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365 igrejas, a Bahia tem...
Cantou Caymmi; não sei se contou... Eu
não, mas acho que se contasse encontraria mais...
A Bahia é assim. Mística, cheia de magias e segredos. É um lugar onde definições
definitivas não têm espaços. O que é Bahia? o que é baiano? Os baianos
costumam confundir a cidade do Salvador com Bahia; no interior, quando alguém vai a
Salvador, costuma dizer que está indo para a Bahia...
Não pretendo contestar Caymmi, nem pesquisar folclore, sincretismo ou cultura
afro-brasileira para justificar qualquer coisa. Nasci no Rio Grande do Sul mas vivo há
trinta anos na Bahia e aqui já me adaptei à sucessão de festas religiosas que se
prolongam por todo ano e aí concordo com Caymmi, pois quase todo dia é de festa. Só o
carnaval é pagã, as outras são religiosas.
Em Belém do Pará destaca-se o Círio de Nazaré. Em Aparecida do Norte, São Paulo, a
festa de Nossa Senhora Aparecida. No Rio de Janeiro, a festa da Penha.
Em Salvador (ou na Bahia como queira) existe uma infinidade de festas religiosas algumas
menos expressivas, mas outras com grande expressão, talvez comparáveis com as maiores do
Brasil. Dia 4 de dezembro inicia o que chamamos de "Ciclo de Festas Populares"
com a festa de Santa Bárbara que só termina na festa de Itapoã, um dia antes do início
do Carnaval.
8 de dezembro é a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia (uma grande procissão,
traz a imagem do Senhor do Navegantes da igreja da Boa Viagem para a Conceição da
Praia). A festa se estende até o dia 17 de dezembro. Aí, uma paradinha de duas semanas
para os preparativoes e festas de Natal e Ano Novo...
Ainda sob a ressaca do reveillon, centenas de embarcações participam da
procissão marítima que leva o Senhor dos Navegantes de volta a sua igreja; milhares de
pessoas postam-se à margem da baía de Todos o Santos, desde o porto da Barra, até à
praia da Boa Viagem para assistir o cortejo. Dia 6 de janeiro, na cidade velha, começam
os tradicionais Ternos de Reis. Na segunda quinta-feira de janeiro é a festa do senhor do
Bonfim, onde centenas de milhares de fiéis acompanham desde a Conceição da Praia, o
retorno da imagem para sua igreja na Colina Sagrada. Segunda-feira é a festa da Ribeira.
Dia 2 de fevereiro é a festa de Iemanjá (Nossa Senhora dos Navegantes) que atrai também
centenas de milhares de pessoas para o bairro do Rio Vermelho onde levam suas oferendas
para a Rainha das Águas.
Entre outras, sucede-se a festa da Pituba, de Itapoã que termina quando inicia o
Carnaval. Na Bahia, pelo sincretismo religioso, mistura-se catolicismo com candomblé; nas
procissões entoam-se hinos religiosos simultaneamente com pontos de camdomblé e axé
music. Trios elétricos sempre presentes, muita dança, animação. Na procissão dos
Navegantes e na festa de Iemanjá, aparecem também escunas elétricas (uma versão
aquática dos trios elétricos).
Sem comparar com as grandes e tradicionais festas religiosas do Brasil, as da Bahia são
também grandes, tradicionais mas diferentes, talvez pelo jeito de ser dos baianos...
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ANTÔNIO MACCHI JR.
nasceu em 1938, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho de pai de origem
italiana e mãe de origem sueca. Contador, administrador de empresas e produtor de
software. Vive em Salvador desde 1970.
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