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CAJU
O caju, fruto do cajueiro (Anacardium
occidentalis), é a mais popular das frutas brasileiras no norte e nordeste. A mais
remota descrição do cajueiro foi feita por André Thevet em 1558, em Singularidades
da França Antártica. Para ele, "o caju era semelhante a um ovo de pato".
A vitalidade do fruto, que mantém as suas propriedades germinativas durante muito tempo,
possibilitou o transporte da planta por distâncias enormes, sendo a presença do cajueiro
na África, Ásia e Oceania, posterior à chegada do português no Brasil, que foi o
centro irradiante do Anacardium.
A árvore adulta, em seu ambiente ideal pode chegar a medir entre quinze e vinte metros de
altura. O tempo avoluma a copa, e os galhos passam a se espalhar, dando a impressão
de uma verdadeira alameda de uma única árvore. A cor das folhas varia entre uma escala
de diversos tons roxos e verdes.
A floração se dá entre outubro e novembro, e a frutificação entre dezembro e janeiro.
Um cajueiro nordestino produz em média três mil frutos. Um caju sadio mede de seis a
doze centímetros e tem o sabor doce e adstringente.
Normalmente, o povo classifica o caju como um fruto com um caroço único, a castanha, do
lado de fora. Porém, segundo a botânica, a castanha é um aquênio, ou seja, o
verdadeiro fruto.
O cajueiro é elemento popular da marcação do tempo. Segundo o calendário dos tupis,
acaju também significava ano, coincidindo com o ciclo de frutificação do cajueiro.
Portanto, em cada ano, guardavam uma castanha da fruta em uma cabaça, sabendo assim a
quantidade de anos já vividos. Daí veio a sinonímia popular para caju: ano.
A árvore tem muitas aplicações na medicina popular: o cozimento das
cascas é recomendado para o tratamento da astenia (fraqueza), da clorose, debilidade muscular,
glicose na urina e secreção exagerada de urina. Também é utilizado em gargarejos para
combater inflamações da garganta e aftas.
A planta serve ainda para debelar afecções catarrais, tosses rebeldes,
bronquites, escorbuto, cólicas intestinais, doenças da pele, escrofulose, oftalmias, icterícia, psoríases,
dispepsias. Constitui um eficiente afrodisíaco e é também um ótimo remédio contra
diabetes.
As raízes são purgativas; o caule tem propriedades adstringentes; as folhas são
indicadas para tratamento de pele e de cólicas intestinais. Dizem também que suas
pequenas flores verde-avermelhadas são afrodisíacas. |
Nascem duas irmãs algemadas, come-se uma crua, a outra assada. Quem
são?
(veja a resposta
no final da página)
CAJUEIRO
(Jackson do Pandeiro e Raimundo Baima)
Cajueiro, êê, cajueiro ê-á
Cajueiro pequenino
Todo enfeitado de flor
Eu também sou pequenino
Carregadinho de amor.
Tradicional cajueiro
Dos meus avós traz lembrança
Testemunha evocativa
Dos meus tempos de criança.
O cajueiro não dá coco
Coqueiro não dá limão
O amor quando é de gosto
Não produz ingratidão.
Não sou besta
como o caju, que nasce com a cabeça para baixo.
(João Peretti, Cajueiro)
O amor de homem
casado
É como o caju chupado
É um beco sem saída
É um caneco amassado
Para saber
mais:
- MOTA, Mauro. O cajueiro nordestino. Rio de Janeiro, Serviço de Documentação do
Ministério da Educação e Cultura, 1956. |