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Na parede do boteco

Freguês educado não cospe no chão, não pede fiado e não diz palavrão.

Fiado? Só em dia feriado, que o boteco está fechado.

Fiado só se faz a um bom amigo, e o bom amigo nunca pede fiado.

Eu tenho vergonha de lhe dizer não, por isso não peça fiado.

Use aqui o seu crédito imediato, coma, beba, e pague no ato.

Fiado só amanhã!

Não passe sem parar,
Não pare sem entrar,
Não entre sem gastar,
Não saia sem pagar.

O fiado me dá pena
E a pena dá cuidado
Me vejo livre da pena
Não lhe vendendo fiado.

Caldo de galinha é canja
Conversa não é valentia
Tudo com dinheiro se arranja
Nesta casa não se fia.

Se vem por bem, entre
Esta casa é sua
Mas se vem pedir fiado
Não entre, fique na rua

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Papagaio come milho
(Antônio Sales)

Na arte de milho furtar
Um papagaio silvestre,
Que não sabia falar,
Mas era um exímio mestre
Tendo um dia descoberto
Vasto milharal supimpa,
Foi chamar seu bando esperto
Para dar nele uma limpa.
Ausente achava-se o dono,
E aquela quadrilha audaz
No roçado em abandono,
Comeu a não poder mais.
Regressando, o dono viu
O estrago do seu roçado
E de cólera rugiu
Contra o ladrão desfaçado.
Naquele momento, um bando
De inocentes periquitos
Na cerca pousou aos gritos,
E logo o dono, empunhando
Sua mortal carabina
Gritou: "São vocês bandidos?"
E com tiros repetidos
Fez neles cruel chacina.
A frase usual perfilho,
Mas quero modifcá-la:
Papagaio come o milho,
Periquito leva a bala.

(In: Revista Intercâmbio, 1956.)   

da magreza? Era uma moça magra, mas tão magra, que engoliu um caroço de uva e todos acharam que ela estava grávida.
da eletricidade? Levar um choque ao receber a conta de luz.
da habilidade? Tricotar meias para um pé de vento.
da paciência? Chupar um prego até virar um alfinete.
do otimismo? Cair de um edifício, e ao passar em frente da janela, gritar: "Até aqui, tudo bem!"
da preguiça? Levantar-se mais cedo a fim de ter mais tempo livre para não fazer nada.
da economia? Lavar-se com o sabão que levou do chefe.
da identificação? Fazer cri-cri quando se está grilado.
do azar? Trocar o papel higiênico por folha de urtiga.
do argumento? Vender agasalho para pinguim.


Anúncio publicado em D. Quixote. Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1924

 

O pescador de jaú

Aqui na fazenda Andreaze, intão tinha um senhor antigo de muitos anos, intão ele foi pescá, intão ele pegô o jaú, e o jaú pegô levô ele na água, né. El’ tava c’o cachimbo aceso, né. Intão ele montô na cost’ do jaú, ficô trêis dia no fundo da água, depoi ele saiu c’o jaú e c’o cachimbo aceso!

 

A caldeira e o repolho

Um dia, lá no campo d’ Piracicaba, um senhor lá falô... Esse memo do jaú. Falô disse qu’ele foi Piracicaba, e chegô lá disse que tinha um... treis mil pessoa bateno numa caldeira, i um não ovia o baruio da caldera do outro, de tanto que a extensão era longe, né. Aí, meu irmão scutô bem, diss’:

- Pois é, seu Fulano, eu, fui passano em Piracicaba no Campestre, tinha um pé de repolho... pé de repolho. Aí tinha trezentas mil pessoa, trezentas... escondid’ imbaxo do repoio.

Aí ele scutô, diss’:

- Prá que esse repoião!?

- Cabê naquele calderãozão, q’ s’or mandô fazê!

almcalmail1.gif (1925 bytes)

O animal na boca do povo: CAVALO

Mal-educado, grosseiro e insolente
Tronco onde se faz enxerto
Tamborete
Pegador de brasas
Parte da rocha
Número 11 no jogo do bicho
Peça do jogo de xadrex.

• Cavalo(a): ferida venérea na glande masculina
• Cavalo de batalhão: obra prima de um autor
• Acavalado: coisa ou pessoa grande
Cavalo de Tróia: ardil ou embuste (lembrança da guerra de Tróia)
• Cavalo batizado: homem boçal, ignorante, bruto
• Cavalice: fazer qualquer coisa em excesso, de modo particular refeição
• Cavalão: homem agigantado, idiota
• Cara de cavalo: cara comprida
• Chifre em testa de cavalo: coisa difícil
• Cavalo de batalha: caso, complicação sem motivo
• Cavalinho de major: modo de anunciar o nº 11 no jogo de víspora
• Trabalha como um cavalo de matuto: trabalha demais
• Abrir o cavalo: obrigar alguém a retratar-se, a desculpar-se
• Bife a cavalo: bife com dois ovos fritos em cima
• Andar no cavalo dos frades: Andar a pé
• Tirar o cavalo da chuva: deixar de competir em alguma coisa, retrair-se
• Aquilo é um cavalo! Se cair de quatro pés, nunca mais se levanta: diz-se de quem é por demais estúpido
• Não caia de cavalo magro: não se deixar enganar
• Cavalo de santo: médium de Umbanda
• Cavalo de carrossel: sujeito tacanho, sovina, unha-de-fome
• Cavalo de pau: brinquedo de menino
• Cavalo de comissário ganha sempre: manda quem pode, quem tem força para ser obedecido
• Crescendo que só rabo de cavalo: crescendo para baixo, perdendo o prestígio
• Para em porta de venda que só cavalo de bêbado: diz-se de quem gosta de fazer plantão nos lugares, de conversar fiado
• Cavalo-marinho: figura de Bumba-Meu-Boi
• Caga parado que só cavalo de padre: preguiçoso, inerte
• Cair do cavalo: queda na posição política ou social
• Tem nome comprido que só ladrão de cavalo: expressão sertaneja, alusiva aos nomes longos, difíceis de decorar
• Rabo de cavalo: modelo de penteado feminino
• Vida de cavalo: vida ruim, trabalhosa, aperreada
• Cavalo-vapor: unidade de potência
• Circo de cavalinhos: conjunto popular ambulante de atletas e animais amestrados
• Cavalo de cão: sujeito metido a consquistador
• Antigamente o dono do cavalo andava na sela, hoje puxa pelo cabresto: queda de prestígio
• Passar de cavalo a burro: ser rebaixado de posto
• Cavalo reiúno: indivíduo que recebe ordens de muitas pessoas
• Além da queda, coice: um mal em cima do outro

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