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Ir para a página principal O canto dos cegos ao pedirem esmolas nas estações:
Meus irmãos, me dê uma esmola,
Não tenham pena de dar,
Abandonem seu coração,
Tenham dó de meu penar!

Eu sou cego de nascença,
Tenho sofrido demais:
Grande foi a malquerença
Do Bom Jesus a meus pais!

Valei-me, Nossa Senhora,
Valei-me, meu São Abrão,
Acendei a caridade
No peito dos meus irmão!

Meus irmão, me dê uma esmola,
Que eu lhes peço é com amor,
É pela luz dos seus olhos
Que a minha já se acabou

A desgraça de quem pede
É ser sujeito a quem tem…
Um pecador falta a outro,
Mas Deus não falta a ninguém!

Perdi a luz de meus olhos,
Perdi todo os cabedá
Deus lhe livre desta sina,
Já que eu não posso livrar!

Meus irmão, a sua vista
Conserve Santa Luzia,
Pra não andarem penando
Como eu peno, todo dia

Quando Deus andou no mundo,
A São Pedro disse assim:
Quem não quer pobre na porta
Não me quer também a mim…

(Quadrinhas coletadas por Leonardo Mota. Violeiros do Norte.)
Eu peço é por caridade
Cristão, filho de Maria,
Se eu tivesse a minha vista,
Trabalhava e não pedia

Meus irmão, me dê uma esmola,
Abrandem seu coração,
Tenham pena de quem vive
Somente na escuridão!

Meus irmão, me dê uma esmola
Que eu não posso trabalhar
E mais tem Nossa Senhora
Jesus Cristo pra lhe dar!

Valei-me, Nossa Senhora,
E os anjos digam amém,
Que a Santa Mãe do Amparo
Não desampara ninguém

Quando um cego pede esmola
E arrecebe, incontinenti,
As porta do céu se abre,
Deixa entrar um penitente!

Nossa Senhora lhe pague,
Jesus lhe queira valer
Da tentação do maldito,
Quando for pra vós morrer

Deus lhe pague a santa esmola
Deus lhe dê com que passar,
Lhe livre da gente falsa
Que hoje em dia é o que há

Meus irmão, me dê uma esmola
Nem que seja dum vintém
Quem tem a luz de seus olhos
Tenha dó de quem não tem!

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