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Ano IV - novembro 2001 - nº 39

Sua revista com a cara e a alma brasileira


SUMÁRIO - EDIÇÃO 39
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU

"Até mui pouco tempo não se dizia – um jantar. Nas casas ricas, se anunciava: A janta está na mesa. A gente de menos trato dizia: o di-comer está botado...." Outrora, no Ceará.

O reverendo americano Daniel Parish Kidder escreve sobre o mate e a carne-seca no sul do país, em meados do século XIX.

O viajante americano Thomas Ewbank escreve sobre o uso do mate no Brasil.

PANACÉIA
CATAVENTO
ALMANAQUE

 

COLHER DE PAU - Nesta seção, textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...


MATE E CUIAS

Thomas Ewbank


cuias.gif (8741 bytes)O mate ou chá do Paraguai não é muito usado no Rio de Janeiro. No interior o consumo é grande, porque é considerado como indispensável preservativo contra as influências climáticas, além de estimular o estômago e revigorar o organismo. Sendo um produto comercial muito importante, os navios que largam das províncias do Sul vão às vezes inteiramente carregados dele. Em virtude dos preços correntes de Montevidéu e Buenos Aires, a sua receita se equipara à do café e do trigo. É embarcado em caixas de estanho recobertas de papel colorido, mais ou menos à maneira da China. O modo aborígine de preparar e proceder à decocção é o que predomina em toda a parte. Colocam-se em uma cabaça algumas folhas, adiciona-se açúcar e enche-se a vasilha de água fervendo: agita-se o conjunto e introduz-se um tubo de sucção - geralmente um caniço contendo um coador em miniatura - através do qual o líquido quente é absorvido. Os dois desenhos inferiores da estampa são cabaças: o da esquerda foi adornado conforme o estilo indígena, com gravações feitas com uma haste metálica aquecida, o outro está assentado sobre um suporte de prata, contendo um tubo ou "bombilho" do mesmo metal. O desenho superior é uma antiga cuia de terracota.

A primeira notícia do chá como bebida não proveio da China, mas da América do Sul. Por mais de meio século bebeu-se mate antes de o chá da China ter sido difundido.


(Ewbank, Thomas. A vida no Brasil ; ou Diário de uma visita à terra do cacaueiro e das palmeiras. Belo Horizonte / São Paulo, Editora Itatiaia / Editora da Universidade de São Paulo, 1976. Reconquista do Brasil, 26)

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