
Os enterros à noite, por Pessoa de Morais.
As impressões dos viajantes Louis e
Elizabeth Agassiz sobre as danças vistas no norte do Brasil em
meados do século XIX.
O dia de
finados, na região do Cairari, próximo ao rio Tambaí, no norte do Brasil. |
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| FESTANÇA - Nesta seção, textos sobre
festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas;
instrumentos musicais... |
Pessoa de Morais
Tradição e transformação do Brasil,
p.265-266 |
O enterro de adulto entre gente rica no Rio de Janeiro, além disso, com um curioso ritual
que associava a idéia da dor mais dionisiacamente compungida ao espetáculo da
grandiosidade pomposa ou do fastígio. Eram funerais que saíam justamente à noite, a
própria escuridão como símbolo de tristeza ou de luto; um reposteiro preto colocado à
porta da casa completando essa exteriorização simbólica. Até o carro mortuário, os
cavalos ricamente ajaezados e os portadores de tocha, cobertos de preto. Os cocheiros
tambem com dragonas negras sobre os ombros.
Tudo formava estranho contraste com o desfilar das tochas vermelhas ou amareladas de fogo
a se deslocarem, pausadamente, no silêncio ou no ermo das ruas; a realçarem ainda mais a
predominância quase absoluta da cor negra nesses funerais. Parecendo também, de longe,
pontos luminosos a se moverem na sombra. O contorno meio indefinido das cabeças humanas,
com as vestes na semi-obscuridade, uma espécie múltipla de misteriosa aparição. O
pisar dos cavalos, o ruído das pesadas rodas das carruagens nas pedras ainda irregulares
do calçamento, a vestimenta meio espalhafatosa do morto, denunciando nesses rituais
noturnos a combinação, no Brasil, entre o solene, o cômico, o luxuoso e até o
trágico.
No Recife os funerais de gente abastada eram feitos, no século passado, igualmente à
noite; as carruagens acolchoadas dos ricos se deslocando através das ruas; os tropéis
dos cavalos formando um eco noturno; a luz mortiça dos lampiões à gás criando a mesma
atmosfera psicológica de sortilégio e de sombra.
(Em Condé, José. A cana-de-açúcar na vida brasileira; textos
coligidos. Rio de Janeiro, Instituto do Açúcar e do Álcool, 1971/1972.
Coleção canavieira, 7, p.267)
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