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A jangada em duas poesias:

Cinco paus mal seguros e enlaçados
Rompem os ventos pérfidos e irosos:
Neles confiam mais que venturosos
Dois pescadores nus e desgraçados.
Essa prancha que em saltos arrojados
Corta o mar como os lenhos poderosos,
Resume a vida, a fé – resume os gozos
Dos miseráveis rotos e esfaimados.
Nós também, alma minha, as desventuras
Bem conhecemos: - forte e esperançada
Sulcas do mundo o pranto e as vagas duras.
Que importa! A crença é tudo e a morte é nada,
E neste fundo abismo de amarguras
Uma esperança vale uma jangada.

(GUIMARÃES JÚNIOR, Luiz. Sonetos e rimas. 1880, p. 161)

O jangadeiro amoroso
Vai nas ondas a cantar,
E a jangada aventuroso
Vai levando sobre o mar
Enquanto as ondas prateadas
Vão cantando o seu poema
E nas brisas perfumadas
Ouve-se a voz de Iracema
Nas campinas de esmeralda
Tão verde! Da cor do mar,
Do sol ao brilho que escalda
Vai-se um povo a trabalhar.

(Estrofes de uma poesia de Valentim Magalhães, publicada na Gazeta de Notícias)

 

O uso da jangada no Brasil, remonta à época colonial. A maior delas é a de sete paus, havendo por exceção algumas de dez. A mais popular, porém, é a de seis, embora o modelo histórico fosse de quatro paus. As peças roliças, feitas de apeíba (pau-de-jangada), mulungu ou piúva (ipê), compõem o lastro. O comprimento pode variar de cinco a oito metros, e a largura de um metro e meio a dois metros.

A jangada deve ser construída dentro da água, para que os paus não se desunam com a imersão; tem a duração de um ano, depois do que deve ser desfeita para que os paus sejam postos a secar. A tripulação de cada uma costuma ser de quatro homens: mestre, proeiro, bico-de-proa (ou rebique, no Ceará) e contra-bico. O mastro é aproximado da proa. Um remo de governo, de movimento vertical, é que impõe o rumo à jangada. Na divisão do pescado cada homem tem sua marca especial. O do mestre é o peixe sem sinal. Do proeiro, o peixe parcialmente cortado na cauda. O riscado na cabeça é do contra-bico. O peixe do bico-de-proa tem a cauda toda cortada.

(In: Grande enciclopédia Larousse Cultural.


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