
Os enterros à noite, por Pessoa de Morais.
As impressões dos viajantes Louis e
Elizabeth Agassiz sobre as danças vistas no norte do Brasil em
meados do século XIX.
O dia de
finados, na região do Cairari, próximo ao rio Tambaí, no norte do Brasil. |
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| FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre
festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas;
instrumentos musicais... |
A região do Cairari não possui cemitérios. As pessoas falecidas acima do rio Tambaí
são sepultadas em um cemitério localizado abaixo do mesmo rio. Há um antigo, denominado
de São Bento, localizado nas proximidades do lugar chamado Fortaleza, estando
completamente abandonado e onde não se realizam, mais sepultamentos.
O cemitério do rio Tambaí-Açu é grande, cercado com estacas de madeira, tendo na parte
fronteira ao rio um cruzeiro também em madeira. As sepulturas, são abertas
desordenadamente e existem três túmulos com gradis de ferro, um de alvenaria (já
bastante estragado pelo tempo), e alguns caixilhos ripados de madeira. Fora esses, a
maioria dos túmulos é apenas indicada por cruzes em madeira ou restos destas. Quando uma
pessoa é sepultada no mesmo local, uma outra cruz é colocada junto à primeira.
Na véspera do dia de finados os parentes das pessoas ali sepultadas limpam o cemitério e
fazem montículos de terra sobre as quais enterram e acendem velas. Em apenas um cruz
estava indicado o nome do falecido e data de óbito. As pessoas da religião pentecostal
são sepultadas em local não indicado por cruz ou outro sinal qualquer. Apenas um
montículo de terra marca o túmulo. A visitação é sempre feita no dia 2 de novembro,
ao anoitecer, e os visitantes permanecem no local várias horas, acendendo as
"ceras" e fazendo suas orações. A maioria das velas é acesa após o
pôr-do-sol.
O dia de finados é também um acontecimento social. Marcam-se encontros no cemitério,
conversa-se, os visitantes vestem suas melhores roupas ou as vestem pela primeira vez. Há
venda de refrescos de jenjibirra e também de cachaça misturada com jenjibirra.
Nos cemitérios não existem capelas ou ermidas com qualquer imagem de santo. A romaria é
feita sempre em canoas e muitas vezes os visitantes vêm de longe, com perto de dois dias
de remo, pousando na casa de amigos e parentes.
Perto da foz do rio Tambaí, existem duas casas de comércio, e desde a véspera, bebe-se
bastante cachaça e muitas vezes ocorrem brigas ou então os participantes medem forças
sem motivos algum. As pessoas mais idosas dizem que nos dias primeiro e dois de novembro,
os espíritos maléficos estão soltos e atormentam os homens, levando-os a beber e
tornando-os agressivos a ponto de brigarem entre si.
(Figueredo, Napoleão; Silva, Anaíza Vergolino e. Festas
de santos e encantados. Belém, Academia Paraense de Letras, 1972)
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