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Ano III - novembro 2000 - nº 27

Sua revista com a cara e a alma brasileira

SUMÁRIO - EDIÇÃO 27
FESTANÇA
CANCIONEIRO
IMAGINÁRIO
OFICINA
PALHOÇA
COLHER DE PAU
PANACÉIA
CATAVENTO

setaquad.gif (95 bytes)Adivinhas

setaquad.gif (95 bytes)Parlendas do papagaio

setaquad.gif (95 bytes)Jote

setaquad.gif (95 bytes)Cantiga de berço

setaquad.gif (95 bytes)Brincadeiras com corda

ALMANAQUE

 

CATAVENTO - Nesta seção, textos sobre cantigas de roda; acalantos; brincadeiras; brinquedos feitos em casa; adivinhas; trava-línguas; parlendas; lengalengas; fórmulas de escolha, mnemônicas...

JOTE

Verissimo de Melo


Ilustração de Marcos JardimO jote era um dos jogos mais movimentados e preferidos pela garotada de Natal. Escolhida a mancha (lugar onde o jote não pode pegar ninguém), tiravam a sorte para saber quem iria ser o jote. O jote fica na mancha (é sempre uma calçada determinada), e todas as outras crianças saem correndo, para longe. Quando estão fora da vista do jote, geralmente noutra rua ou no fundo de um parque ou jardim, gritam todas:

- Jote!

Outros meninos preferiam gritar:

- Jote caracanhote, mãe de carcote!

Então o jote sai da mancha para pegar os meninos. O primeiro a ser tocado passa a ser o jote na vez seguinte.

Quando o jote é perverso, muitos meninos tímidos se refugiam na mancha. Então o jote os convoca declamando:

- Carocinho de feijão!
Quem não sair da mancha é o cão!

E os meninos disparam na carreira, porque ninguém quer ser o cão, isto é, o diabo...



Do vocábulo jote - corrente na nossa linguagem infantil, - não temos nenhuma notícia esclarecedora em torno de sua origem. O Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa não registra a voz. Todavia, Juan Afonso Carrizo, no seu Cancioneiro popular de la Rioja, insere várias notas sobre o termo jôte ou jóte, que é, na Argentina, um "pajarraco carnívoro de alas negras que comumente llamamos de cuervo en Salta, Tucumán, Santiago, Catamarca y grand parte de Jujuy e La Rioja". Informa ainda que o professor Eugénio Giacomelli escreveu uma monografia sobre El Jote e na qual descreve minuciosamente o animal. Outro autor, Lenz, que estudou profundamente a voz sob o ponto de vista lingüístico, esclarece que Jote é nome vulgar de "un ballinazo negro, común en la mayor parte de Sudamérica". Já o professor Emiliano J. MacDonagh, - citado por Carrizo, - nos dá extensa notícia sobre a voz Jote, afirmando que o nome se aplica a duas ou mais espécies de ave. Seja corvo, galinha ou condor, a identidade das vozes (jôte, no Brasil, jote ou jóte na Argentina), parece esclarecer a origem do vocábulo no Brasil. O jote do nosso jogo popular seria o bicho que vem comer as crianças - o corvo, talvez, - e por isso todos correm para não ser apanhados. Fica, todavia, o problema aberto aos filólogos e mestres, que poderão dar melhor explicação para a voz popular norte-rio-grandense.

(MELO, Veríssimo de. Folclore infantil; acalantos, parlendas, adivinhas, jogos populares, cantigas de roda. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, sd. Biblioteca de Estudos Brasileiros, 20)

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