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| PALHOÇA - Nesta seção, textos sobre a
casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e
costumes; tipos populares... |
O enterro mais curioso é aquele observado pela tradição dos pomeranos. Embora não se
possa considerar um enterro como uma festa, é contudo para os colonos uma variedade na
cotidiana monotonia de sua vida e uma ocasião para se encontrarem com velhos conhecidos
que moram muito distante e que pouco se vêem. A importância do enterro é avaliada pelo
número de acompanhantes. É uma vaidade da parentela fazer com que o falecido tenha um
grande acompanhamento. Antes da chegada do pastor, ver-se-á, muitas vezes, a garrafa de
aguardente passando de mão em mão entre os presentes. Antigamente, ofereciam também
muito café e doces. Com a melhoria dos meios de comunicação, as distâncias foram
diminuindo e os amigos já chegam prevenidos.
Quando o corpo sai de casa, o relógio é parado e as cadeiras são viradas, para que o
espírito do morto não fique sentado em algumas delas. Para que o mesmo encontre boa
saída, as janelas são abertas; ao passo que são fechadas as janelas das casas por onde
passa o cortejo fúnebre. Até mesmo o comércio cerra as portas.
O morto é vestido com a sua melhor roupa e são colocados dentro do caixão um ou vários
objetos dos que ele mais apreciava. Enquanto em muitas zonas o caixão é enterrado logo
que chega ao cemitério, em Rio do Testo e seus arredores, fica fora da cova e só é
enterrado depois do discurso do pastor.
Há lugares em que todas as sociedades formam para prestar a última homenagem ao
associado.
Na zona de descendência italiana e alemã, quando morre uma pessoa o cadáver tem uma
guarda contínua que é revesada pelos amigos e parentes. Durante a noite, o café não
deixa de ser servido amiúde para os presentes vencerem mais facilmente o sono. O enterro
é sempre muito acompanhado e muitas flores são levadas à sepultura.
A noite mais importante é que até o inimigo do defunto, se houver, não deixa de tomar
parte no enterro.
(SILVA, Zedar Perfeito da. O
vale do Itajaí.Rio de Janeiro, Serviço de Informação Agrícola, 1954.
Documentário da Vida Rural, 6) |
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