, usam calçados.
Os caipiras e caiçaras não concebem e não conhecem a imagem de São Gonçalo sem a
viola na mão. Em Portugal, São Gonçalo do Amarante não trás consigo a viola. Só no
Brasil! O São Gonçalo com a viola na mão é coisa brasileira! É uma contribuição
nossa à religião; sua iconografia atual é uma consagração da viola o
instrumento do meio rural. Os violeiros tem São Gonçalo como seu padroeiro
"porque é um santo folião".
São Gonçalo do Amarante
protetor dos violeiro,
venha beijá São Gonçalo
que é o santo casamentêro.
São Gonçalo do Amarante não é conhecido apenas pela vida de santidade que levou, pelas
obras arquitetônicas que fez, mas a imaginação popular criou a lenda de que o santo é
casamenteiro das velhas. Uma das quadras mais populares e conhecidas em quase todo Brasil
cantada na dança é:
São Gonçalo do Amarante
casamentêro das velhas
fazei casar as moças,
que mal fizéro elas?
Além dos motivos medicinais o de fertilidade:
São Gonçalo ajudai-me
de joelhos eu imploro,
ajudai-me pra que eu case
com o moço que eu adoro.
(ARAÚJO, Alceu Maynard. Documentário
Folclórico Paulista e Instrumentos Musicais e Implementos) |
Dança
de São Gonçalo
A dança de São Gonçalo é uma festa promovida por alguém, em agradecimento ao santo
violeiro por uma graça alcançada. Compõe-se de duas partes; uma religiosa, e a outra
profana. Primeiramente os folgazões fazem orações diante do altar, onde se encontra o
santo homenageado, geralmente rodeado de outras imagens de santos.
O violeiro, que é o chefe da dança, coloca-se ao lado esquerdo, e no direito seu
primeiro auxiliar, chamado de "contrato" (corruptela de contraalto). Por trás
do mestre de dança, fica outro auxiliar, designado "tipi", sem viola, o mesmo
acontecendo com o segundo violeiro. Os dançarinos postam-se atrás dos dois elementos
corais, em duas filas, guardadas as devidas distâncias. O mestre fica à testa da fila
esquerdas. A fila direita, encabeçada pelo violeiro, desloca-se sempre obedecendo os
sinais dados com a cabeça pelo mestre. O violeiro e seus auxiliares avançam até o
altar. Os dançarinos então escolhem seus pares e vão se colocando em fila. Quando a
postos, o mestre da dança ordena aos folgazões que se ajoelhem e rezem.
As violas desencadeiam um ritmo lascivo, em compasso de verdadeiro lundu. A dança começa
e o entusiamo apossa-se dos participantes. As mulheres movimentam-se, remexendo as ancas,
saltando em louvor de São Gonçalo. Os homens acompanham os rebolados sensuais com
interesse. Puxam fileiras, dão umbigadas, lembrando as famosa saturnais romanas.
A prosmicuidade do vice-rei de parceria com os cavalheiros de sua casa, com monges negros,
anulando todas as diferenças sociais, em ostentiva provocação dos sexos, levou a igreja
católica a proibir esta dança.(BARRETO,
Felicitas. Danças do Brasil) |