Ano V - novembro  2002 - nº 51

Sua revista com a cara e a alma brasileiras


SUMÁRIO - EDIÇÃO 51
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA

Elogio do arrieiro, por Luís da Câmara Cascudo.

Como se classificam as rendas

Como vendem os sertanejos

COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE
REALEJO
COLABORAÇÕES

 

OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

COMO SE CLASSIFICAM AS RENDAS

• As rendas manuais classificam-se em rendas de agulhas e renda de bilros. Para aquelas são necessárias as agulhas e a linha, para estas – a almofada cilíndrica ou coxim, alfinete, fio e os piques.

• Numa renda manual, há que notar: o campo ou fundo, o ponto, a flor ou ornato, o mate, a espiguilha, o pé e a pontinha ou coroa.

• O campo ou fundo é a rede que serve de base ao desenho. Pode ser de malhas regulares ou irregulares. Aqueles, tomam o nome das terras que os produzem (de Alençon, de Valenciennes, etc.); estes, são o fundo aberto, o fundo tapado, e o fundo de Bruxelas).

• O ponto é uma figura regular, cujos contornos são formados pelo fio. O mais simples é um triângulo. Para que essa figuras conservem no tecido a forma geométrica, é indispensável que o fio seja preso a cada um dos ângulos; daí o tornar-se necessário o emprego de alfinetes, e de anelar, isto é: de fazer um nó, que mantenha o fio preso a cada um dos ângulos da figura formada pelo ponto.

• As flores ou ornatos são enfeites transportados do desenho. Formam-se por cruzamentos de fios especiais, entre as malhas das redes independentes ou trabalhando com o concurso dos fios da própria renda.

• O mate é a parte espessa sobre o qual o bilro ou a agulha volta várias vezes. Assim, o cheio é constituído pelo fundo ou o mate; o vazio é representado pelo cruzamento diagonal de fios poucos juntos e os abertos. Os abertos são aberturas atravessadas por alguns fios artisticamente dispostos para interceptar um pouco a luz.

• A espiguilha é uma espécie de ourela, cujo fios pouco juntos, permitem, sem ferir a renda, que ela seja utilizada de vários modos.

• O pé é o fio mais grosso de que se suspende a renda, e que termina a extremidade superior.

• A pontinha ou coroa termina a parte de baixo da renda, e é formada de pequeninos pontos espaçados igualmente.

• Na confecção de rendas, empregam-se os mais variados pontos. Aliás, o ponto designa a forma especial das malhas de que se compõem as rendas. Daí, ser erro isto de chamar as rendas de agulhas de pontos, como pontos de Veneza, da Irlanda, etc.

• Nas rendas mais vulgares de bilros predominam os ponto tapados, como o ponto de paninho e o meio ponto, às vezes com pastilhas sobrepostas, e ligadas entre si por passadeiras (brides) simples ou picotadas, ou então sobre fundo de ponto muito aberto.


("Como se classificam as rendas". Ciência popular, Rio de Janeiro, ano 2, nº 25, , outubro de 1950, p.18)

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