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O PADRE E O MENINO ESPERTO
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| - Papai foi plantar
o que não nasce. E sua mãe? - Foi trabalhar para comer ontem. Esperarei que eles cheguem declarou o padre, fechando a carranca. Os pais do menino se demoraram muito; porém, quando apareceram, lá estava o padre sentado, esperando, e aí não mais de carranca fechada, e sim todo sorridente. Que menino esperto esse seu filho! disse ele ao casal. É muito inteligente. Quando eu vinha para cá, ele me disse que o gado do seu pai atravessava o rio com água pelo peito. É verdade falou o pai -, nós criamos patos, eles não afundam. O padre disfarçou uma careta. Pois é disse ele, sorrindo amarelo. Ele disse que a senhora tinha ido trabalhar para a família comer ontem. Está certo disse a mãe. Fui fazer pães para pagar uns que tomei de empréstimo. Ele disse também que o senhor foi plantar o que não nasce. É isso mesmo disse o pai. Fui ao enterro de um dos meus amigos. "Esse moleque me fez tomar um banho no rio, e quase morrer afogado, mas ele me paga" pensou o padre. E continuou em voz alta: - Se os senhores não se incomodassem, eu levaria o menino comigo. Ele é tão inteligente, que é pena deixá-lo ma roça, onde o mais que poderá aprender é carpir, cuidar de plantações de milho e feijão miúdo. Se for comigo, será diferente. Frequentará escolas, e poderá vir a ser um grande homem Tanto falou, tanto insistiu, que conseguiu o consentimento dos pais do menino e o levou para a cidade. Mal chegaram, o padre perguntou: - O que é isto onde moro? - Casa respondeu o garoto, prontamente, um pouco admirado da pergunta. Não é casa, é traficância. Você vai apanhar, para não falar mais bobagem. Pegou um chicote e deu-lhe umas lambadas na perna. - O que é que eu sou? - Padre. - Não está certo. Sou papa-cristo. - O que é minha empregada? - Mulher. Não é mulher, é folgazona. E dava-lhe de chicote. O que é isso, menino? dizia, abrindo a torneira. Água. Não é água, é abundância. Que é isto? - É um gato dizia o menino amedrontado. Não é gato, é papa-rato. E isto? - Fogo. Não é fogo, é esquenta-mundo. E batia de chicote no garoto. Quando se cansou, guardou o rabo-de-gato e foi dormir a sesta. Então, o menino pegou o gato, amarrou-lhe um feixe de sapé no rabo e pôs fogo. O bichano, sentindo o rabo queimar, correu pela casa, espantado, e foi parar no telhado, miando desesperadamente. Em pouco tempo, ateou fogo à casa. O menino, vendo o estrago feito, trancou a porta do quarto onde dormia o padre, amontoou os móveis diante dela, e começou a gritar, com toda a força dos pulmões:
O padre acordou e começou a berrar: |
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