
O leite de coco,
um dos mais populares condimentos utilizados no Brasil e em diversas outras partes do
mundo. Um texto de Luís da Câmara Cascudo.
Uma receita, em versos, do modo de se preparar o chimarrão.
"A
refeição principal consta de um jantar ao meio-dia, por ocasião da qual o chefe da
casa, sua esposa e filhos às vezes se reúnem ao redor da mesa...", Convites a jantar no Brasil do século XIX, pelo viajante John
Luccock
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| COLHER DE PAU - Nesta seção, textos
sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa;
horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e
alimentos... |
(...) A família em geral fica na
varanda, na parte de trás da casa, lugar em que se acha quase tão isolada do mundo como
se se encontrasse nas profundas de uma floresta. As mulheres, sentadas em roda, na postura
costumeira, costuram, fazem meia, renda, bordados ou coisas semelhantes, enquanto que os
homens se encostam a tudo quanto possa servir para isso ou ficam a vaguear de quarto e
quarto. É ali também que tomam suas refeições, usando de uma velha tábua colocada
sobre dois cavaletes, um par de tamboretes de pau para completar e, quando existem dessas
coisas, uma ou duas cadeiras. A refeição principal consta de um jantar ao meio-dia, por
ocasião da qual o chefe da casa, sua esposa e filhos às vezes se reúnem ao redor da
mesa; é mais comum que a tomem no chão, caso em que a esteira da dona da casa é
sagrada, ninguém se aproximando dela senão os favoritos reconhecidos. As virtualhas
constam de sopa, em que há grande abundância de legumes, carne seca e feijão de
várias qualidades. Em lugar de pão, usam de farinha de mandioca; esta, quando úmida, é
servida em cabaças ou terrinas; quando seca, em cestas, sendo comida em pequenos pratos
de Lisboa. Somente os homens usam faca; mulheres e crianças se servem dos dedos. As
escravas comem ao mesmo tempo, em pontos diversos da sala, sendo que por vezes suas
senhoras lhes dão um bocado com as próprias mãos. Quando há sobremesa, consta ela de
laranjas, bananas e umas outras poucas frutas.
As cozinhas em geral possuem uma vasta chaminé aberta e um forno; o fogão tem cerca de
dez pés de comprimento, cinco de largo e três de alto; o seu corpo consiste de uma
sucessão de divisões de tijolo. Essas divisões têm cerca de dois pés de comprimento,
podendo-se fazer fogo isoladamente em cada uma delas; por cima das que estão sendo usadas
colocam-se tijolos ou pedras, deixando abertos ou vazios de modo a que o calor possa
atingir a panela, que em geral é de barro, de fabricação local. Não se usam grelhas,
nem trempes, nem guarda-fogos; tais utensílios seriam tidos por supérfluos e incômodos.
Para atiçar o fogo, usa-se de uma espécie de leque feito de folhas de palmeira, que
supre perfeitamente o efeito de um fole. A mesa de cozinha consta de um sólido bloco de
madeira, fixado numa das extremidades da cozinha, tendo por cima umas poucas prateleiras.
Sobre uma banqueta, adrede construída, acham-se potes contendo água, sempre pronta para
dela se beber ou fazer outro uso qualquer; e por cima deles há uma concha, feita de um
coco vazio, que serve para tirar água dos potes e de copo para os escravos.
(LUCCOCK, John. Notas
sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil. Belo Horizonte /
São Paulo, Editora Itatiaia / Editora da Universidade de São Paulo, 1975. Reconquista do
Brasil, 21) |
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